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AUTORA MANUELA GONZAGA

Manuela Gonzaga nasceu no Porto e passou parte da adolescência e juventude em Angola e Moçambique. Escritora com mais de uma dezena de livros publicados e historiadora com o grau de Mestre, é ainda investigadora associada do CHAM (Centro de História de Além-Mar, da Universidade Nova de Lisboa). Desde 2000 que se dedica a tempo inteiro à escrita e à investigação, assim como às viagens que tanto gosta de fazer. Tem quatro filhos e dois netos. Actualmente, divide o seu tempo entre Lisboa e uma pequena aldeia alentejana, onde, numa casa muito antiga, com árvores e poço, e lendas de fundação, tem espaço para a grande família, os amigos, e os cães e gatos que tem resgatado.

 

Desde já, apresentamos os nossos melhores cumprimentos e agradecimentos pela disponibilidade demonstrada em responder a esta entrevista.

 

LV - Iniciamos a mesma questionando, quem é Manuela Gonzaga? É “apenas” historiadora e escritora? Conte-nos mais sobre si.

 

Sou mãe de quatro filhos; avó de duas netas e um neto; viajei muito, desde muito jovem, e continuo a fazê-lo. Fui jornalista durante muito tempo, em vários órgãos de comunicação social, dirigi e editei publicações, e ainda colaboro pontualmente com revistas, como a Vogue Portugal. Também fui bancária, professora e artesã. A partir de 2000 passei a dedicar-me à escrita e à investigação (História) a tempo inteiro. Por vezes, dou aulas de escrita, e já publiquei um livro com textos dos alunos/as. De há dois anos para cá, apesar de manter casa em Lisboa, vivo quase sempre numa lindíssima aldeia alentejana numa casa grande, e com espaço exterior suficiente para animais e humanos coexistirem em paz e alegria. Temos sete cães e um gato, todos resgatados.

 

LV - Tomámos conhecimento d’O Mundo de André através da reedição e edição do volume 1 e 4 pela Bertrand Editora. Questionamos, como é que há trinta anos lhe surgiu a ideia, ou vontade, de escrever para os mais novos?

Quando os meus filhos eram pequenos costumava tomar nota de algumas das coisas que diziam, e anotava também os sonhos deles (e os meus – tive durante anos um diário de sonhos). Gostava de inventar histórias para lhes contar ao adormecerem e tenho memórias muito vivas da minha própria infância, e de quanto adorava ler e viver em mundos de fantasia. Um dia, comecei a escrever a primeira aventura desta coleção. O tempo (em que o livro esteve guardado) amadureceu a ideia. Quando a oportunidade surgiu, percebi que as histórias eram muitas e o primeiro livro era o ponto de partida.

 

LV - É-lhe mais fácil “construir” um livro para os mais crescidos ou para os mais novos? São públicos com exigências muito distintas?

Os jovens também são muito exigentes. Naturalmente, a sua exigência é diferente. Em todo o caso, a ficção, seja para adultos (já escrevi vários romances) seja para um público mais jovem, é mais fácil do que a biografia histórica (tenho várias publicadas), ou o ensaio. Isto porque nos permite «voar» e deixarmo-nos ser surpreendidos pelo próprio enredo. Mas escrever dá sempre muito trabalho. É preciso fundamentar a história, de tal modo que a fantasia se torne «real», e essa verdade passe para os olhos de quem a lê. Basicamente, eu tenho de no que estou a contar. Nesse aspeto, cruzo e misturo ciência e magia, nos livros do André, em conceitos que não são naturalmente descodificáveis pelos mais jovens. Mas vão familiarizando os leitores com conceitos que implicam, neste caso, um «viajar «para lá do aqui e agora. E eles percebem e intuem isso.

LV - Publicaremos em breve a nossa opinião sobre o volume 1 do “O mundo de André”, temos notado uma linguagem cuidada e o emprego de «palavras difíceis» (na visão dos mais jovens) isso é intencional? Considera que através dos livros, junto dos mais novos, tem de se tentar ir mais além, ou seja, não deverão os autores ficar apenas pelo contar uma história que entretenha o leitor? O escritor, além de um contador de histórias/estórias, tem um papel também educativo, de formação e cultivo da língua?

Obrigada pelas suas referências e pelo cuidado com que leu o livro. A verdade é que, apesar de ser muito cuidadosa na linguagem para este público mais jovem, não subscrevo nada a ideia de que as crianças ou os adolescentes são parvos ou limitados de cérebro. Quando eu era da idade deles e um livro me interessava muito, se tropeçava numa palavra «nova» tirava o sentido pelo contexto da narrativa, ou perguntava aos mais crescidos e, mais tarde, ia ao dicionário. Uma palavra «difícil» só o é enquanto é desconhecida. E quanto melhor e maior é o vocabulário mais poderosa, mais ágil e mais capaz é a mente da pessoa. Considero que a literatura tem, sim!, a obrigação de ir mais além. E, divertindo, permitir o alargar de conhecimentos, despertando interesses, estimulando a capacidade mais preciosa que temos, que é a nossa imaginação criadora. Neste caso, através do encantamento que a leitura pode oferecer.

 

LV - Em «André e a Esfera Mágica» detectámos várias mensagens ao longo da trama, isso é algo que a preocupa, conseguir transmitir valores e sentimentos? Fazer com que os leitores mais novos se identifiquem com os problemas do personagem André?

As crianças e os jovens são, naturalmente, empáticos. Sintonizam muito mais facilmente com o coração, com o instinto, com as emoções, sem grandes filtros. Com esta separação geracional absurda e perigosa, estão muito entregues a si mesmos, às suas relações de grupo ou bando, e ao condicionamento através das mensagens subliminares ou declaradas que os audiovisuais lhes transmitem. É minha e nossa obrigação, a nós intelectuais, a nós artista de todas as áreas, recordar-lhes a essência da sua humanidade, a deslumbrante capacidade criadora da sua natureza profunda, e a capacidade essencial de se colocarem no papel dos outros. A literatura tem de ir muito mais além de que divertir sem consequências.

 

LV - Como referimos, há uma distância de cerca de trinta anos entre a altura que fez o primeiro esboço, digamos assim, deste primeiro volume e a altura em que o publicou. Perguntamos, a juventude para quem escreveu nessa época é, na sua essência, a mesma? Ou muito já mudou?

A juventude e a infância, em essência, são sempre as mesmas. Uma criança, há milhares de anos, desabafava numa tabuinha de argila, milagrosamente salvaguardada, o medo que tinha das vergastadas do professor, e como tinha pedido ao pai para o receber em casa, de modo que, bajulado e presenteado, o mestre se tornou mais ‘amável’ com aquela criança suméria. As histórias que a Condessa Ségur, no século XVIII, escreveu para as suas filhas, Camila e Madalena, ainda hoje encantam crianças do nosso tempo, como me encantaram a mim que sou do século passado, e tive o privilégio de ler as Memórias de um Burro, Os Desastres de Sofia, Novos Contos de Fadas, para não falar de Mobby Dic uma obra-prima da literatura mundial, que no meu tempo integrava uma coleção chamada «Biblioteca dos Rapazes», e o eterno e sublime Principezinho que é para todas as idades e não pode ter rótulo. Porque, em essência, o ser humano desde a alvorada da História atravessa a vida entre dores e alegrias, esperanças e desalentos, guerras e oásis de paz, medos e assomos de coragem… encontramos sempre algo de humano, algo muito familiar, nas manifestações literárias que dão testemunho desta ou de outras épocas.

 

LV - O inédito 4 volume, editado agora pela Bertrand Editora, foi inserido no Plano Nacional de Leitura. Como se sentiu ao ver que o seu trabalho foi reconhecido e recomendado a todos os jovens do país? Traz um significado especial?

Uma pequena correção: o 1º volume ‘André e a Esfera Mágica’ (bem como os outros dois ainda por reeditar) é que foram inseridos no Plano Nacional de Leitura, à medida que foram aparecendo. Este último, , tendo sido lançado agora, ainda não teve tempo de receber esse reconhecimento oficial. Voltando à pergunta, tenho de dizer que foi uma grande alegria. Além disso, há trechos deste livro e dos outros anteriores inseridos em vários livros escolares de que vou sabendo esporadicamente. Por exemplo, no ano passado, a filha de uma grande amiga minha chegou a casa toda contente: da seleção de escritores com obra de referência para o secundário, fui a escolhida. Deste caso soube, mas há muitos mais que nem me chegam ao conhecimento, a não ser anos depois. Sim, o reconhecimento é sempre bom. Mas o melhor de todos é quando leitores e leitoras me contactam a perguntar quando sai o próximo livro, a contar o quanto gostaram das aventuras. Quando a notícia do lançamento foi anunciada, houve um jovem, agora na casa dos 20, que escreveu na página da Bertrand congratulando a editora pelo lançamento do inédito e relançamento deste primeiro livro, que, no seu tempo de escola, há dez anos, assumidamente adorou. Continuo a ter leitores que, passados anos, voltam às aventuras do André e que me escrevem a dizer que agora descobrem aspetos que na altura lhes tinham escapado. Como bem percebeu, há magia e ciência em todos estes livros. Uma criança ou um jovem de 9, 10, ou mais, pode nunca ter ouvido falar do Gato de Schrödinger, mas aos 20 provavelmente já ouviu pelo menos o nome… o mesmo para «paradoxos», «singularidades», e, até, «buracos de minhoca».

 

LV - Além de escritora, é historiadora de profissão, enquanto escreve para os mais novos tenta abstrair-se desse seu lado, ou, pelo contrário, usa também dessa ferramenta?

Quando escrevo, uso todas as ferramentas de que disponho. Dou um exemplo: um artífice, capaz de construir um altar em talha, também é capaz de fazer um comboio de madeira, ou um cavalinho de pau para uma criança. Com as mesmas ferramentas, embora, se calhar, não precise delas todas. Voltando à pergunta. No 3º livro, (que a Bertrand também vai reeditar), o rapaz dá por si num mundo onde as crianças são submetidas a provas muito duras, quando deixam a infância para trás. Uma delas é retirar-se-lhes (a quase todas elas) a capacidade de imaginarem. Ficam autómatos perfeitos. A alegoria serve ao nosso espaço tempo. Mas confesso que o que me veio à cabeça, em termo estruturais, foi a brutal sociedade espartana, na Grécia Antiga. Aí está, a historiadora amplia, com o seu banco de dados, as informações que a imaginação transmite! Além de que, através da maravilhosa Vicência, conseguimos saber coisas da história de Portugal mais recente de que os mais novos não fazem a menor ideia… como os terríveis ciclos de fome em Portugal no século passado e a consequente debandada da emigração…

 

LV - Face a “O Mundo de André” e a mais de uma dezena de livros para os adultos, diga-nos para qual dos públicos sente mais prazer em escrever? E qual deles lhe dá um maior reconhecimento pelo seu trabalho?

 

Tenho um prazer imenso em escrever, seja qual for o âmbito do livro. Como digo, construir uma biografia não me permite dar largas à imaginação – não faço biografias ‘romanceadas’ – mas pesquisar a vida daquela pessoa e mergulhar nos tempos em que andou por este mundo é uma viagem incrível. Naturalmente, para outro tipo de leitores, que eventualmente não descartam o romance. Já a ficção e estes livros do André são uma viagem incrível para mim, permite-me soltar a imaginação e isso é maravilhoso, surpreendente e dá-me uma sensação de liberdade incrível.

Em relação ao reconhecimento, tenho de assumir que este me tem chegado de várias áreas. Por exemplo, a biografia de Maria Adelaide Coelho da Cunha – Doida não e não!, foi top de vendas (7 edições), está referenciada em várias universidade, e atingiu todo o género de público. Ainda hoje sou, eventualmente, contactada para ir falar sobre o caso desta mulher que foi presa num hospício por um crime de… «amor»! E que conseguiu subverter todas as regras, escapando a este destino terrível. A Imperatriz Isabel de Portugal também fez várias edições (quatro) e está traduzida em francês (mantém-se, regularmente, no top de vendas da Amazon). Adorei escrever sobre esta mulher, filha do nosso rei D. Manuel I, casada com o imperador Carlos V, tão injustamente desconhecida e tão importante na História Peninsular e Europeia do século XVI. Os meus livros juvenis também tiveram várias reedições e espero que o mesmo venha a acontecer novamente nesta casa excelente que é a Bertrand.

 

LV - Quais são as grandes diferenças entre o primeiro volume das aventuras de André e o quarto volume, “André e o Baile de Máscaras”?

 

No primeiro livro, André acaba de fazer sete anos quando é «puxado» para um mundo… alternativo (?) onde decorre a aventura. E, nessa altura, não tem dúvidas sobre a sua realidade. Nesta quarta aventura, já com 12 anos, agarra-se à ideia de que tudo o que esta a acontecer naquela realidade (um mundo paralelo?) não passa de um «sonho». Mas quando se belisca, para tentar acordar, apenas consegue magoar-se a si próprio… Por outro lado, a trama é agora mais densa, mais palpitante, mais mágica e, por vezes, muito comovedora. Pessoalmente, adoro a personagem Formiga!! Espero bem que ela apareça em mais aventuras.

 

LV - Há já mais aventuras de André imaginadas? Que podem os leitores esperar?

 

Há várias sinopses e muitas ideias. Não sei o que podem esperar, porque eu sou também, e sempre, surpreendida. Quando penso que a história vai numa direção… o enredo baralha-se e troca-me as voltas. Certo, certo, é que a maravilhosa Vicência continua na família, e que o Senhor Leandro vai, mais uma vez, cruzar-se com André. Tenho, pessoalmente, saudades da fada Grionesa, e uma grande curiosidade sobre onde para Oriana, mas não sei quando voltarão e em que aventuras!

LV - Como se sentiu ao ver o seu livro alvo de opinião no blogue Livros de Vidro?

 

Gostei muito! Felizmente, o mundo da blogosfera veio, em boa hora, colmatar uma falha enorme na opinião crítica literária, já que a imprensa escrita dedica ao assunto muito pouco espaço e uma atenção muito marginal, muito parcial e muito enfeudada a redes de influências de várias origens.

 

LV - Por fim, quer deixar alguma mensagem a quem nos segue?

Sim: pela vossa preciosa saúde, LEIAM!! Seja o que for. Não importa que sejam os meus livros (se o fizerem fico muito feliz, como é evidente), ou outros, o importante é que leiam! Quando lemos um romance, por exemplo, estamos ao comando da obra. Somos o realizador, o encenador, os atores todos, a paisagem. Somos a própria aventura recriada na nossa imaginação. É por isso que se diz que um livro, quando é publicado, deixa de ser de quem o escreveu e torna-se de quem o lê. Esta atividade potencializa e amplia as capacidades do nossos cérebros, da mesma forma que o exercício desenvolve os nossos músculos e torna-nos mais ágeis, mais saudáveis, mais fortes. Um cérebro inerte, colado a um ecrã de televisão, de computador, ou de um telemóvel, «come» apenas o que lhe põem à frente. E assim, vai tornar-se uma ferramenta muito fraca… Os seres humanos são todos criadores. Mas para isso, têm de ter uma inteligência afiada e uma imaginação poderosa. E isso trabalha-se.

 

 

 

 

AUTORA SOFIA DIOGO

Livros de Vidro - Em primeiro lugar diga-nos, quem é Sofia Diogo?

 

Quem é a Sofia…Para mim que vivo comigo todos os dias e em cada um deles me procuro conhecer um pouco mais (ou desconhecer, estranhando-me também) é no mínimo desafiante descrever-me. Procurando uma posição perceptual “fora de mim” e procurando fazer jus à simplicidade que acredito também me define, olho-me como uma pessoa algo calma (que por vezes também está num turbilhão interior), muito curiosa com a vida e experiências saudáveis que acrescentam e me fazem querer mais e melhor (de mim). E neste sentido também me vejo aventureira e às vezes destemida. E a aventura muitas vezes é dentro e não fora…Porque nestas coisas de crescer como ser humano há sempre uma dose destes ingredientes. E acrescento ainda a coragem.

E depois também vejo vulnerabilidade que em momentos menos bons se transforma em medo. Medo de falhar, mesmo sabendo que “falhanço” não existe e que há apenas feddback. Porque no fundo, acredito, queremos estar sempre no nosso melhor e existe uma braveza enorme em viver momentos de vulnerabilidade, braveza essa que por vezes deixo escapar…

Costumo agora dizer algumas vezes que “somos todos muito parecidos” e com este pensamento acredito que, se olharem para cada um dos vossos medos, receios, tristezas, cada um dos vossos sorrisos, das conquistas, felicidades e alegrias, encontrarão muito da “Sofia”, do “Pedro”, da “Isabel” ou do “José”…

 

Sobre mim e do percurso da Sofia ao longo destes anos, de forma factual, para “matar” outras curiosidades, nasci no coração do Porto no verão de 75. O meu percurso académico passou por escolas, liceus e externatos da cidade Invicta tendo depois  seguido rumo à Universidade do Minho onde me formei em Psicologia.

Participei num estudo de investigação Europeu sobre bulling, o que me fez ter a minha primeira experiência de desenvolvimento pessoal: viver no sul de Itália e frequentar a Universitá de la Calabria. Viajar é conhecer mundos dentro do nosso mundo!

Na busca de um lugar profissional e entre formações comportamentais, terapias com crianças e adolescentes, aprofundei o meu conhecimento no Coaching e com a PNL (Programação Neurolinguística).

Para além de Formadora e Coach de Bem-Estar, decidi no ano que agora terminou, dar mais um passo e concluí o meu primeiro livro: "Ensaio Sobre a Mente Humana". Do qual vamos aqui falar mais um bocadinho.

 

 

LV - Como surgiu este livro “Ensaio sobre a mente humana”?

 

É uma pergunta que tenho alguma dificuldade em responder. Lembro-me de gostar de ler e escrever desde muito cedo. Sim, fui daquelas adolescentes que tinham um diário e o escondiam com receio de ser descoberto!

Uns anos antes do “Ensaio sobre a mente humana” senti vontade de escrever algo que ajudasse as pessoas a crescerem, com perguntas que fariam a si mesmas. Imaginei um livro com exercícios escritos e cheguei mesmo a inicia-lo. Só que não foi concluído. Ficaram folhas soltas.

O “Ensaio sobre a mente humana” surge de uma forma que para mim me parece algo “estranha”, fruto talvez das aprendizagens que fui fazendo de desenvolvimento pessoal, senti vontade de escrever sobre elas. Foram dias em que estava sempre com um bloco perto de mim e simplesmente surgiam estórias. Em momentos comigo mesma, em cafés com amigos, recordando situações vividas ou contadas. Em duas semanas escrevi os 114 diálogos internos que compõem o livro.

 

LV - Quais têm sido as reacções ao mesmo? Isto porque não é um livro “normal”, ou seja, a narrativa não é propriamente um belo e extenso romance. Como tem sido a sua recepção?

 

Tenho tido excelentes reacções e ausência de reacções também. Sempre que sei que alguém tem consigo o “Ensaio sobre a mente humana” – e curiosa como me intitulo – peço para me dizerem algo sobre. O que sentiram, se se identificaram com alguma estória em particular… ou seja, se gostaram. E em termos gerais dizem-me que sim. Que é um livro diferente e que realmente acrescenta. Sempre que me permitem vou publicando as opiniões no meu cantinho de escritora no facebook. Um exemplo, para melhor ilustrar que lá coloquei recentemente é de um amigo conhecedor de PNL (Programação Neurolinguística) e formador, que entre outras coisas, escreveu “ A forma como tu e o teu “pensamento” conversam é de uma clarividência desconcertante. Se a PNL é simples tu conseguiste tornar tudo ainda mais simples e belo.” (Paulo Espírito Santo)

 

 

LV - Qual foi a sua intenção ao escrevê-lo?

A intenção que coloquei ao escrever estas estórias foi simplesmente a de transmitir que podemos mesmo escolher pensamentos mais construtivos do que os que por vezes (para não generalizar muito) temos. Quero com o “Ensaio sobre a mente humana” validar a ideia de que ou controlamos a nossa mente ou “ela” controla-nos a nós! E com ele quero que as pessoas aumentem a consciência sobre os seus próprios pensamentos, treinando outros que lhes sirvam mais. Desta forma acredito, podemos-mos tornar os nossos melhores amigos e pessoa a pessoa, e em última instância (sonhando e sorrindo muito), tornar o mundo um lugar ainda mais bonito para cada um de nós

 

LV - No livro fala com o seu eu interior, desabafa com ele, lida com ele como se de uma outra ‘pessoa’ se tratasse, fá-lo regularmente? Ou só na narrativa?

Faço-o regularmente, em diferentes momentos do dia e perante acontecimentos que vivencio. De uma forma já algo natural, após muito treino (quase como ir ao ginásio todos os dias), já consigo praticar muito do que descrevo na narrativa. E mesmo com dias em que fico em efeito e desligo da voz do meu melhor amigo em mim, volto sempre em consciência assim que dou conta! Semelhante aqueles momentos em que estamos tempos sem ver alguém que amamos e assim que o reencontro acontece, corremos para ele!

 

LV - Ao lermos o livro, e como expressámos na nossa opinião, ficámos com a agradável sensação de não sermos os únicos a ter tais pensamentos. É normal?

                                                      

Eu espero bem que sim! (risos) Que seja normal e assim também eu me sinto mais normal!

 

 

LV - O que retira deste Ensaio?

 

Um desafio superado! Desafio que lancei a mim mesma e onde a exposição da “Sofia Diogo” acontece de uma forma natural e muito desconfortável também! Sempre me considerei uma “introvert” e sinto-me bem nesta forma de estar que pouco combina com as apresentações públicas, o falar sobre mim e sobre o livro… Ou seja, o “Ensaio sobre a mente humana” acabou por ser mais um momento de desenvolvimento pessoal para mim…

 

 

LV - Há mais livros para sair da gaveta? Se sim, dentro do mesmo género?

 

Tenho vontade de escrever mais, sim. Já tive ideias para novas estórias, já pensei em algo para crianças também. De momento apenas em pensamentos pouco concretos e o bichinho da escrita a ganhar força e vida para mais.

 

LV - Como se sentiu ao ver o seu livro alvo de opinião no blogue?​

Não estava à espera e foi um momento de surpresa boa! Saber que o blogue tinha realmente pegado no livro e retirado aquela opinião foi mesmo algo que acrescentou! E lembro-me que no texto havia alguma referência a um momento mais desafiante de vida e que o  “Ensaio sobre a mente humana” teria surgido e que teria feito alguma diferença. O tal “acrescentar” que eu gosto de intencionar. Que acrescente algo e possa mexer positivamente com a mente e vida das pessoas que com ele se cruzem!

 

LV - Por fim, quer deixar alguma mensagem a quem nos segue?

Acredito que um bom livro pode mesmo modificar a direcção da nossa vida e o blogue fala sobre livros dando uma opinião simples suscitando a curiosidade. Para mim foi uma surpresa boa descobrir e segui-lo! Tal como intenciono para o meu livro, sinto que o blogue acrescenta e no mundo das coisas escritas, posso apenas acrescentar que um bom livro é uma viagem e que quem viaja assim, para dentro de si, corre o risco de crescer e tornar-se num melhor ser humano! A mensagem que vos deixo é que continuem a ler e a crescer cada dia!

Deixamos, desde já, o nosso agradecimento à autora pela confiança e disponibilidade.

Obrigada eu, por tudo! Namasté

 

 

 

AUTOR ANDRÉ DE OLIVEIRA

L.V. - Em primeiro lugar diga-nos, quem é André de Oliveira?

Costumo dizer que sou um buscador do sentido mais lato da vida. Sou ator e escritor. Tenho muitas paixões. Entre as mais importantes estão a literatura, o cinema, a música, o teatro, a política e a espionagem. Interesso-me por desporto, bom vinho tinto e comida. Sou um amante da cultura oriental e adoro viajar. Fiz formação no Curso Profissional de Interpretação para Atores na Academia Contemporânea do Espetáculo, na cidade do Porto. Colaboro assiduamente no desenvolvimento de projetos nas áreas de produção de cinema e teatro e sou membro fundador da Filmocracy, plataforma internacional para guionistas e produtores de cinema

 

 

 

L.V.- Como surgiu este livro “Peónia Vermelha”?

Peónia Vermelha surgiu de uma grande vontade que eu tinha em escrever o meu primeiro romance. Como amante da cultura oriental, decidi que esta primeira história iria ter como um dos seus principais pilares a China e alguns personagens desse país. Gosto de criar “pontes”, aproximar pessoas e culturas. Adoro descobrir e reconhecer aquilo que temos em comum enquanto seres humanos, mesmo vivendo ou tendo nascido em culturas tão “distantes”. Neste estudo e pesquisa que fui desenvolvendo ao longo dos anos sobre a cultura oriental, mais especificamente a chinesa, percebi que “muito mais é aquilo que nos une que aquilo que nos separa”.

Então decidi que iria abordar algumas das temáticas que mais me interessam atualmente, nomeadamente a medicina tradicional chinesa, o negócio das farmacêuticas (ou o negócio da “doença” como prefiro chamar-lhe), as relações humanas, o lado mais negro da política e da alma humana.

 

 

L.V.- É um livro onde se denotam muitos pormenores e descrições culturais, onde foi buscar a inspiração para este livro?

Sou um curioso por seres humanos e culturas “diferentes” da minha. Tento compreender as suas crenças, filosofias, rituais e formas de pensamento. Após alguns anos de estudo e pesquisa, senti-me confortável para incluir alguma dessa informação no enredo da história. Com o passar do tempo, as histórias dos personagens e o mundo onde vivem foram fundindo-se naturalmente e acabaram por ganhar a forma daquilo a que hoje tenho o orgulho de chamar o meu primeiro romance. A inspiração surge quando temos paixão por um assunto ou área específica. Depois é escrever, escrever, escrever!

 

 

L.V.- Quais têm sido as reacções face à temática abordada? Até porque não é um tema muito comum, pelo menos na literatura nacional. O que o fez escrever sobre a indústria farmacêutica? Resumindo, como surgiu toda a trama?

As reações têm sido agradavelmente intensas. Tenho recebido imensas opiniões pessoalmente e por e-mail. Felizmente, a maioria são opiniões carregadas de entusiasmo e emoção. O meu maior receio seria que esta história passasse indelével aos olhos e corações dos leitores, mas não é o caso. As pessoas que o leem manifestam as suas opiniões sobre a temática principal do livro e tenho-me sentido surpreso por haver tanta gente interessada na temática das farmacêuticas e na cultura oriental.

Ao “estudar” o ser humano, acabei, naturalmente, por chegar à temática da saúde e do bem-estar. O que é “ter saúde” ou “sentir-me saudável” na nossa cultura? Como podemos medir o grau de felicidade e realização pessoal dos seres humanos?

Esta busca levou-me ao estudo e pesquisa de muitos tipos de terapêuticas modernas e outras mais antigas e não tão convencionais, aquilo a que chamamos de “medicinas alternativas”. Nesta viagem, percebi também que o negócio das farmacêuticas é o quarto ou quinto maior negócio do mundo, segundo as estatísticas que encontrei na altura. Assim sendo, continuei a estudar o assunto e percebi que há pouco interesse financeiro em criar um sistema farmacêutico/médico que seja acessível a todos e que possa realmente ajudar os seres humanos a terem uma saúde mais equilibrada e permanente.

Aquilo a que hoje é chamado de “negócio da saúde” é, na minha opinião, um verdadeiro “negócio da doença”. Não quero com isto dizer que todos médicos e farmacêuticos sejam más pessoas (risos!!!). Pelo contrário. O meu pai é médico e é um excelente profissional, verdadeiramente preocupado com o bem-estar dos seus pacientes. Conheço inúmeros médicos, enfermeiros e farmacêuticos que têm como missão de vida ajudar os outros. Não estou a pôr isso em causa.

No entanto, as leis do mercado, os biliões que esta indústria produz e faz circular e os negócios que os grandes decisores têm oportunidade de fazer, minam e condicionam a possibilidade de se criar medicamentos mais saudáveis e sem efeitos colaterais para todos os seres humanos. E isto não é teoria da conspiração. Com a tecnologia disponível hoje em dia, os conhecimentos que já temos sobre saúde e bem-estar e com a facilidade de comunicação (veja-se a internet!!!) e transporte de mercadorias de um lado para o outro no planeta, é ridículo que ainda haja gente a morrer à fome e com doenças que já foram erradicadas em certos países e regiões do mundo.

Por isso mesmo, decidi abordar esta temática que tanto me interessa, embora sinta que o mais importante em Peónia Vermelha sejam os seus personagens e as suas ligações humanas, as histórias de amor e desencontro que vão revelando o enredo passo após passo.

 

 

L.V.- Qual foi a sua intenção ao escrevê-lo? Teve alguma intenção específica, ou puro lazer e gosto pela escrita?

A principal intenção foi escrever uma boa história em que personagens interessantes se envolvessem num tempo e num espaço bem descrito. Para este enredo funcionar e me conseguir manter focado e motivado para escrever uma história de início ao fim com tantas páginas (583!!!) precisaria de abordar temáticas que me interessassem. E foi o que fiz! Peguei em temas e informação que esvoaçava no meu espírito há algum tempo e decidi organizar tudo numa história.

Gosto de ler romances que me ensinem algo de real, que tenham algo de “educativo”. Dessa forma, inseri alguma informação verdadeira na ficção. No entanto, o meu objetivo principal é contar uma boa história e fazer o leitor perder-se de si mesmo quando pega no livro até o fechar. O meu objetivo principal é fazer com que o leitor olhe para o relógio e veja que são 4h da manhã, deixá-lo no dilema se deva ou não pousar o livro para dormir, mesmo tendo que levantar-se às 7h.

 

 

 

L.V.- Acredita que aquilo que escreveu acontece actualmente? Que é uma realidade?

 

Não é uma questão de acreditar. É uma questão de pesquisar e estudar o assunto. Não digo que acontece exatamente o que escrevi no Peónia Vermelha, pois isso foi criado por mim. No entanto, os testes de novos medicamentos desenvolvidos por farmacêuticas passam por várias fases, nomeadamente a fase de teste em seres humanos, antes de entrarem no mercado. Estas fases estão sujeitas a grandes pressões financeiras por várias razões. Uma das principais é porque fica extremamente caro criar e produzir massivamente um medicamento. Então, para que a corporação farmacêutica não fique em risco sempre que cria um novo produto, tem de agilizar todo o processo. Dessa forma tentam tornar a fase de testes o mais rápida e barata possível para que o produto entre mais rapidamente no mercado e comece a dar lucro logo que possível.

Compreende onde quero chegar? Invariavelmente, as grandes corporações farmacêuticas que investem milhões de euros na criação e desenvolvimento de novos medicamentos, vão querer o retorno desse investimento e o maior lucro possível. Então desenvolvem novos produtos e testam-nos nos chamados países de “terceiro mundo” para que seja mais rápido, barato e, caso haja algum problema, possa ser mais facilmente “resolvido”. E acredite em mim, isto não é conspiração. É factual. Se quiserem saber um pouco mais sobre o processo podem ver o filme “O Fiel Jardineiro” que também aborda esta temática.

É por isso que algumas farmacêuticas retiram os medicamentos de circulação após um ano ou dois, ou meses até, de vendas. As principais razões costumam ser problemas causados por esses mesmos medicamentos. A principal causa costuma ser uma fase de testes acelerada ou sob pressões financeiras para que o medicamento fosse aprovado e começasse a ser vendido rapidamente. No final, quem sofre as consequências são sempre os pacientes.

 

 

L.V.- Há mais livros para sair da gaveta? Se sim, dentro do mesmo género?

 

Sim, claro! Novas ideias, novos projetos e novas histórias. Dentro do mesmo género, mas abordando temáticas diferentes. No entanto, é cedo para falar deles.

 

L.V.- Como se sentiu ao ver o seu livro alvo de opinião no blogue?

Desde Agosto passado que tenho tido vários blogues a comentar sobre Peónia Vermelha e a publicar entrevistas que me fizeram. Tem sido uma experiência interessante. Ver Peónia Vermelha no Livros de Vidro é sempre um orgulho.

 

L.V.- Por fim, quer deixar alguma mensagem a quem nos segue?

 

Gostava de agradecer a vossa simpatia e disponibilidade para ler e comentar o meu primeiro romance. É sempre um prazer ter a nossa obra partilhada por bloguers que fazem um trabalho tão interessante como o Livros de Vidro.

Se me permitem, queria também deixar aqui uma novidade. Estão abertas as inscrições para “O Meu Primeiro Romance” que é um curso de escrita criativa que irei orientar em parceria com a Chiado Editora de março a dezembro de 2017. O objetivo será cada um dos participantes desenvolver os recursos necessários para a elaboração de um romance e chegar ao final do ano com uma obra pronta ou muito próximo disso. O melhor trabalho será premiado com publicação totalmente gratuita na Chiado Editora, mas o que interessa acima de tudo é que ao longo destes dez meses de curso possamos desenvolver competências de escrita e uma amizade entre todos os participantes. Vamos tentar despertar o escritor que há em cada um de nós porque todos temos uma história (no mínimo!!!) para contar!

Para mais informação sobre este curso, poderão escrever-me para o e-mail andredeoliveiraescritacriativa@gmail.com 

             Muito grato ao Livros de Vidro e a todos os que tiraram algum tempo para ler esta entrevista.

 

 

 

EGO EDITORA

 

LV - Estamos sensivelmente a meio do ano de 2016, e eis que surge no panorama editorial nacional mais uma editora – de entre todas as que têm surgido nos últimos tempos. De onde surge esta ideia? Quem é a Ego Editora?

A Ego nasceu da vontade de marcar a diferença no panorama editorial português, onde os novos escritores têm apenas duas hipóteses: tentar editar numa editora grande, que só dá oportunidades a muito poucos, ou pagar a própria edição numa editora mais pequena.

Nós quisemos dar oportunidade aos novos escritores, que escrevem com qualidade e com um estilo próprio, sem lhes cobrar nada por isso, e apoiando-os, de forma a poderem crescer como escritores.

 

LV - Como é que se concretiza um projecto editorial num país cada vez mais pejado de editoras?

Nascemos porque acreditamos que podemos fazer algo diferente das outras editoras, que já estão no mercado há muito tempo. A verdadeira marca de cada livro é o seu escritor, daí que, se somarmos a qualidade dos jovens talentos nacionais à nossa vontade e garra de trabalhar, penso que poderemos atingir resultados muito positivos.

 

LV - Afirmam que na Ego os autores não têm encargos com a edição. É mesmo assim? Não existem quaisquer valores a ser suportados pelo autor?

Não existem, de todo. Entendemos, tal como a maioria das editoras tradicionais, que os escritores não têm que ser ricos para ver os seus trabalhos publicados. Seria uma perda cultural imensa se apenas os escritores com posses para pagar a sua edição fossem publicados. Quantos e quantos escritores brilhantes teriam deixado de publicar as suas obras se tivessem que ser eles a pagar o investimento?

 

 

LV - Descrevam-nos os vossos serviços. O que têm a oferecer que garanta aos autores um serviço que se destaque dos demais oferecidos e ao dispor no mercado? O que vos destaca?

Desde logo, fazemos um trabalho técnico muito dedicado, e sempre com a participação do escritor. Seja na revisão, na edição, paginação ou capa, o escritor é sempre chamado a dar a sua opinião. Vemos o trabalho de edição como um trabalho de equipa. Temos os nossos métodos, a nossa linha editorial e gráfica, mas nem por isso deixamos de levar em conta a opinião e contributo dos escritores, pois eles são a peça fundamental de qualquer edição.

 

 

 

LV - Como diz a sabedoria popular “quando a esmola é muita o pobre desconfia”, como conseguem editar sem custos para o autor? E, naturalmente, apresentando qualidade.

 

Não é nada de novo, e se olharem para editoras que temos como referência, tais como a Tinta da China ou a Marcador, verão que também nenhuma delas cobra ao escritor. Aquilo que fazemos é selecionar muito bem os manuscritos a editar e depois fazemos o investimento na impressão dos exemplares, tal como as editoras que referi e tantas outras. Depois, o nosso ganho, e o dos escritores, vem da venda dos livros. Como existe muita concorrência no mercado dos livros, o segredo está em selecionar bem as obras a editar, de forma a garantir que o público se vai identificar com elas e as vai querer adquirir. Esta é a forma tradicional de editar. Só há alguns anos atrás surgiram no mercado as editoras que cobram aos escritores pela edição, porque deram conta de que existiam muitos escritores que as editoras não conseguiam abarcar (ou não queriam, por falta de qualidade ou de calendário), que tinham vontade de editar e que estavam dispostos a pagar, se isso lhes abrisse a porta à publicação dos seus textos. Não há nada de errado nesta forma de trabalhar, mas não é a nossa.

 

LV - Qual o vosso tempo médio de resposta na análise de uma obra?

Depende da afluência de trabalho. Mas o normal será entre uma semana a um mês.

 

LV - Mesmo que a resposta seja negativa, transmitem-na?

Sim, claro.

 

LV - Sendo os custos suportados por vós, qual o papel do autor na edição? Ou seja, tem um papel activo, como por exemplo na escolha da capa e título?

Trabalhamos em equipa com os escritores e, por isso, levamos em conta os seus contributos e as suas indicações. São eles quem melhor conhece os seus textos, daí que seja importante perceber o que pretendem. Seja na definição do título, de alterações que nos pareçam necessárias ao texto ou na capa, ouvimos sempre as suas opiniões.

 

 

LV - Como é feito o vosso acompanhamento ao autor? Há sessão de lançamento organizada por vós?

Acompanhamos os nossos escritores desde o dia em que selecionamos os seus textos para edição. Reunimos várias vezes ao longo do processo de edição e, depois do livro impresso, organizamos várias sessões de lançamento e de apresentação, em livrarias e locais públicos, onde os apresentamos ao público e falamos um pouco das suas obras. Nos lançamentos não deixaremos os escritores sozinhos – estará sempre o editor que trabalhou com eles ao seu lado na mesa a apresentá-lo.

 

LV - E, o que preocupa a maioria dos autores – pelo menos aqueles que já passaram por um processo de edição -, como é/será o vosso acompanhamento às obras/autores após o lançamento? Qual será o vosso método?

Como já referimos, o nosso processo de edição é feito em equipa, com os nossos revisores, editores, designers e, claro, escritores.

Após a edição, inicia-se o processo de comercialização, distribuição e apresentação do livro. Temos um foco especial na comercialização online, através do qual conseguimos chegar a todo o mundo e selecionamos, em conjunto com os escritores, um conjunto de livrarias de referência onde agendamos sessões de apresentação dos livros. Nestas sessões, para além da normal venda dos livros, os escritores podem contactar com o seu público, algo extremamente importante neste mercado.

 

 

 

LV - Garantem a edição em que formatos? Papel? E-book?

Sim, papel e ebook.

 

LV - A vossa distribuição garante que os livros chegarão às grandes e pequenas livrarias e superfícies comerciais?

Os nossos livros chegarão até onde existirem interessados na sua aquisição. Seja uma livraria ou um particular, onde alguém nos comprar um livro, ele irá até lá.

Quem está por dentro da edição livreira e conhece o panorama nacional nesta matéria, apercebe-se que cada vez mais surgem pseudo-editoras. Dizemo-lo desta forma uma vez que temos assistido ao aparecimento de autores desgostosos com a forma como são tratados, como as suas obras são desconsideradas e de como acabam abandonados após assinarem contratos em tudo pouco favoráveis e até incumpridos pelas “editoras”. Editoras estas que editam sem critério e sem atender ao conteúdo e à sua força no mercado ou capacidade de ser aceite pelos leitores. Sem mencionar os valores exorbitantes praticados.

 

LV - Questionamos, são mais uma editora/gráfica? Ou vieram para revolucionar o mercado?

Conforme já explicámos, o nosso conceito reside na seleção criteriosa de manuscritos de excelência, escritos pelos novos talentos da literatura nacional, aos quais damos todo o acompanhamento desde o início até ao final. Não cobramos absolutamente nada ao escritor pela edição nem o obrigamos a adquirir nenhum pacote dos seus próprios livros - pelo contrário, oferecemos sempre dois exemplares do livro ao escritor.

 

 

LV - Estamos ainda curiosos para saber, dirão a verdade aos autores? Conseguirão essa isenção e imparcialidade? Há esse compromisso de frontalidade?

Somos pessoas naturalmente frontais, e só assim se consegue estar à frente de uma empresa, seja ela de que área for.

 

LV - Onde esperam chegar com este projeto?

Somos pessoas ambiciosas. Iremos até onde a qualidade do trabalho dos nossos escritores e a nossa nos permitir. O público é que vai julgar o nosso trabalho, mas penso que poderemos vir a ser uma referência nacional.

 

 

LV - Compartilham da nossa opinião de que há por aí bons escritores, desconhecidos, em língua portuguesa que não estão bem orientados e “aproveitados”?

Sim, claro. E já temos encontrado alguns. Fazemos muita pesquisa online, em blogues e sites e, quando deparamos com alguém que sabe escrever, entramos em contacto. Há muitos talentos escondidos, há espera apenas de uma oportunidade.

 

 

LV- A Ego tem género literário definido ou preferencial?

Na Ego estamos abertos à edição de qualquer género literário, sejam livros de saúde, de ficção, poesia, infantis ou juvenis, de culinária ou viagens, entre tantos outros.

O que procuramos, mais do que um género específico, é um estilo de escrita moderno, trabalhado, em que o escritor domine por completo a arte da escrita. Dá muito trabalho encontrar o que procuramos mas sabemos que a qualidade existe e queremos encontrá-la.

Por vezes, quando recusamos um manuscrito para edição, isso não quer dizer que ele não tenha qualidade – o que quer dizer é que não está escrito de uma forma que corresponda à nossa linha editorial, isto é, não tem o estilo literário que gostaríamos que tivesse. Existem muito bons escritores no mercado, mas nem todos se encaixam na nossa linha editorial.

 

LV - A vossa equipa está apta a abraçar aquele que pode ser o projeto do ano a nível editorial, no sector livreiro?

Começamos com os pés bem assentes no chão. Sabemos que é um mundo difícil, altamente concorrencial e com margens de lucro muito reduzidas. Mas estamos dispostos a prestar um nível de serviço a novos escritores a que só os consagrados têm acesso nas maiores editoras nacionais. Esperamos que esse reconhecimento exista e que nos permita sonhar em conquistar o nosso lugar no mercado nacional.

 

 

LV - Têm noção que serão alvo de muitos olhares, críticas e pressões devido ao tipo de produto que oferecem, estão preparados para mostrarem que estão para ficar?

Qualquer empresa que trabalhe para o público está sujeita à sua apreciação. Sabemos que não somos perfeitos e estaremos sujeitos às críticas. Encaramos isso com normalidade e queremos utilizar sempre as críticas como forma de crescer e melhorar.

 

 

LV - Que garantias dão aos autores e aos futuros leitores?

 

A única garantia que podemos dar é de trabalho e dedicação. Não podemos prometer coisas que não dependem de nós.

 

 

LV - Por fim, querem deixar alguma mensagem a quem nos segue?

 

A Ego veio para ficar e contamos com todos para que a literatura nacional tenha um reconhecimento cada vez maior. Os escritores são a peça mais importante deste puzzle, mas depois precisamos de leitores, pois sem eles nada disto fará sentido. Esperamos chegar a todos.

Deixamos, desde já, o nosso agradecimento à Ego Editora pela confiança e pela parceria estabelecida.

Contactos:

Site: www.egoeditora.com/

Facebook:  www.facebook.com/EGO-Editora

 

 

 

EDITORA LIVROS DE ONTEM

 

 

 

LV - Em 2015, surge no panorama editorial nacional, com maior destaque, uma editora com um conceito completamente diferente. De onde vem esta ideia? Quem é a Livros de Ontem?

O surgimento da Livros de Ontem remonta a 2012. Na altura, estava ainda na faculdade e sentia-me frustrado pela dificuldade, enquanto autor, de conseguir encontrar uma editora disposta a avaliar o meu trabalho enquanto escritor. Tinha terminado a escrita do meu primeiro livro e depressa percebi que o mercado não estava preparado para acolher o trabalho dos novos autores. Pesquisei muito e contactei outras pessoas que estavam na mesma situação que eu e consegui identificar o problema: as editores portuguesas, de uma forma geral, estão orientadas para a publicação de best sellers internacionais, livros que já provaram a sua viabilidade noutros mercados e que, portanto, têm um risco muito reduzido. Simplesmente, não havia canais de descoberta e publicação de novos autores.

A Livros de Ontem surge para resolver este problema. Somos uma editora especializada em descobrir e publicar novos autores de língua portuguesa. Formamos e lançamos no mercado os autores que, no futuro, vão ter uma importância inquestionável no panorama cultural português.

Com esta ideia vencemos vários prémios, nomeadamente, o Prémio Melhor Ideia de Negócio 2012 FCSH-Santander-Totta e a primeira edição do The Next Big Idea.

A equipa fundadora é composta por mim, João Batista, que desempenho as funções editor e pela Nádia Amante, designer.

 

LV - Como é que se concretiza um projecto editorial num país cada vez mais pejado de editoras?

 

A ideia de que existem demasiadas editoras pode não corresponder totalmente à realidade. Acredito que há espaço para toda a gente desde que os projectos tenham originalidade e identidade própria. Não consigo conceber a ideia de que há demasiadas editoras quando conheço centenas de novos autores a quem, simplesmente, é negado um espaço no mercado em condições dignas. Há muitas editoras a tentar fazer o mesmo, a querer publicar os mesmos livros e os mesmos autores e isso deixa uma fatia do mercado que não está explorada. É aí que a Livros de Ontem se posiciona. Publicamos os autores que mais ninguém tem coragem de publicar, publicamos géneros que todos acham que não vendem e adoptamos estratégias inovadores que passam ao lado de um mercado adormecido.

Em suma, o nosso espaço no meio editorial está a ser construído de forma sustentável através da inovação que estamos a conseguir introduzir num sector ainda muito tradicional. Quando há um compromisso de qualidade, inovação e transparência, os resultados aparecem de forma natural.

 

LV - Como surgiu a ideia e a possibilidade do Crowdpublishing?

O Crowdpublishing é a identidade da Livros de Ontem e o modelo de publicação que nos diferencia no mercado. É muito mais que uma estratégia de financiamento ou venda, é uma forma de estar na publicação de livros que permite mais transparência no processo, mais envolvimento dos leitores e mais exposição mediática para os autores.

A ideia surgiu em 2012, ainda antes da fundação da editora. A Livros de Ontem foi o segundo projecto em Portugal a ser financiado em Crowdfunding. Achámos a experiência tão poderosa e interessante que desenvolvemos o Crowdpublishing e incluímos a ideia do financiamento colaborativo na identidade da editora. A partir daí, todos os nossos livros começaram a ser apresentados ao público através do nosso canal exclusivo dentro da plataforma PPL e o resultado foi fantástico: 100% de eficácia, nunca falhámos nenhuma campanha.

O Crowdpublishing é um modelo muito importante para nós porque nos aproxima dos leitores e garante a sustentabilidade de todos os nossos livros.

 

 

LV - Descrevam-nos os vossos serviços. O que têm a oferecer que garanta aos autores um serviço que se destaque dos demais oferecidos e ao dispor no mercado? O que vos destaca?

 

 

A Livros de Ontem oferece aos seus autores todos os serviços tradicionais de uma editora. Começamos pela revisão e edição dos originais, passamos pela paginação e design de capas, desenvolvemos toda a estratégia de marketing, fazemos a apresentação e lançamento e garantimos que as obras chegam ao mercado e aos leitores. Em todo este processo, os autores são vistos como parceiros e todas as suas opiniões e desejos são tidos em conta sem que tenham de fazer qualquer investimento financeiro.

O que mais nos diferencia no mercado é a qualidade dos livros que publicamos que são totalmente diferentes de tudo o que está no mercado. Temos uma linha editorial bem definida e sabemos que tipo de livros procuramos. Distingue-nos também a qualidade gráfica do nosso trabalho e dos materiais que utilizamos. Os nossos livros são objectos de colecção, fazem parte de tiragens limitadas, são assinados e numerados. Para além disto, quem adquire o livro via Crowdpublishing pderá ver o seu nome impresso na última página como forma de agradecimento.

 

 

LV -Qualquer autor pode editar por vós?

As portas da Livros de Ontem estão sempre abertas a todos os escritores que queiram ver as suas obras publicadas. Temos um endereço de email exclusivo para este fim (originais@livrosdeontem.pt). No entanto, os livros que publicamos passam primeiro por uma triagem muito apertada e apenas chegam às prateleiras os autores que cumprem os nossos critérios de qualidade. Somos muito rigorosos nesta matéria e é por isso que em 4 anos apenas publicámos cerca de 25 livros. Por outras palavras, aceitamos todas as candidaturas, mas apenas trabalhamos com os melhores.

Procuramos originais de qualidade, com uma escrita cuidada e elaborada e que ofereçam aos leitores uma possibilidade de desenvolvimento intelctual. Também só trabalhamos com autores empenhados em desenvolver uma carreira séria e de longo prazo.

 

LV - Qual o vosso tempo médio de resposta na análise de uma obra?

Este tema é uma prioridade para nós e estamos, de momento, a trabalhar para oferecer um serviço de resposta aos autores da melhor qualidade possível. Infelizmente, actualmente não somos tão expeditos quanto gostaríamos. Isto deve-se ao tamanho reduzido da nossa equipa e à enorme quantidade de solicitações que recebemos todos os dias.

 

LV - Mesmo que a resposta seja negativa, transmitem-na?

Tentamos sempre dar uma resposta a todas as pessoas que nos contactam por qualquer via que tenhamos disponível. Mesmo quando a resposta é negativa, enviamos sempre uma mensagem a transmitir a recusa e oferecemos os nossos serviços para voltar a analisar futuros trabalhos. Adicionalmente, para demonstrar a nossa gratidão pela preferência e para incentivar futuros trabalhos, oferecemos ainda 20% de desconto na compra do módulo introdutório do Curso de Escrita Criativa que tem, originalmente, o valor de 9,90€.

 

 

LV - Os autores têm um papel activo, como por exemplo na escolha da capa e título?

A nossa prioridade é envolver o autor em todos os aspectos da publicação de uma obra. O autor não é chamado a fazer qualquer investimento financeiro, mas tem de fazer um investimento substancial de tempo e esforço. O livro pertence, em primeiro lugar, ao autor e ele tem de estar confortável com os todos os aspectos da obra. A revisão final é sempre aprovada pelo autor, assim como a paginação e a capa. A campanha de Crowdfunding conta com uma grande dose de divulgação do autor e até o local do lançamento é negociado com o escritor. Em todo este processo, nós não obrigamos o autor a nada, apenas damos as nossas sugestões que são validadas pela experiência que temos.

 

LV - Como é feito o vosso acompanhamento ao autor? Há sessão de lançamento organizada por vós?

A partir do momento em que o autor assina contrato com a editora, a nossa equipa passa a estar disponível para ajudar em tudo o que for necessário. Os contactos são directos e imediatos e os autores são convidados a participar em todas as nossas iniciativas. Temos uma Livaria-Café, em Benfica, onde os autores podem estar, conviver e organizar eventos. Fazemos um acompanhamento e um aconselhamento para toda a carreira. O lançamento é, obviamente, uma parte integrante deste nosso trabalho.

 

LV - Garantem a edição em que formatos? Papel? E-book?

 

Essencialmente, garantimos a publicação em papel. Estamos, de momento, a trabalhar na criação do nosso canal de distribuição de E-books e, futuramente, iremos apostar fortemente nesta realidade.

 

 

LV - A vossa distribuição garante que os livros chegarão às grandes e pequenas livrarias e superfícies comerciais?

Temos um canal de distribuição perfeitamente desenvolvido que permite que os nossos livros estejam disponíveis em todas as livrarias do país. Adicionalmente, apostamos muito na venda directa através dos nossos próprios canais. Temos um site com loja on-line e enviamos para todo o mundo. Acreditamos que, cada vez mais, o nosso futuro passará pelo ecommerce.

Quem está por dentro da edição livreira e conhece o panorama nacional nesta matéria, apercebe-se que cada vez mais surgem pseudo-editoras. Dizemo-lo desta forma uma vez que temos assistido ao aparecimento de autores desgostosos com a forma como são tratados, como as suas obras são desconsideradas e de como acabam abandonados após assinarem contratos em tudo pouco favoráveis e até incumpridos pelas “editoras”. Editoras estas que editam sem critério e sem atender ao conteúdo e à sua força no mercado ou capacidade de ser aceite pelos leitores. Sem mencionar os valores exorbitantes praticados.

 

LV - Questionamos, são mais uma editora/gráfica? Ou vieram para revolucionar o mercado?

Acredito que já vai sendo altura se analisar esta questão de forma fria e objectiva. Cada editora tem o seu modelo de publicação, a sua linha editorial, a sua forma de trabalhar e os seus objectivos. Não devemos fazer julgamentos de valor neste campo. Os vários modelos de negócio existem e têm o seu valor nas circunstâncias para as quais foram criadas. O papel principal, aqui, deve ser desempenhado pelo autor. É fundamental que, antes de enviar originais para todo o lado e assinar a primeira proposta que surgir, faça uma pesquisa aprofundada sobre o modelo de funcionamento de cada editora. Cada escritor tem objectivos de publicação diferentes, devem procurar a editora que melhor os sirva.

A Livros de Ontem diz muito claramente o que é e o que pretende. Não somos uma editora/gráfica nem uma vanity press. Somos uma crowdpublisher que tem o objectivo de descobrir e publicar novos autores. Temos a dimensão adequada para uma editora com 4 anos e os meios adequado. Temos uma forma revolucionária de publicar livros e procuramos os autores que estão dispostos a assumir uma atitude proactiva neste processo. Somos jovens, empreendedores e não temos medo de arriscar quando os autores percebem que somos companheiros de viagem, não inimigos.

 

LV - Estamos ainda curiosos para saber, dirão a verdade aos autores? Conseguirão essa isenção e imparcialidade? Há esse compromisso de frontalidade?

 

Claro que sim, funcionamos com base na frontalidade. Só publicamos o que consideramos ter a qualidade da Livros de Ontem. De outra forma, estariamos não só a defraudar as expectativas do nosso público como também do próprio autor. No entanto, não acreditamos em livros bons e livros maus. Quando avaliamos uma obra, fazemos um juízo baseado naquilo que nós procuramos para o nosso catálogo. Recusar uma publicação não significa que ela seja má, simplesmente que não está alinhada com o nosso catálogo e com a procura do nosso público. É fundamentel que os autores comecem a pesquisar mais sobre os públicos-alvo das editoras e as suas linhas editoriais.

 

LV - Compartilham da nossa opinião de que há por aí bons escritores, desconhecidos, em língua portuguesa que não estão bem orientados e “aproveitados”?

 

Perfeitamente! Essa é, aliás, a razão de ser da Livros de Ontem. Nós existimos para descobrir os novos autores que não conseguem penetrar no mundo tradicional das editoras. Dizemos sempre que os grandes autores também começaram pequenos e desconhecidos. É preciso quem dê a mão aos novos escritores e os ajude a atravessar o deserto.

 

LV - Têm género literário definido ou preferencial?

 

Não temos géneros definidos nem colecções. Publicamos de tudo desde que tenha qualidade e seja um livro de um novo autor de língua portuguesa. Por novo autor entendemos um escritor que esteja a começar a sua carreira e que não tenha acesso privilegiado ao mercado. O nosso catálogo é composto por géneros tão variados como poesia, romance, conto, crónica, livro técnico, entre outros.

 

LV - Como tem sido a recepção por parte dos leitores aos vossos livros?

 

A recepção tem sido fantástica. Todos os leitores e autores adoram o reultado final e a qualidade dos livros. Tem sido fantástico assistir a um crescimento da base de leitores que participa na publicação dos livros via Crowdpublishing e, desde que chegámos às livrarias, a resposta tem sido fantástica. Temos, recorrentemente, livros em destaque nas maiores livrarias do país de forma espontânea.

 

LV - Por fim, querem deixar alguma mensagem a quem nos segue?

Quero deixar uma mensagem de agradecimento a todos os leitores que seguem os blogues literários portugueses. Para as pequenas editoras e para os novos autores é fundamental que os blogues comecem a crescer e a profissionalizar-se, pois são um canal privilegiado para a divulgação dos trabalhos e das carreiras. A Livros de Ontem tem feito um trabalho importante a este nível, através de inúmeras parcerias com bloguers, iniciativas direccionadas para este grupo, o programa Guest Bloguer, entre outros. Para que o mercado livreiro português possa crescer, os bloguers têm de assumir um papel de destaque e a Livros de Ontem cá estará para ajudar no que for necessário.

Deixamos, desde já, o nosso agradecimento à Livros de Ontem pela confiança e pela parceria estabelecida.

Visitem o site: livrosdeontem.pt

 

 

DUD@ AUTORA DE

ELFANOS - O LEGADO

 

 

Livros de Vidro - Diga-nos, quem é Dud@?

Duda -cA Dud@ é uma jovem que ambiciona ser escritora.

 

LV-Sabemos que “Elfanos” não é o seu primeiro livro, conte-nos mais sobre a sua aventura no mundo da escrita.

D- Sim, “Elfanos” não é o primeiro; o primeiro foi “Campus Thomas – Mudança Indesejada”, editado em 2012. Infelizmente, não foi uma experiência boa mas, não me arrependo de a ter realizado. Apesar de tudo, aprendi muita coisa com essa edição.

 

LV-Onde foi buscar a inspiração para este livro, Elfanos?

D-Normalmente, as minhas ideias surgem naturalmente, a partir de alguma coisa que me aconteça e que me faça pensar. No caso de Elfanos, foi uma queda que dei na herdade dos meus avós paternos. Eu andava a correr por lá, entre as árvores, e sei que me assustei com qualquer coisa. Fugi, acabei por cair e comecei a imaginar motivos pelos quais estaria a correr, cheia de medo. Pouco tempo depois, tinha uma base do que queria que fosse Elfanos.

 

LV-Como tem sido a aceitação desta mais recente aventura?

D-Por agora, parece-me que tem sido boa. Pelo menos, tendo em conta as opiniões que me têm chegado.

 

 

LV-Considera as críticas uma forma de crescimento? Uma forma de ir aprendendo e apreendendo novos pontos de vista e perspectivas?

D- Essa pergunta já me é familiar. É claro que acho as críticas fundamentadas uma forma de crescimento. Todas as outras, não vejo qual o proveito delas. “Não gosto porque não”, “gosto porque gosto”, vale para alguma coisa?

 

LV-Que balanço faz da opinião dos leitores?

D-Por agora, há uma opinião positiva.

 

LV-O que lhe trouxe este livro?

D-Felicidade, porque é uma parte do sonho realizado.

 

 LV-Como descreveria o livro “Elfanos”?

D-“Elfanos” é uma grande aventura que ainda agora começou.

 

 LV-O que pensou ao ver-se criticada em LIVROS DE VIDRO?

D- Quando propomos o nosso livro para crítica, temos de estar preparadas para tudo. E, tal como disse anteriormente, desde que haja fundamento, por mim, tudo bem.

 

LV- Por fim, o que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

D- Pode tentar a sorte nos passatempos que ando a fazer com alguns blogues, incluindo o Livros de Vidro, ou então adquiri-lo em qualquer Bertrand.

 

 

 

NUNO NEPOMUCENO - TRILOGIA - ESPIÃO PORTUGUÊS

 

L.V. - Diga-nos, quem é Nuno Nepomuceno?

 

N.N. - Tenho 37 anos. O Espião Português, o meu primeiro livro, venceu o Prémio Literário Note! em 2012. Foi reeditado no início de 2015, ano em que apresentei ainda a segunda parte da trilogia Freelancer, A Espia do Oriente. Estou a preparar o lançamento do terceiro e último volume e sou ainda autor do conto «A Cidade», incluído na colectânea Desassossego da Liberdade.

 

L.V. - Porque começou a escrever?

 

N.N. - Essencialmente, porque gosto de ler. Comecei a sentir curiosidade em como seria estar do outro lado, qual seria a sensação de criar personagens e tocar a imaginação e as emoções das outras pessoas. É isso que procuro hoje em dia, transmitir uma mensagem, despoletar sentimentos.

 

 

L.V.- É licenciado em matemática, como surgem as letras na sua vida? O que o levou a escrever?

 

N.N. - Eu nunca vi a minha formação desse modo. Antes do curso que tirei, sou português e tenho a responsabilidade de utilizar e conhecer correctamente a minha língua. Aliando isso ao desejo de tocar a imaginação dos outros, assim surgiu a escrita.

 

 

L.V. - Venceu um prémio literário com o texto de “O espião português”, qual foi o sentimento ao ver o seu trabalho reconhecido e vencedor?

 

N.N. - Foi muito bom, uma alegria, diria mesmo. Não tanto pelo prémio, mas mais pela oportunidade que me foi dada, por ter conseguido garantir a publicação. Tratou-se do meu primeiro livro e nesses casos é extremamente complicado. Eu não tinha nada que pudesse apresentar antes e já andava a tentar há mais de um ano. Fiquei extremamente feliz e agradecido às três entidades envolvidas por terem escolhido o livro como o vencedor.

 

L.V. - Alguma vez imaginou que o seu primeiro livro fosse o sucesso que se tem revelado?

 

N.N. - Acho que qualquer pessoa que escreve acaba sempre por sonhar um pouco. Não vou mentir e dizer que não o desejei, mas a verdade é que, à medida que se aproximou a data de lançamento e comecei a ter um maior contacto com o meio editorial, acabei por desenvolver algum cepticismo. Não esperava tanto, ter conseguido alguns tops, como aconteceu, e mesmo com A Espia do Oriente, apesar de eu ter permanecido mais de dois anos afastado, só vejo é motivos para estar muito satisfeito com a forma como os leitores me têm acolhido.

 

L.V. - Como surgiu uma história de espionagem? O que o inspirou?

 

N.N.- É o meu género literário e cinematográfico preferido. Quando comecei a pensar a sério em tentar escrever O Espião Português, já tinha algumas imagens na minha cabeça, coisas que desejava passar a escrito. Mas nem tudo foi planeado e actualmente recorro mais a outras formas de inspiração, como músicas, imagens, ou mesmo pessoas com quem me cruzo. Por exemplo, o terceiro volume da trilogia é inspirado num discurso de guerra de Winston Churchill.

 

L.V.- Depois de “O espião português”, surgiu “A espia do Oriente”, como tem sido recebida esta segunda aventura?

 

N.N.- Muito bem, felizmente. A Espia do Oriente ultrapassou rapidamente as vendas da reedição de O Espião Português, que por si só já tinha corrido bastante bem. E o retorno que me tem chegado da parte dos leitores aponta sobretudo para a evolução que eu fiz de um volume para o outro. Enquanto autor, não poderia desejar mais.

 

L.V.- Quando nos deparamos com a sua escrita e a aventura que nos conta, sentimos que não fica nada atrás de renomados escritores internacionais. Sente que tem sido reconhecido e aceite enquanto escritor de ficção?

 

N.N.- Ainda é algo cedo para falar em reconhecimento. O que eu desejo fazer com a minha carreira é um percurso, ou seja, continuar a publicar o meu trabalho e conseguir o respeito dos leitores de forma gradual. O que vier por acréscimo, será bem recebido.

 

L.V. - Em Portugal, os índices de leitura e leitores não é dos mais elevados, que razões aponta para tal? Sente que algo está a mudar?

 

N.N.- Não, penso que, infelizmente, houve até algum retrocesso nos últimos anos. A crise económica pela qual temos vindo a passar tem deixado alguns sulcos no mercado livreiro. Algumas pessoas passam por sérias dificuldades e o livro é, pelo menos no meu caso, uma fonte de lazer. Por outro lado, quem pode comprar, acaba por ter pouco tempo disponível, porque é forçado a trabalhar muitas horas. E há ainda as novas gerações, para quem os livros são pouco interessantes, decorrente da enorme quantidade de solicitações de que são alvo hoje em dia.

 

L.V.- Como se sente ao ser considerado um “autor revelação”? Há o peso da responsabilidade?

 

N.N.- Não muito. Como venci um prémio literário para primeiras obras, é natural que as pessoas me vejam assim, mas a pressão é apenas relativa. Claro que sinto alguma responsabilidade. Tendo estado associado à Sonae no passado, não sendo já um novato e, como tal, com leitores fidelizados, não posso encarar o meu trabalho futuro de ânimo leve. Uma coisa que desejo é não defraudar as expectativas que são colocadas sobre mim, mas tento não me deixar condicionar por isso. Escrevo porque gosto e isso deve deixar-me feliz e não o contrário.

 

L.V.- Os cenários das suas aventuras de espionagem vão variando dando-nos sempre informações precisas para que nos situemos. Como se prepara?

 

N.N.- Com muita pesquisa, quer visitando as cidades que escolho, ou recorrendo a guias de viagem e outro tipo de imprensa especializada. É fundamental para mim. Por exemplo, quando estive em Budapeste, cheguei à noite, e assim que me instalei no hotel, abri as cortinas e vi a Ponte das Correntes, pensei de imediato que tinha de colocar o André ali. E esse pequeno pormenor foi suficiente para inspirar todo o segundo volume. A Espia do Oriente está construído a pensar nisso.

 

L.V.- O que pensou ao ver-se criticado em LIVROS DE VIDRO?

 

N.N.- Fiquei um pouco surpreendido, porque não estava à espera. E vocês foram extremamente simpáticos comigo, portanto, não tenho nada a comentar, além de vos agradecer.

 

L.V.- O que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

 

N.N.- Que o façam sem preconceitos. Eu estou inserido no género policial, que muitas vezes é considerado menor em relação aos outros, mas há muitas pessoas que depois de o experimentarem, acabam por se deixarem cativar. Eu apenas peço o benefício da dúvida, que me dêem uma oportunidade.

 

L.V.- Por fim, onde poderão ser adquiridos os seus livros?

 

N.N.- O Espião Português e A Espia do Oriente podem ser encontrados em qualquer livraria, ou tabacaria. Estiveram inclusivamente em destaque nas duas maiores redes nacionais durante as primeiras semanas após o lançamento. Desassossego da Liberdade só através do site da Livros de Ontem.

 

 

 

 

 

LAURA ALHO - UM PARAÍSO NO INFERNO

 

 

 

 

 

 

L.V.- Diga-nos, quem é Laura Alho?

 

Laura Alho - A Laura Alho é uma mulher de 33 anos, natural de Albergaria-a-Velha, e residente na Freguesia de Santa Joana (Aveiro) há 27 anos. É formada em Psicologia, mestre em Psicologia Forense, e está a terminar o doutoramento na mesma área. É docente, formadora e empreendedora. É uma pessoa que prima pela boa-disposição e pela simplicidade. Emociona-se facilmente. Quer mudar o mundo. É amiga do seu amigo. Vive para ser feliz e fazer os outros felizes. É empenhada e dedicada a todas as causas que abraça. Acredita que há lugar para todos e que a vida é uma passagem fugaz que deve ser aproveitada. Adora conhecer pessoas novas e sente-se feliz por poder viajar de norte a sul do país para apresentar as suas obras. É humilde e não se deslumbra com o sucesso. Dá abraços a toda a gente que conhece há anos e a quem acabou de conhecer. Sou assim. E gosto de sê-lo.

 

L.V.- Porque começou a escrever?

 

Apesar de Um Paraíso no Inferno ser a primeira obra publicada, a verdade é que tenho centenas de contos escritos. Desde pequenina que escrevo histórias. Mal aprendi a escrever, comecei a criar cenários e personagens e a dar-lhes vida num diário que tinha um pequeno aloquete e uma chave, que guardava religiosamente. Mas foi na adolescência que senti necessidade de escrever “ a sério”. Fi-lo compulsivamente. E, desde então, continuo a escrever de forma ininterrupta. É um vício para mim. Se não o fizer, não consigo estar bem. E tenho um “problema”. Os personagens de Um Paraíso no Inferno vivem comigo há dez anos (desde a altura em que os criei e que escrevi o livro). Na minha cabeça, eles têm vida própria. Sei o que foram, o que são, e o que vão ser. E tenho que lhes dar continuidade. Depois, existem outros personagens que são fugazes: aparecem com um propósito, dou-lhes vida e digo-lhes adeus. Mas são todos importantes para mim. Portanto, escrever surgiu como um gosto, passou a ser uma necessidade, e agora é um grande prazer.

 

 

L.V. - O seu primeiro livro “Um Paraíso no Inferno” demorou 8 anos a sair. Porquê?

 

Na altura em que o escrevi, estava a passar por uma fase conturbada. Escrevê-lo foi o que me permitiu manter a sanidade mental e voltar a encontrar-me. Depois de concluí-lo dei uma volta significativa na minha vida e saí do estado em que estava, criando novas oportunidades para mim própria. Esteve 8 anos na gaveta até eu voltar a experienciar uma fase negativa na minha vida. Nesse momento, peguei n’ Um Paraíso no Inferno e decidi que, se foi um livro que me ajudou tanto e com o qual cresci enquanto ser humano, também poderia ser útil para outras pessoas. Decidi, então, que era a altura certa para partilhá-lo e para seguir o meu próprio sonho. E esse é um dos temas centrais do livro: dar voz aos sonhos. Acredito que haja um momento certo para tudo, e este foi o meu.

 

​L.V. - Porque diz que a história contada na sua primeira obra surgiu de um conflito pessoal? Sente-se insatisfeita por natureza?

 

Tinha 23 anos quando escrevi Um Paraíso no Inferno e estava a viver uma crise existencial. Encontrava-me num curso superior que vim a descobrir que não gostava e do qual desisti, perdi os meus avós paternos que eram um dos meus principais pilares, estava insatisfeita com o rumo da minha vida, e entrei em depressão. Fui forçada a fazer uma pausa e tentei descobrir quem realmente era, do que gostava e quais eram os meus sonhos. E depois de muito trabalhar e de ter experimentado uma série de atividades diferentes das que eu conhecia e que estava habituada, descobri que escrever a tempo inteiro me fazia feliz. Não era a única coisa, mas era aquela que mais me preenchia. E foi aí que iniciei Um Paraíso no Inferno. Foi uma experiência que mudou completamente a minha vida e, sempre que estou a apresentar a obra, partilho com as pessoas que aquilo que sou hoje deve-se a esse livro. Foi um processo de renovação e de abertura de horizontes. Segui os meus sonhos e hoje sinto-me realizada.

Não sou uma eterna insatisfeita, mas não me contento com o presente. Agradeço todos os dias pelo que tenho, pelo que conquistei, mas não gosto de estagnar. Não me acomodo. Quero sempre melhorar enquanto ser humano e tentar melhorar a vida das outras pessoas. E a cada dia, sinto-me mais satisfeita e mais motivada para continuar. Claro que, às vezes, há retrocessos e fracassos. Mas eles também são necessários para nos fazerem crescer e manter a humildade intacta.

 

L.V. - Descreve a sua escrita como tendente para o romance, ou, nesta altura da sua vida, e tendo em conta o seu percurso académico, acha que poderá adoptar outra linha?

 

Eu gosto de romances. Já escrevi contos e poemas, já escrevi  histórias de terror, artigos e publicações técnicas, mas tenho preferência pelos romances. Não aquele tipo cliché em que se pega num casal e se tece uma história em torno do amor, da paixão, e do “viveram felizes para sempre”. E atenção que não tenho nada contra esses romances, porque os leio incansavelmente. Mas no que diz respeito ao meu estilo de escrita pessoal, prefiro romances com uma parte espiritual, que incite à reflexão e que faça as pessoas pensarem nas suas vidas e  tomarem alguma ação. Gosto que as pessoas se identifiquem e achem os personagens credíveis. Claro que a minha formação tem impacto direto no que escrevo. A Psicologia permite-me conhecer a mente humana e saber do que somos capazes, e isso faz-me tornar os personagens ainda mais reais.

O meu livro mais recente, e que será lançado em Novembro, é um romance policial. Nele entram os personagens de Um Paraíso no Inferno, e surgem outros que são o reflexo direto da minha formação académica. Escrever um romance policial foi um desafio constante. Tornar simples as coisas complexas (particularmente o funcionamento da mente) foi trabalhoso. A determinada altura sentia uma relação de amor-ódio pelo livro. Mas fez-me crescer enquanto escritora, sem dúvida alguma! E não posso estar mais satisfeita com o resultado final.

 

L.V. -Está a pensar lançar um novo texto em breve? Se sim, consegue-nos desvendar algo?

 

Posso levantar um bocadinho do véu. É um policial que está na fase de edição e será lançado em meados de novembro. Uma vez mais, é um tipo de livro que contém mensagens poderosas e que vai fazer o leitor pensar e sentir um espectro de emoções. Com ele, terá oportunidade de continuar a acompanhar a história dos personagens de Um Paraíso no Inferno, assim como irá conhecer personagens novos que o vão fazer rir, sentir medo, chorar, e até querer bater-lhes. Vão desafiá-lo constantemente.

É um livro que conta muitas histórias em simultâneo, mas a principal é a história de dois gémeos que partilham uma predisposição para a criminalidade.

Envolve crimes, mistério, mitologia, e símbolos variados. A mente humana e os valores em que acredita e defende vão, com certeza, ser postos à prova! Assim que vos puder revelar mais detalhes, fá-lo-ei rapidamente – prometo!

 

Parece-nos que tem uma vida ocupada, profissionalmente. Onde vai buscar inspiração e tempo para a escrita?

 

Sou uma viciada em trabalho assumida. Com o doutoramento tem sido uma luta conciliar a investigação, com a docência, a formação, os projetos, as apresentações do livro, e a escrita. Mas uma boa gestão do tempo permite a sua rentabilização. E esse é, basicamente, o meu segredo. Depois do doutoramento, outros projetos terão início e a escrita terá um papel de maior relevo, porque terei mais tempo para me dedicar a ela.

Quanto à inspiração, ela vem de todo o lado: das vivências, da profissão, dos livros, das pessoas que nos rodeiam, da natureza, e de mim própria. Haja vontade e tudo se faz! A imaginação está sempre ativa, e ela não tem limites, verdade?

 

L.V. - O que pensou ao ver-se criticada em LIVROS DE VIDRO?

A crítica pode ter efeitos positivos ou negativos. Quando decidi publicar Um Paraíso no Inferno, soube que, a partir do momento em que as pessoas lessem o livro, ia ser alvo de comentários. Mas nunca me deixei ludibriar nem deixei que as críticas menos positivas me impedissem de continuar a fazer o que gosto. Aliás, sou a pior (ou melhor) crítica de mim mesma. Fico furiosa comigo em muitas circunstâncias, mas também me mimo quando estou satisfeita com o meu trabalho.

Absorvo todas as críticas que me dirigem e dou-lhes a máxima atenção, mas só dou valor àquelas que me podem ajudar a melhorar de alguma forma. É claro que fico satisfeita com todas as críticas positivas que recebo diariamente. Qualquer escritor, amador ou não, gosta que os leitores se sintam satisfeitos com as obras que leram. Para mim, é uma fonte de motivação e uma razão para continuar a evoluir.

Ler a crítica do LIVROS DE VIDRO encheu-me o coração. A atividade da Vanessa é absolutamente fantástica, informativa e impulsionadora. É graças a blogues desta natureza que os livros de qualquer escritor chegam a mais leitores. Portanto, da minha parte, só tenho que agradecer e ficar feliz por Um Paraíso no Inferno ter tido uma crítica tão boa, e por haver pessoas que se dignam ler e dar a sua opinião fundamentada sobre escritores amadores nacionais. Obrigada!

E fico a aguardar a crítica ao próximo livro! ;)

 

L.V. - O que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

 

De uma forma geral, aconselho a que continuem a visitar o LIVROS DE VIDRO e a acompanhar o excelente trabalho da Vanessa. Depois, dou alguns conselhos que eu própria aprendi ao longo do tempo, enquanto leitora:

  • Não avaliem o(s) livro(s) pela capa (há capas fabulosas cujo conteúdo é intragável, e há capas estranhas cujo conteúdo é fabuloso);

  • Leiam muito! Faz bem à saúde!

  • Não tenham medo de comprar livros online (e, se por ventura, o livro não vier em condições, devolvam-no imediatamente e peçam um em perfeitas condições);

  • Quando tiverem possibilidade, apareçam em apresentações e sessões de autógrafos de escritores amadores! O vosso apoio é fundamental. E só assim ficam a conhecer autores nacionais.

Finalmente, e em relação a Um Paraíso no Inferno, se vocês gostam de romances, de reviravoltas, de reflexão, e de sonhos, este é um livro que vai agradá-lo(a).  E se não gostar, diga-me porque não gostou. Tenho todo o gosto em ler e responder a todas as mensagens e e-mails dos leitores.

 

L.V. - Por fim, onde poderá ser adquirido o seu livro?

 

O livro pode ser adquirido em qualquer livraria. Se não tiver disponível no imediato, pode fazer a encomenda do mesmo. Ou, se preferir, vá diretamente a:

Chiado Editora: https://www.chiadoeditora.com/autores/laura-alho

Wook:http://www.wook.pt/product/facets?palavras=laura+alho

Fnac:http://pesquisa.fnac.pt/ia443276/Laura-Alho

Bertrand: http://www.bertrand.pt/autores/autor?id=3200099

Se quiser o livro autografado, basta pedir-mo.  Visite a página de autora (https://www.facebook.com/authorLauraAlho) ou a página do livro (https://www.facebook.com/umparaisonoinferno) e envie-me uma mensagem.
Um abraço e até breve!

 

 

 

 

 

 

Pedro Jardim autor de

"O Monstro de Monsanto" 

 

 

 

 

Nasceu em Lisboa em 1976. Chefe de Polícia, licenciou-se em Sociologia, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Estudou escrita criativa com Margarida Fonseca Santos, João Tordo e Pedro Chagas Freitas. Apesar de ter nascido em Lisboa, foi no Alentejo, desde muito novo, que o autor descobriu o prazer das artes e pela literatura. Vencedor do prémio Mais Literatura 2013, Pedro Jardim catica os seus leitores com a sua simplicidade, fazendo relembrar, a todos os instantes, as palavras de António Gedeão, de que: "o sonho comanda a vida". 

 

L.V. - Diga-nos, quem é Pedro Jardim?

 

Pedro Jardim: Olá a todos! Em primeiro lugar, gostava de agradecer à Vanessa e ao Blogue Livros de Vidro pela entrevista. Assim aproveito para vos falar um pouco sobre a minha obra. Em segundo lugar e respondendo à tua questão: quem é Pedro Jardim? Bem, sou chefe de polícia, sou sociólogo, pinto umas coisas, escrevo outras e sou pai e marido. E perguntam vocês: como consegue o Pedro conciliar todos estes papéis sociais? Ora pois bem. Poderei dizer que tudo tem a ver com aquilo que escolhemos ser, que nos faz sentir bem. Essa escolha vai, por sua vez, desdobrar-se em diferentes caminhos, que nos marcam e moldam enquanto persona. E essa persona, esse Eu, neste caso, não sabe ser, não sabe existir, se não for isso tudo. São todos esses pedaços de Pedro que fazem de mim o que sou hoje. Se consigo conciliar tudo? Sim, consigo, e faço-o com imenso gosto. Se pensarmos um pouco em Fernando Pessoa – um dos meus poetas favoritos, senão o meu poeta de eleição –, imaginamos, sem sombra de dúvidas, uma multiplicidade de seres, de sentires, de haveres. Sou um pouco assim. Existe em mim um Joaquim Pedro que é colega de escola e faculdade; um Barradas para os colegas de trabalho e um Pedro escritor, pintor, pai e marido, filho e irmão. Porque se amas aquilo que fazes, se corres e não te cansas – como diz o ditado popular –, se esse desdobramento de papéis te completa, se as máscaras que usas são a tua essência; então, porque não sê-lo? É difícil, eu sei; trabalhar por turnos é muito complicado. Contudo, apesar disso, vou conseguindo conciliar o meu trabalho e as inúmeras apresentações que tenho, sobretudo, nos agrupamentos de escolas, externatos, colégios, bibliotecas e livrarias que vou visitando com o meu livro de literatura para infância o Gigante Gigantão. A minha agenda é muito apertada, confesso. Mas os bichos-carpinteiros não me deixam estar quieto; é como se a adrenalina fosse o meu sangue e se o meu sangue não soubesse viver sem ela. E não é precisamente isso que nos mantém vivos?

 

 

L.V.- Sabemos que tem publicados vários textos para crianças, que em breve esperamos ter oportunidade de ler. No entanto, foi enquanto autor de um policial que o conhecemos. O que o levou a escrever um policial?

 

P.J. -  O Monstro de Monsanto é o meu primeiro romance policial. Se foi propositado ser um policial? Sim, claro que sim. Em grande parte, além de gostar muito do género, o que me levou a escrever um policial foi o facto de ser polícia e de ter experiência e o curso de investigação criminal. Encarei também este projecto como um desafio, não há muitos autores portugueses a escrever policiais. Uma aposta minha e também da Esfera dos Livros. 

 

L.V. - Onde foi buscar a inspiração para este primeiro texto policial?

 

P.J. -  Inspirei-me em tudo o que já vive e experienciei com a minha profissão. As coisas boas e também as más. Ser chefe da PSP, possuir curso de investigação criminal e o facto de ter experiência no terreno ajudou imenso. Tudo aquilo que relato no livro é, apesar de as situações serem ficcionadas, assemelhado à realidade. Tem por isso um grande cunho de verdade. Um caso em mãos para se investigar, explicar como se tenta recolher a prova, como se processam alguns trâmites legais, como se relacionam os polícias, a linguagem (o calão utilizado), tudo foi propositado e pensado para ser assim. Na primeira parte do livro, quando retracto a cena do assalto ao BES, posso dizer-vos que tive de entrevistar os meus colegas (um homem e uma mulher), que foram os primeiros a chegar ao local do assalto e que libertaram 4 reféns. E o arco narrativo do meu romance nasceu a partir desse relato. Inspiração não me faltou e não me faltará também quando escrever outros policiais, porque o livro O Monstro de Monsanto, melhor, as personagens de O Monstro de Monsanto ainda têm muito para dizer em futuras investigações e em futuros trabalhos meus. O próximo já está no forno.

 

L.V. -Considera as críticas uma forma de crescimento? Uma forma de ir aprendendo e apreendendo novos pontos de vista e perspectivas?

 

P.J.- Considero que a crítica é uma forma de aprendizagem, sim, quando essa crítica é feita de forma construtiva. É fundamental o feed back que recebemos dos nossos leitores. Aos poucos vamos sabendo, percebendo, aquilo que agrada o leitor, aquilo que o prende e também aquilo que não devemos fazer. É sem dúvida uma forma de crescimento; são, principalmente, esses pontos de vista que nos ajudam a evoluir.

 

L.V. -Que balanço faz da opinião dos leitores?

 

P.J. -O balanço que faço sobre as opiniões dos leitores, e sobre este meu primeiro romance, é, após 4 meses do seu lançamento, francamente positivo. A grande maioria gostou muito do livro. Dizem ser um livro diferente, que os prendeu do princípio ao fim, o que, para mim, é muito, muito positivo. Se houve críticas negativas, essas levam-me a pensar, a reflectir, de que para a próxima edição, neste género, terei de melhorar alguns aspectos, que agora foram menos conseguidos.

 

 

L.V. -O que lhe trouxe este primeiro policial?

 

P.J.- Este primeiro policial trouxe-me reconhecimento, por parte de uma editora como a Esfera dos Livros, aliado ao sentimento de uma enorme responsabilidade para convosco: leitores. Trouxe-me também aprendizagem. Estou certo de que vou evoluir, de que vou ser melhor. Trouxe-me também uma exposição que, apesar de já ter editado, não tinha. Exposição a nível nacional. Trabalhei para isso, esforcei-me muito, mas imaginem o que senti ao ver de facto uma obra minha em todas as livrarias nacionais, e que ainda se encontram em destaque e nas novidades, que foi noticiada em vários órgãos de comunicação social, que me tem levado a todo o lado. Só posso estar muito, muito feliz.

 

 

L.V. - Como descreveria o livro “O monstro de Monsanto”?

 

P.J.- O livro O Monstro de Monsanto não é de raiz um thriller. Aliás, eu não escrevi um thriller. Achou-se por bem dar-se essa classificação de género a nível editorial, pelo seu teor, mas eu diria que escrevi um romance policial, de forte cariz psicológico. Este é um livro, escrito na primeira pessoa e que mostra o lado interior das personagens, como se tivessem uma voz interior. Foi assim que fui revelando a sua consciência. Tem, por isso, uma forte trama introspectiva. O livro não se passa em contexto psiquiátrico, mas mostra-nos até onde o nosso subconsciente nos pode levar, até à loucura interior, tal como acontece à personagem João. A palavra monstro a que me refiro no livro é, antes de mais, um estado a que as personagens estão sujeitas. Umas por umas razões, outras por outras. Uns pelas suas vivências em contexto de trabalho, como os polícias estão sujeitos, todos os dias; a psiquiatra, quando cura doenças ligadas à mente e um assassino, que mata porque tem uma obsessão demente. É um policial diferente do habitual, sem dúvida, que nos mostra a realidade policial portuguesa, no que concerne à investigação criminal e prossecução da recolha de prova aquando de um caso de homicídio. Tinha de ser igual aos outros? Claro que não! Estamos cá para marcar a diferença. Desculpem a ironia, nem que seja para ser controverso. Posso dizer que, segundo dizem os leitores, um livro empolgante e que prende até à última página. Quem é o Monstro de Monsanto? O livro quer mostrar-nos que: pode haver um monstro em qualquer um de nós. Ah! E se ficam peças soltas pelo caminho... Não se preocupem, o livro seguinte vai explicar essas lacunas que foram deixadas porque assim o decidi.

 

 

L.V. - O que pensou ao ver-se criticado em LIVROS DE VIDRO?

 

P.J. - É sempre um privilégio quando há pessoas, neste caso a Vanessa, que se interessam pelo nosso trabalho e que dão a sua opinião sincera, criticando construtivamente. Há sempre aspectos a melhorar, sempre. E quando pensamos que está tudo perfeito, podemos desfazer e fazer de novo. Ser criticado pela Vanessa e pelo blogue Livros de Vidro foi muito bom. Gostei muito da vossa opinião. Obrigado por isso.

 

L.V. - Por fim, o que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

 

P. J. - O que posso aconselhar aos vossos seguidores é que nunca devem desistir dos vossos sonhos. Não tenham medo de errar, de arriscar. Mas arrisquem. Vão em frente, de cabeça erguida. Se nos escondermos atrás de coisas negativas, não evoluímos. E nós precisamos de evoluir, muito. Enquanto sociedade, enquanto seres relacionais, enquanto homens e mulheres. Mesmo que isso signifique que tenhamos de cair. Quando nos levantarmos já somos mais fortes, mais resistentes. Eu costumo dizer: “os sonhos não se ganham, conquistam-se”. Conquistem os vossos e nunca, mas nunca desistam porque alguém vos diz que não gosta desse sonho. Eu gosto de acreditar que aqueles que vão ler o meu livro, depois de lerem esta entrevista, já o vão ler com outro olhar. E isso não é confiança, não é arrogância: é esperança.

 

Site do autor, onde poderão encontrar todos os seus trabalhos: http://www.escritorpedrojardim.com/

 

 

Ana Silvestre autora de

"Eu sabia estava escrito" e "Água e Sal"

 

 

 

 

 

Sem papas na língua, Ana Silvestre tem-nos habituado ao seu jeito de ver o mundo que a rodeia, não deixando nada por dizer. Alegre, bem disposta, frontal e, pelo que nos tem parecido, afável e conversadora. 

 

Esse seu jeito característico tem-se traduzido numa escrita simples e tocante, abordando temas que, nem sempre, se vêm por aí escritos. 

Entrevistámos a autora e deixamos-vos aqui com o resultado.

 

L.V.- Eis que surge, quase de surpresa, este segundo livro. Trouxe uma temática forte, onde se inspirou?

 

Ana S. - Não sei bem, acordei um dia e esta menina surgiu-me na cabeça, como se tivesse de escrever algo sobre isto. Na composição da personagem inspirei-me nos meus próprios gostos pessoais (em alguns momentos) e no meu filho que tem dez anos.

 

L.V.- O livro Água e Sal, começa de uma forma forte. Sendo que, todo o livro é um desabafo de uma menina de 10anos. Acha que há muitas Marianas por aí?

 

A.S. - Infelizmente tenho a certeza que as há. Muitas Marianas e Marianos. E alguns com vivências ainda piores do que esta criança.

 

L.V. - Qual o objectivo que pretendeu atingir com a história de vida de Mariana? Houve um objectivo?

 

A.S. - Há sempre um objectivo, pelo menos comigo. O de alertar, pois tal como já disse, quando estamos em sofrimento os primeiros a serem atingidos são os mais próximos e os mais frágeis. Neste caso as crianças.

 

L.V.- O que tem a dizer sobre a linha que segue nas suas histórias? Começamos a notar uma tendência para temas diferentes, a Ana é assim? Diferente, no bom sentido, e alternativa?

 

A.S.- Acho que sou uma caixinha de surpresas. Sou eterna mutante, sempre em busca de saber novas coisas, de aprender e principalmente de melhorar como pessoa. E acho que tento abrir mentalidades e levá-las a acordarem para certas realidades.

 

L.V.- Como tem sido recebido “Água e Sal”?

 

A.S.- Até agora, só críticas positivas. Não escrevo para receber prémios ou para ser considerada uma grande escritora. Escrevo por necessidade de escrever e enquanto tiver alguma coisa a dizer, continuarei a fazê-lo e acho que é com isso que as pessoas se identificam, com a certeza de que estou a ser absolutamente sincera e direta.

 

L.V.- O que diria a uma Mariana, se se encontrasse com uma na sua vida?

 

A.S.-Que acreditasse nela e não desistisse. Que a vida é aquilo que nós fazemos com ela. E que se ela conseguisse chegar a adulta, com certeza conseguiria fazer a diferença, devido à bagagem que trazia. Além disso, de certeza que a abraçava e beijava e lhe dizia que ela era uma menina muito especial.

 

L.V. - E aos pais de uma Mariana?

 

A.S.- Que acordassem. Que vissem o mal que estavam a provocar à filha, em suma que se tratassem.

 

L.V. - O que pensou ao ver-se criticada em LIVROS DE VIDRO?

 

A.S. - Gostei, fico contente por lerem os meus livros, quer gostem ou não. Acho que depois de lermos um livro, fica sempre alguma semente algures por ali.

 

L.V.- O que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

 

A.S.- Que o leia! E que depois me dê a opinião

 

L.V.- Por fim, onde poderão ser adquiridos os seus livros?

 

A.S. - Ainda não sei. A chiado editora ainda não me enviou a lista, mas para já, está disponível através do site da editora. Quando souber em que papelarias ou livrarias estará disponível, comunicarei na minha página.

 

 

 

 

 

Miguel Castro autor de "Roleta Russa"

 

 

 

 

 

 

 

Miguel Castro com o seu livro Roleta Russa faz um alerta para aquele que pode ser o nosso destino quando vamos parar às mãos erradas num hospital e quando um tribunal parece não querer punir ou decidir como seria expectável. Devido a todas as questões que o seu drama encerra e à pertinência que o seu livro tem assumido nos dias de hoje, lançamos a entrevista, resultado de uma conversa franca:

 

Livros de Vidro - Sofreu um enfarte que lhe mudou a vida! No seu livro faz um relato exaustivo desse período, que marcas ficaram devido a esse acontecimento? Quem é Miguel Castro em 2015?

 

Miguel Castro- Obrigado por essa pergunta tão importante.

O Miguel Castro, intrinsecamente, é o mesmo. Continuo uma pessoa muito bem disposta e com uma grande capacidade de rir de mim mesmo e de dar a volta às situações.

O Miguel Castro, fisicamente, é uma pessoa diferente e com algumas incapacidades no dia à dia, que poderiam não ter sido tão acentuadas se tivesse sido tratado logo. Apesar de não ser gordo e de ser alto, 1,82m, sou uma pessoa que se torna pesado muito depressa. Eu era uma pessoa que andava a 200km à hora, sempre a correr de um lado para o outro, o que hoje em dia seria impossível. Também não me lamento nem me ouvem lamentar sobre o que aconteceu ou sobre o que sinto, ou desato a chorar como uma Madalena cada vez que ouço a palavra coração, nada disso. Aconteceu, estou VIVO e celebro e Agradeço esse facto, todos os dias.

O Miguel Castro profissional, tem saudades dos aviões e do Mundo da Aviação, continua com um Orgulho enorme na sua TAP e tenho Muitas Saudades de dar Formação, como dava. Para além de Chefe de Cabine da Europa eu também era Formador do Pessoal de Cabina na área do Serviço a Bordo e, essa sim, era uma Grande Paixão. Tudo o que eu sabia ou aprendia, partilhava com os meus colegas mais experimentados ou com os iniciados. Eu divertia-me muito.

O Miguel Castro sem os aviões, virou-se para outras áreas completamente diferentes e que me enchem o coração de Alegria e me fazem esquecer o terror de tudo o que passei. Comecei a fazer voluntariado na Fundação S. Francisco de Assis, que recolhe animais abandonados, os trata e lhes tenta arranjar uma segunda casa onde vão ser acolhidos com muito amor pelas novas famílias. Fazem um trabalho Extraordinário que já tem sido reconhecido publicamente e bem merecido, várias vezes. Parei durante um ano devido a um problema na coluna, mas agora restabelecido, vou continuar com muita alegria. Faço também voluntariado na Quinta Essência que é uma Escola com alunos com vários tipos de incapacidades. Achei que poderia ensinar alguma coisa e recebi e tenho recebido as Maiores lições da minha vida. Descobri que afinal, o aluno sou eu e que os alunos são os meus professores. Afinal, quem era o Incapacitado era eu. A Vida tem destas coisas....e ainda bem!

O Miguel Castro, para além disto tudo, é um cidadão muito mais sabedor dos seus Direitos como cidadão e dos seus Direitos, como doente.

Sou um Fã de Portugal e um apaixonado pela dignidade demonstrada por este Povo durante estes tempos difíceis. Não sou fã, de maneira nenhuma, de traições nem de nada que nos prejudique a Qualidade de Vida. Vida, há só Uma!

 

LV - No seu livro, além do relato, juntou vários documentos e foi transcrevendo o testemunho prestado em tribunal por várias testemunhas, bem como pelos réus. Acha importante que quem lê o livro tenha acesso a tudo isso? Ou sente que fazer um “mero” relato da sua vivência não seria suficiente?

 

 

MC - Como está provado, estatisticamente, o Erro Médico, mata mais pessoas do que o Cancro. Se todas as pessoas que foram vítimas de erro médico escrevessem um livro, as Livrarias teriam de ser maiores que o Continente dado o número de casos que acontecem.

Achei que escrever um livro só com a minha história, não faria muito sentido até porque o final da história é feliz., estou vivo. Há histórias com desfechos muito piores do que a minha e com contornos ainda mais graves.

Talvez tenha sido a minha "costela" de Formador que me levou a ir para além da minha história e consolidar o livro com documentos e relatos que nos podem ajudar se nos tivermos que defender. Concordo com o princípio de Informação é Poder, e quanto mais informados estivermos, melhor para nós, e menos se aproveitam da nossa "ignorância", além de que pode levar a que tenham mais cuidado connosco. Acho que este livro com a documentação que traz pode ser um documento precioso para quem precise. A minha história já se passou, mas se puder ajudar alguém, ainda  melhor.

 

LV - Ao longo das mais de 300pág. Que compõem o seu testemunho, nunca se coibiu de revelar os nomes verdadeiros de todos os intervenientes e locais onde se deram os acontecimentos. Qual o seu objectivo? Não teme as consequências?

 

MC- Nunca me coibi de revelar os nomes, porque a história é Verdadeira e porque todos os Intervenientes são reais. Todos fizemos o mesmo Juramento perante o Tribunal e Todos estivemos perante uma uma Juíza a prestar declarações que estão gravadas. O facto de ter nomeado as pessoas não tem a ver com apontar dedos, tem a ver com as personagens reais. Infelizmente não é um livro fictício é uma história Real. Só poderia temer represálias, se não  tivesse falado a Verdade e isso sim, seria completamente Irresponsável de minha parte e passível de recriminação, sem dúvida alguma, mas eu não sou essa pessoa. Como pôde ver, eu só ataco profissionalmente, o Médico que me atendeu, todos os outros cumpriram com tudo o que se esperava deles profissionalmente e cientificamente, e até tive o cuidado de lhes agradecer o trabalho que fizeram. Quanto á Ética profissional, é que a Porca torceu o Rabo.

Quanto ao Hospital, um mês e cinco dias depois do Julgamento ter acabado e sem que eu me tivesse apercebido, retirou o erróneo sinal de Serviço de Urgências e colocou o sinal com o serviço que sempre teve, Atendimento Permanente. Um, não é o Outro e pode ser a diferença entre a Vida ou a Morte.  Só esse facto, pode já ter salvo algumas vidas. Era à Entidade Reguladora de Saúde que cabia ter obrigado o Hospital a mudar o sinal, mas por incrível que pareça isso não aconteceu. Aliás, o Decreto Lei Vigente na altura, o Decreto Lei 63/94, na introdução do mesmo, refere que as Entidades Privadas de Saúde não devem utilizar as mesmas denominações que o Serviço Nacional de Saúde para não induzir os doentes em erro e com isso perigar as suas vidas. Eu quase que paguei com a minha vida por causa desse pequeno Pormenor, o mesmo eu não quis que acontecesse a mais ninguém e consegui-o. Foi uma Grande Vitória Silenciosa para mim.

 

LV - Ao longo de todo o processo do que acha que realmente sentia falta, de lhe ser atribuída razão em tribunal, ou simplesmente, de um pedido de desculpas, daqueles que afirma culpados?

 

MC -  Quanto ao Hospital pedir desculpa, seria impensável de minha parte pensar que isso poderia vez alguma acontecer, porque seria um reconhecimento oficial que tinha havido um Erro Grave e, ao fazê-lo, estavam-se a pôr numa posição muito vulnerável e corriam o risco de serem processados e perderem, por isso, Negar. Negar , Negar foi a estratégia.

Para mim foi a estratégia errada, porque como o não admitiu, foi o que me fez começar a investigar tudo e a perceber que haviam muitos erros injustificáveis e, na minha ótica, ilegais.

Quando "fiz o bolo", percebi que o que me tinha acontecido, não se poderia passar e depois de juntar A+B+C+D+...fui a uma Advogada e perguntei se aquilo que se tinha passado comigo era correcto legalmente. Ao me ser confirmado, não por negócio mas  sob o ponto de vista legal que havia mais do que matéria para processar, então decidi avançar com o processo, não sem antes pensar, dias e dias se queria comprar essa guerra, porque poderia ter consequências legais sérias para o médico e para o Hospital, no meu ponto de vista e não gosto de "brincar " com as vidas das pessoas.

Para  todos os efeitos, mal ou bem, eu consegui ganhar em Tribunal mas foi uma vitória parcial porque os factos foram mal julgados e a matéria científica foi, incompreensivelmente, mal entendida, como viu pelo livro, mas, consegui provar parte do meu caso, o que me aliviou muito a consciência, mas não resolveu o assunto inteiramente.

Quanto ao médico pedir desculpa, isso seria impossível de acontecer. Ele não escreveu nada de propósito, caso acontecesse alguma coisa,para prevalecer em Tribunal o princípio que, para mim está completamente errado, que é "o que não está escrito não aconteceu", pondo o doente numa posição muito difícil de provar o seu caso. Como viu pelo meu livro ele não só não escreveu as minhas queixas, como ainda  foi perante uma Juíza, alterar a minha realidade médica, o que é gravíssimo, mas o que é ainda mais grave, é que ele o conseguiu, o que fez com que os Tribunais desgravassem o seu grau de Negligência Médica.

Voltando ao Início e num cenário ideal de Deontologia e de Responsabilidade perante um Erro Médico Grave. Se o meu Cirurgião, que também era o Chefe do Gabinete de Reclamações (não acham isto o máximo?) juntamente com o médico, autor do erro, me tivessem explicado tudo o que tinha acontecido e me tivessem Desculpa e me tivessem garantido que iriam fazer o possível para que tal não tornasse a acontecer, perante esse cenário Ideal, eu Juro por tudo o que há de Sagrado, que a história tinha morrido ali mesmo. A Vitória Parcial em Tribunal não tem o mesmo peso do que a Humildade e o Caracter do Ser Humano. em reconhecer que Errou.

 

LV - Nas últimas semanas muito se tem falado de problemas nos hospitais portugueses, nomeadamente, do tempo de espera que tem custado a vida a tantas pessoas. Qual é a sua opinião?

 

MC -  O que se tem vindo a passar nos Hospitais ultimamente é reflexo de todos os cortes que se têm vindo a fazer na Saúde nos últimos anos. Todas as pessoas entendem os regimes de excepção como os surtos de gripe, mas esta aglomeração de doentes em horas e horas de espera em corredores de hospitais, não ajudam nada a saúde de ninguém. Também não é justo se culpabilizar os médicos e o pessoal de enfermagem, porque é impossível atenderem os doentes com a deontologia com que normalmente tratam os doentes, porque é impossível estarem em todo o lado. O numero de médicos e enfermeiros disponibilizados não tratam a Saúde, Agridem-na.

Sabem qual é a área dos hospitais onde morrem mais pessoas? Não é nas salas de Operação, nem dentro das salas de Urgências, é nos CORREDORES! Sim, na minha opinião têm que ser contratados mais médicos, mas principalmente, muitos mais enfermeiros para que possam vigiar a evolução do estado dos doentes e poderem atender situações que, de repente degeneram e que podem pôr em risco a vida dos doentes. Se isso se passasse, o pessoal de enfermagem faria chegar à sala de urgências, casos que pioraram muito, depois de horas de espera. Em vez disso, os doentes morrerem sozinhos e quase abandonados à sua sorte e isso é muito pouco digno. Doentes que já vinham com outras patologias que não a gripe, passaram as estar expostos à mesma uma vez que os doentes são aglomerados nos corredores, praticamente, de narina com narina o que piora ainda o estado dos doentes. 

A Constituição Portuguesa dá-nos o Direito à Saúde e Principalmente à Segurança na Saúde e o que se tem passado é pouco seguro. Também não é muito bonito depois de uma morte de um doente num corredor, vir a Administração de um Hospital dizer que aquele doente iria morrer mais tarde ou mais cedo e que não foi a espera que o matou. Isso é pouco Digno já para não falar do Inferno que começa  para as família a partir daquela altura, que nunca mais na vida se esquecerão daquela morte, que apesar de esperada, não foi dignificada.

A medida dos Atendimentos Permanentes (Postos da Caixa) estarem abertos até mais tarde  acho-a muito correcta, porque muita gente se dirigia aos Hospitais por não terem alternativas. Assim, retiram mais doentes das urgências.

Acho que em alturas Especiais tudo se deverá fazer para Dignificar a Vida Humana. Se houve dinheiro para salvar bancos, e para comprar submarinos, então, tem que haver dinheiro para a Salvar a Vida dos Portugueses, é tão simples quanto isso, não acham?

 

LV - Que medidas considera que deveriam ser tomadas para melhorar o nosso sistema de saúde? E a nível privado, considera que deveriam existir mudanças? 

 

MC- Contratar mais Médicos Qualificados em Emergência Médica e não Generalistas. O Lei deste País determina que os médicos das urgências têm que estar qualificados, preferencialmente em Emergência Médica dada a possibilidade da precaridade da vida humana. Há que retirar o preferencialmente da Lei e substituir por Obrigatoriamente. Um médico Generalista não tem o mesmo olho clínico do Medico Qualificado com a sua experiência para reconhecer aquilo que o doente não consegue ver ou quem sabe, dizer. Mais pessoal de enfermagem para vigiar os corredores seria ainda mais Ideal.

A nível do Privado é bom que se garanta que não anunciem Serviços que não existem para não induzir os doentes em erro e julgarem que foram para o sítio certo. Há que verificar, se a informação clinica dos doentes é igual em todos os Hospitais Privados e não haverem Politicas internas que interfiram com os Direitos dos Doentes.

Por experiência própria, o Hospital onde ocorreu o meu erro médico, tinha dado Ordens ao pessoal Administrativo que estava a trabalhar no Balcão do suposto "Serviço de Urgências", para não escreverem as queixas dos doentes à chegada ao Hospital. Ora se o doente se queixava e nada era escrito e o doente morria, oficialmente o doente não se tinha queixado de nada, o que era vergonhoso, como devem calcular.  É este tipo de Legislação que funciona contra nós e que tem que ser combatido e que tem que acabar. Só posso falar deste hospital e não tenho outros para termos de comparação, só posso falar do que eu sei e provei. No que diz respeito à operação ao coração no mesmo hospital onde ocorreu o erro médico, só posso qualificar de sensacional a actuação de todo o pessoal que me tratou a seguir, foi, realmente, extraordinário.

A Entidade Reguladora de Saúde tem que verificar quais são os procedimentos dos hospitais privados no que diz respeito ao registo das queixas quando os doentes entram.

 

LV - Hoje, quando tem de se dirigir a um hospital sente-se apreensivo?

 

MC - De todo. Um médico, não são todos os Médicos, por isso não tenho medo nenhum seja no Hospital Público ou seja no Hospital Privado. Mas uma coisa eu vos asseguro. estou sempre com "um olho no burro e outro no cigano" e a ver se escrevem o que eu digo. Se a dor for no peito, garantir que fazem todos os exames requeridos por protocolo para um tipo de queixas como estas. mas só intervenho se vir que algum exame não foi feito. Mas uma coisa vos digo e posso afirmar, tive três enfartes e dos outros dois que tive não foi preciso sequer dizer alguma coisa porque foi tudo feito imediatamente, automaticamente. Eu só respondi às perguntas que me eram feitas e tudo o que estava ser feito e pedido foi-me explicado pelos médicos. Nos últimos dois enfartes fui para dois Hospitais Públicos e cuja actuação foi Irrepreensível e dos quais eu me orgulhei imenso, a todos os níveis.

 

LV - O que pretendeu com o lançamento de “Roleta Russa”?

 

MC- Pretendi Chamar a atenção das pessoas para o Erro Médico e para o Mal que se lida com ele neste País a todos os níveis. No meu caso, o Médico lidou Mal, o Hospital lidou Mal e os Tribunais também lidaram Mal com ele. Foge-se do Erro Médico e ninguém se quer responsabilizar para não pagar. Quando um médico me fez o que fez e dois Tribunais o condenam a pagar 750 Euros, só podem estar a brincar com as pessoas, por isso quando escrevi o livro tinha em mente que este, potencialmente, pudesse servir de instrumento para que as pessoas que se vissem envolvidas num caso destes se pudessem preparar melhor com a luta de outra pessoa. Partilhar Informação é a melhor maneira de se conseguir consolidar uma vitória. Esconder a Informação ou passar por cima sem partilhar era como ser cúmplice de um sistema com o qual eu tinha lutado para se tornar mais seguro. O Silêncio não Salva Vidas!

Dei-lhe o nome de Roleta Russa porque quando um doente entra num hospital que anuncia serviços que não tem, está deliberadamente a jogar Roleta Russa com a vida do doente sem este saber  e com um único fim à vista, o Lucro. A bala por acaso não me acertou, mas foi por muito pouco....

 

LV- Por fim, como tem sido recebido o seu testemunho por aqueles que o têm lido? Que balanço faz?

 

MC - O resultado que tenho tido das pessoas, não pode ser melhor e muitas já me disseram que aprenderam coisas das quais não faziam a mínima ideia, nomeadamente, sobre a Lei, Constituição e principalmente sobre os enfartes. Algumas pessoas ficaram muito contentes com a minha coragem de contar a história porque tinham perdido familiares para o Erro Médico e que gostariam de ter feito aquilo que eu fiz. Nunca afirmei que escrevi uma Grande Obra, até porque não sou escritor, mas tentei transformar uma linguagem médica às vezes difícil de entender, num vocabulário mais simples de ser entendido por todos e assim poder chegar a mais pessoas. Acho que o livro precisa de ser mais divulgado e de estar fisicamente presente e exposto em muito mais Livrarias, porque as pessoas só compram o livro se souberem que ele existe, uma vez que ele não está presente para as pessoas consultarem e, normalmente, ninguém tem paciência para encomendar um livro e de ficar à espera. Falo por mim, eu não gostaria com certeza.

Um dos melhores elogios que tenho ouvido e isso adoro, é as pessoas que me conhecem me reconhecerem a 100% no livro e me dizerem que eu Miguel Castro, estou lá todo e que mais ninguém o poderia ter escrito. Tive medo que no meio de matéria tão complicada e sensível, eu tivesse desaparecido e passado a narrador, mas ainda bem que não.

Espero que venha a vender muito mais porque o considero importante para Portugal nesta altura tão conturbada na Saúde. Escrevi-o com Portugal no Coração!

 

 

Marine Antunes autora de

"Cancro com humor"

 

 

 

 

Marine Antunes, ainda muito nova viu-se obrigada a conviver diariamente com um cancro. Cancro esse, que a inspirou e resultou no seu primeiro livro “Cancro com humor”. Um texto inspirador e carregado de humor e de verdades.

 

Livros de Vidro - Quem é Marine Antunes?

 

Tento descobrir quem sou, todos os dias, contudo, sei dizer-te que me considero alguém que sonha, idealiza e concretiza.

Talvez seja esse o meu maior orgulho e também a minha maior luta - sonhar, idealizar e concretizar. Sou uma pessoa extremamente intensa, o que me dá muitas dores de cabeça porque tudo é sempre um pouco exagerado…Vibro com pouco, sofro com pouco, o que faz de mim uma criança enorme! Sou obstinada com os projectos em que acredito. Se tenho alguma ideia criativa, durmo, como, respiro, só para essa ideia. Sou completamente apaixonada pela vida, pelos outros, pelo trabalho, pelo humor. Rio em todas as situações, dou gargalhadas altas e guinchinhos de felicidade quando acontece alguma coisa maravilhosa. Também fico deprimida, claro, e isso acontece quando sinto que não tive um dia produtivo ou se estou dois dias sem ideias ou iniciativas. Falo pelos cotovelos mas depois tenho horror em desabafar. Que contrariedade! Por um lado, dou conselhos a tantas pessoas, muitas não conheço e confiam em mim, por outro lado, não consigo fazer essa procura. Resumidamente, sou estranha. Sou extrovertida, impulsiva, idealista, sensível, louca. Acredito sempre que é possível melhorar, adoro reflectir sobre todas as acções, sou confiante e enérgica, desorganizada e stressada. E protejo, sagradamente, a minha paz de espírito, duma forma muito determinada. Ninguém pode afectá-la, para isso, afasto-me de tudo e de todos os que não me acrescentam nada ou são simplesmente, má ré. Só há espaço na minha vida para pessoas generosos e de bem com o Mundo.  

 

 

LV- Acha importante que não se tenha medo/pudor/receio de se dizer o que se pensa sobre o cancro?

 

Acho que é o primeiro passo para o combater. Não é possível lutar contra uma doença se se tem medo de falar sobre ela. Sem medo, sem preconceito, sem meias-verdades. “Tu cá, tu lá” é o mote. Devemos assumir o que temos e combate-lo com a certeza que o ultrapassamos. Com uma força destemida, quase presunçosa, com um humor arrojado e uma lata enorme!

 

 

LV- Da sua experiência resultou todo um “novo mundo” e uma nova forma de ver o cancro, acha que de alguma forma tem contribuído para alegrar os carequinhas e fazer perceber aos outros o que sentem?

 

Sinceramente, sim. Se não sentisse e soubesse que fazia a diferença e que ajudo alguém, não tinha este projecto e esta missão há tanto tempo. É isso que me motiva. As gargalhadas dadas, as partilhas, os abraços, a companhia, os abraços dados emocionantes, depois das palestras, dos doentes oncológicos e dos familiares, é aí que percebo que este é o meu caminho e que se faz bem a alguém, faz sentido. Faz todo o sentido.

 

LV- O que lhe tem trazido esta experiência do Cancro com Humor? Sente que faz a diferença?

 

Tanta aprendizagem. O Cancro com Humor permite-me fazer o que mais gosto e ser a pessoa que ambiciono ser. Naturalmente, que me faz sofrer mas é uma relação bem saudável esta que tenho com o meu projecto. Ensinou-me a trabalhar duramente, a nunca duvidar das minhas capacidades, a seguir os feelings e a aceitar quem nem todas as pessoas são maravilhosas. Dá-me desgostos e, quando estive mais em baixo, por conta do cancro do meu Careca Power, tive mesmo de cancelar algumas palestras. Por vezes, preciso de espaço, tempo e coragem para fazer o que faço. Mas volto sempre, com mais garra, mais vontade e mais certeza que o que faço é pioneiro, louco e arrojado e que preciso disso para ser feliz. Esta experiência facilitou a minha relação com a vida e com a morte, deu-me mais tranquilidade e maturidade pessoal e profissional e assentou os valores que já tinha mas que existem agora, com mais força.

 

LV- Como foi a aceitação ao seu livro? Atendendo ao facto de ser uma forma crua, desprovida de rodeios e romantismos, de dizer as coisas como elas são.

 

Foi excelente. As pessoas gostam exactamente dessa crueza. Era isso que estávamos a precisar. De um livro que fale sobre cancro sem paninhos quentes, sem metáforas feitas, sem a típica forma chorosa. As coisas têm de ser chamadas pelos nomes e o Cancro com Humor faz isso. O livro não tem a pretensão de mostrar um mundo perfeito mas também não mostra um mundo dramático. As coisas são como são. Gosto dessa frieza na fala e na escrita, que é também a minha e, quando tento embelezar as coisas “por medo”, dá asneira. Gosto do humor seco, da escrita direta, da ironia, da comparação, da vida descrita como ela é, sem bailados mas com dança. 

 

 

LV - Como se deve encarar a morte de um doente com cancro? O que pensar e dizer quando é ele a vencer a batalha?

 

Quem me dera ter a fórmula mágica para a dor da perda, mas não tenho. Sabemos que há lutadores que sobrevivem e outros não. O meu namorado tem cancro e também eu tremo, da cabeça aos pés, com medo de o perder. A única coisa que pode existir, a meu ver, é uma certa tranquilidade da parte dos doentes e dos apoiantes, em relação à morte e consequentemente, à vida. Eu sei que é extremamente difícil, falo por experiência própria, mas aceitar que todos morremos, independentemente de termos cancro ou não, não perdendo, simultaneamente, a esperança de continuar muitos anos por cá, é a única forma de vivermos com paz de espírito. Eu preciso de falar da morte para, pelo menos, o conceito entrar na minha vida, porque para mim, o verdadeiro desespero é o medo. O medo da morte, o medo de qualquer coisa é que nos paralisa. Nos destrói. E eu acredito piamente que esse medo pode ser desconstruído e até destruído ao ponto de lidarmos bem com isso. Como? Com muita espiritualidade, reflexão, com a companhia de pessoas boas e de boas energias, com muito amor e muita gratidão. 

 

LV- Por fim, poderemos esperar mais produção literária de Marine Antunes? 

 

Eu escrevo bastante - para o blogue, para as minhas páginas, para as minhas palestras, além de escrever poesia, teatro, e outros géneros. Ainda só publiquei um livro e não, para já, não penso no segundo livro porque este livro Cancro com Humor, a meu ver e da Editora, ainda tem muito para dar. Quero que, no futuro, seja reeditado e esteja em todas as livrarias (ainda não está). Por isso, enquanto não esgotar todas as potencialidades deste livro, não penso em outro. Sou perfeccionista e exigente e não acho que esteja na hora de avançar para outro livro, enquanto existir muito para atingir e melhorar.

 

 

 

 

Melânia Gomes, actriz portuguesa

de cinema, televisão e teatro

 

 

Melânia Gomes conta já com um vasto curriculum na arte de representar. Seja no teatro, no teatro de revista, séries, filmes, tele-filmes ou novelas a actriz já deu mostras do seu talento e versatilidade. Sendo das actrizes mais conhecidas do panorama nacional português e o seu trabalho amplamente reconhecido.

Vencedora de uma máscara de ouro, símbolo máximo do reconhecimento pelo seu empenho no teatro, Melânia mostra a cada dia que continua a trabalhar para o espectador, para aquele que se diz dar sentido à arte de bem representar.

Através de Melânia Gomes nasceu, em 2012, uma outra mulher, Silvina Godinho.

Para podermos definir esta “outra mulher” e ficarmos a conhecer o seu papel no mundo da comédia em Portugal, convidámos as duas para uma conversa connosco. Acompanhem-nos.

 

1. [SG] Comecemos por si, Silvina. Diga-nos, quem é Silvina Godinho?

 

Eu sou a presidenta da república, a única, a verdadeira! Tiraram-me da frente do destino da minha nação porque me roubaram as assinaturas, mas mesmo assim contra tudo e contra todos eu tenho ganho todas as eleições e cada vez ganho mais! Só que depois eles fazem lavagens aos cérebros das pessoas para elas não se lembrarem em quem votarem e depois dizem que eu sou a abstenção!!!!

 

 

2. [MG] Melânia como surgiu esta personagem? Qual a sua história? Resulta do seu lado mais cómico?

 

Surgiu da vontade de me desafiar enquanto actriz. Queria criar uma personagem muito diferente de mim, queria que fosse uma senhora já de uma certa idade e emocionalmente desequilibrada. Queria falar da solidão, da terceira idade, da loucura, da forma como cada um resolve do seus traumas (ou não) e até que ponto nos realmente conhecemos.

A história da Silvina é muito mais profunda do que se possa imaginar, por trás daquela figura louca e completamente cómica está uma profunda solidão e muita coisa por resolver... Sendo uma comédia negra o público pode esperar momentos hilariantes, de muita gargalhada, mas também alguma emoção e momentos mais sensíveis e poéticos. Enfim sou suspeita mas acho que se trata de um espectáculo muito interessante!

 

 

3. [SG] Como é ver-se em frente de plateias repletas de pessoas que vão só para a ouvir? Sente-se intimidada?

 

Não! Alguma vez? Eu adoro o meu povo! Sinto sempre muita vontade de contar a verdade àquela gente toda que quis acordar, que quis saber a verdade! Que saiu do buraco para me ouvir!!! Só espero é que depois façam alguma coisa com as informações preciosas que partilho com eles, que não fiquem só ali a ouvir, que ajam mal saiam do teatro!

 

4. [MG] Sendo uma figura incontornável na ficção e do teatro nacional, como é ser reconhecida pelo seu trabalho? O trabalho de um actor é reconhecido por entidades como o Ministério da Cultura? Há apoios, significativos, à cultura, ao teatro?

 

 

O melhor reconhecimento que uma actriz pode ter é o do público e esse felizmente tenho tido e é muito bom. Sem público não há actores... Sinto-me abençoada por fazer o que amo e as pessoas gostarem. Isso é o meu sorriso!

Claro que os apoios são poucos, claro que idealmente deveria ser tudo diferente, mas mesmo assim acredito na nossa capacidade de trabalho, de nos superarmos, de lutarmos, de não deixarmos o teatro morrer, apresentando cada vez mais, e apesar de tudo, teatro de qualidade.

 

5. [SG] Como é ser confundida quase diariamente com a actora Melânia Gomes? Incomoda-a? Ou consegue fazer a sua vidinha sem sobressaltos?

 

Vidinha? Tomaria muita gente! Tenho uma vida em cheio, plena como uma entidade do estado tem de ter! Quanto ao resto é horrível! Odeio que me confundam com ela até porque não tem nada a ver, ela é actora eu sou a presidenta! Nem vejo qualquer semelhança possível, mas enfim, como ando muitas vezes com o marido dela, o careca, se calhar é daí... Até já pensei trocar de técnico, mas coitado do careca, o homem até é boa pessoa, não o vou estar a despedir por causa disto... Enfim...

 

6. [MG] Considera que a cultura, em geral, no nosso país é valorizada? Ou pelo contrário cada vez mais têm de ser os próprios artistas a lutar para que se faça arte? Somos um povo que se está a afastar da cultura, ou pelo contrário?

 

Já respondi um pouco a isso em cima:

Claro que os apoios são poucos, claro que idealmente deveria ser tudo diferente, mas mesmo assim acredito na nossa capacidade de trabalho, de nos superarmos, de lutarmos, de não deixarmos o teatro morrer, apresentando cada vez mais, e apesar de tudo, teatro de qualidade.

Acho que o nosso povo gosta de cultura, aprecia e procura-a. Deveria ser tudo mais fácil para as pessoas terem acesso a ela. Espero que num futuro a situação melhore e até lá os nossos lutadores não desistam!

 

7. [SG] Silvina, o que vai mal no nosso país? Quais as suas medidas se fosse Presidenta?

 

O País está no caos sobre todos os aspectos, moral, financeiro e noutros! É só escândalos e corrupção! A minha primeira medida era matar os lagartos todos, sim porque somos todos governados por lagartos dinaussauricos! Tráfico de crianças e órgãos acabar também! Juízes corruptos e bandidos canibais fogueira com eles! E muito mais... As cheias em Lisboa é que não posso fazer nada, o outro tem razão, não há nada a fazer.

 

8. [MG] Considera importante o teatro de revista pela forma como são retratados os problemas do país e dos portugueses? É um escape para enfrentar o mau ambiente nacional ou um alerta meio a brincar meio a falar a sério a todos aqueles que nos governam? Como que um aviso de “não estamos contentes com isto!”?

 

Acho o teatro de revista importante por isso e por ser um género de teatro tão completo e exigente para os actores. Acho que é uma excelente escola, a todos os níveis. 

Aprende-se também a ter uma interação muito saudável com o público, a improvisar se for preciso, a sentir o público, a ter tempos. É um trabalho muito completo e faz parte da nossa cultura da nossa identidade enquanto português.

 

 

9. [SG] Por fim diga-nos, que verdades tem a dizer ao povo português? E onde poderão os nossos seguidores ouvi-la ao vivo?

 

 

Verdades várias sobre vários aspectos e outros também! Social, moral, financeiro, político, judicial... Vou andar a falar a verdade às pessoas de norte a sul do País, mas ainda não sei datas, o careca é que está a tratar de tudo... Fiquem atentos ao meu façuk e ao meu canal do uitube!

 

 

10. [MG] Por último, o que podem esperar os nossos seguidores do monólogo “Comunicado à população de Portugal” por Silvina Godinho?

 

Acho que se vão divertir muito e ser surpreendidos também. É um espectáculo muito especial. Uma comédia negra que espero que não esqueçam.

É um grande esforço da minha parte e o melhor trabalho que fiz até agora. Criar a Silvina Godinho não foi fácil e sê-la é igualmente intenso!

É um projecto único e muito íntimo, que só agora estou a partilhar convosco. Não percam!

Já estou a preparar o próximo e como se trata de uma personagem alter-ego, que tem vida própria, não poderei voltar a fazer este texto depois de estrear um novo.

Marco Ribeiro, autor do blogue "Pontos & Marcas"

 

 

Marco assume-se provocatório, os seus textos expressam uma opinião sempre muito própria e crítica sobre vários temas da actualidade do nosso país e até do mundo. Estivemos à conversa com Marco Ribeiro e tentámos perceber quem é e quais as suas opiniões sobre algumas temáticas que estão na ordem do dia. 

 

Livros de Vidro - Quem é Marco Ribeiro?

 

Marco Ribeiro - Bom, essa é uma questão que pretendo ver esclarecida no momento em que tiver de partir desta para outra, (seguramente) ainda melhor. Gosto de me reinventar todos os dias, afinal o sol também nasce todos os dias, porque é que as pessoas também não podem “nascer” pessoas diferentes todos dias? Sou em cada dia, o que melhor possa complementar ao Marco do dia anterior, e assim, uma pessoa diferente todos os dias. Chamem-me louco, eu também, aceito!    

 

LV - Achas importante que não se tenha medo/pudor/receio de se dizer o que se pensa? Seja qual for o assunto?

 

MR - Acho antes de tudo que é importante que possamos desenvolver uma consciência critica, livre de conceitos sociais, ou morais/valorativos, ou restrições legais. Essa é uma conquita de Abril.

Já uma coisa diferente será dizer-se/escrever-se tudo o que se pensa. Não acredito que alguém diga ou escreva tudo quanto genuinamente pensa. Penso antes, que o importante será ter abertura para discutir pontos de vista divergentes, e aceitar as opiniões por aquilo que valem, vejo-as como oportunidades de nos colocar-mos em causa  e hipoteticamente desenvolver competências, ou acentuar o nosso grau de envolvimento com as questões, e aprofundar conhecimento, tornando-nos por isso Seres mais ricos intelectualmente.    

 

LV - Nas várias linhas que escreveste no blogue Pontos & Marcas abordaste o tema das relações homossexuais e da adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Sabemos que este é um assunto que muito tem vindo a ser discutido e que se prevê que venha a sê-lo cada vez mais. Consideras que em Portugal ainda se vive muito no preconceito?

 

MR - Escrevo sobretudo sobre questões de direito humanos, que em Portugal são negados na nossa sociedade, a determinados cidadãos por força da sua natureza, e autodeterminação.

O tema da homoparetalidade, é sem dúvida “O tema” desta década. A sociedade portuguesa, como a europeia tem de caminhar aliada para o cumprimento dos objetivos da declaração do direitos do homem e do cidadão, numa interpretação atualista. Vivemos numa sociedade culturalmente diversa, bem com diversa é a natureza do homem, enquanto ser.

A história recente tem sido espelho da aplicação e consequências prática pela aceitação da individualidade do ser, como um crédito social, penso  por isso que não há lugar para preconceitos encapotados por fações da sociedade, que se consubstanciam em franjas nucleares sem uma expressão ampla da vontade do povo português, isto no nosso caso. Penso que será uma questão de legislatura, e de força partidária governante, para que possamos atingir essa expressão de dignidade que os cidadãos portugueses anseiam por ter, e sobretudo fazer parte deste “caminho” sem data de regresso, a par de uma europa, que tem uma tradição humanista muito vincada.

 

LV - Com tantas crianças distribuídas por instituições e colocadas em “catálogos” para os pretensos pais poderem escolher, achas que o sistema deveria impedir esta escolha? 

 

MR - Bom, a resposta a esta pergunta liga-se à anterior. O fato, salvo um melhor entendimento não se deve enunciar sob essa premissa, porque essa situação mais não é que uma consequência da fragilidade do nosso sistema.

Não podemos entregar as crianças à guarda do estado, de qualquer forma, nem sob qualquer intenção economicista, penso antes que, sim, abrangeria um leque maior de potenciais adotantes, mas quanto ao processo, julgo prudente ocorrer uma revisão de procedimentos, já que os atuais são obsoletos e sobretudo recheados de burocracias, próprias de um sistema demasiadamente protecionista e envelhecido.

Enfim, julgo que esta é daquelas áreas da tutela do Estado onde urge intervir, para evitar que demasiadas crianças tenham como objetivo de vida permanecer em lares de acolhimento e sobreviverem de incertezas. 

 

LV - No seguimento da questão anterior perguntámos ainda se Marco considera que a demorada burocracia do nosso país não acabava por prejudicar mais do que beneficiar as crianças e famílias de acolhimento? Se não será esta protecção dos interesses uma, quase, falsa questão?

 

MR- Sem dúvida. 

 

LV - Actualmente têm surgido vários assuntos que têm levantado ondas de indignação. Qual é a tua opinião sobre os já tão falados “meet”? Serão eles tão inocentes como os participantes querem fazer ver? Serão esses mesmos participantes alvo de racismo e descriminação?

 

MR - É uma questão complicada. Porque se por um lado se defende existe livre organização e associação de pessoas, por outro lado haveremos de atender às especificidades destes agrupamentos de jovens. São quase sempre organizados com o intuído de provocar distúrbios, e demostrações de “poder”, “força”, estas são algumas das palavras que se podem ler nos vários eventos que vão aparecendo no facebook, com este fim. Penso que são também uma ferramenta que este jovens de manifestarem contra a sociedade, que segundo eles os empurra para a clandestinidade da sociedade, vivendo à margem do que esta potencia a um uns e a outros não.

Bom, não é assim que vejo esta questão, penso que se trata de vandalismo gratuito, promovido por jovens a quem a sociedade poderá não ter promovido todas as diligencias que lhe coubera, mas que também eles têm uma quota-parte de culpa, pois o seu rumo, ou o que fazem com ele, só a eles deve dizer respeito em primeira linha.

Logo, dizer-se que, porque não inibidos de provocar estragos, ou repelidos pelas autoridades estão a ser vítimas de racismo e discriminação, é forçado. Estes como outros jovens têm de ser conduzidos à sociedade pela via da educação, pela via da cultura, e sobretudo pela via da socialização. E isso só se faz de uma forma, agindo!

 

LV - Não podíamos deixar de mencionar um tema que foi publicado no teu blogue sobre os tão afamados concursos de televisão e o acesso ao ensino superior. A par com o início do ano lectivo/semestre começam também os referidos programas.

Consideras que se tornou um escape, A casa dos Segredos, para aqueles que, maiores de idade, não vêm outra solução de fazer dinheiro? Ou que simplesmente há muitos que andam desocupados e que a ideia de estar a chegar a idade de “se fazer à vida” querem algo mais fácil e luxurioso, mesmo que efémero?

 

MR - Por outro lado, concursos como Factor X, embora se reconheça o valor de alguns participantes, não será, no nosso país, uma falsa ilusão de sucesso? Isto porque sabemos que passado pouco tempo os “vencedores” desaparecem do panorama.

É sinal dos tempos, hoje mais que uma posição profissional privilegiada, há um sentimento de fama e sucesso fácil associado a estes programas. Não vejo mal nenhum que as pessoas que querem seguir televisão ou espetáculo por exemplo, se exponham a determinados conteúdos televisivos.

Mas o que assistimos é mais que isso, é uma busca inócua por sucesso e reconhecimento, que é vazio, por ausência da valoração do mérito do seu trabalho, mas antes assente em holofotes que se apagam logo que recomeçam estes programas em novas temporadas ou até antes mesmo…

Enfim, será apenas um dado estatístico, mas não deixam de existir cerca de 250% de intervalo. São dados a estudar.    

 

LV - Por fim, o que poderemos esperar do blogue Pontos & Marcas?

 

MR - O blogue surgiu numa fase em que tinha muito tempo disponível para desenvolver alguns conteúdos, e escrever algumas linhas sobre temas variados. Hoje a realidade é outra e o blogue surgirá como veículo de comunicação com o mundo virtual, e com todos os que de alguma forma seguem o que vou desertando, tantas vezes erroneamente por lá.

Para já, haverá um upgrade em termos de layout, e revisão dos conteúdos disponíveis, num futuro muito próximo com a edição em livro (finalmente) de um projeto que desenvolvo há já algum tempo, passará também a ser um meio de partilha de informação nesse âmbito, sempre com a mesma frontalidade e a personalidade que me é característica.  

 

Agradecemos a disponibilidade ao entrevistado e fazemos votos de sucesso para os seus projectos e aguardamos pela obra literária. Quem sabe se a poderemos ver aqui no blogue. 

 

 

 

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Susana Esteves Nunes,

autora de "A força do destino"

 

 

 

 

Conversámos com a autora Susana Nunes e decidimos partilhar aqui convosco algumas das suas respostas às nossas perguntas. A autora institula-se uma apaixonada pela vida… e pela escrita, o que transparece no seu primeiro texto.

 

Seguem-se agora os momentos mais importantes da nossa conversa:

 

Livros de Vidro - Porque começou a escrever?

 

Susana Nunes - Escrevo desde que me lembro. Não livros, claro, mas lembro-me de escrever sempre que precisava de desabafar. 

Era um sonho antigo. Passei a maior parte da vida com essa ideia. Para ser sincera pensei que nunca ia colocá-la em prática. A falta de tempo (que eu insistia em dizer que não tinha) não permitiu a realização deste sonho há mais tempo. Mas o destino encarregou-se de me disponibilizar esse tempo. A vida laboral complicou-se  e o tempo passou a ser mais do que muito… aí percebi que era o meu momento... e dediquei-me ao que mais gosto de fazer... Escrever Histórias

 

LV - Acha-se uma romântica? É aí que vai buscar inspiração?

 

SN- Sim. Acho que sou uma romântica incurável. 

Penso que a inspiração acontece não apenas pelo romantismo, mas sim por tudo o que me rodeia. Sou muito observadora… e isso leva-me a reparar nos pormenores. Para mim, dependendo dos dias, uma criança, um cão, um gato, uma pessoa com uma generosa atitude ou outra com uma reação anormal, pode servir de inspiração.

 

LV- É difícil começar uma história, contá-la para estranhos lerem?

 

SN - Não é nada difícil. Pegando na resposta anterior, qualquer pormenor pode servir de mote a uma nova história. E confesso que por vezes o difícil é segurar a imaginação. 

 

Quanto a partilhar as minhas histórias com os leitores... SIM! É bastante difícil. Principalmente depois do retorno (positivo) que tive de alguns leitores. Desde então passei a temer não corresponder às expetativas com meu segundo livro " Caminho Traído".

 

LV - Depois da decisão de publicar, tem receio da crítica? Qual o seu maior medo?

 

SN - Não estaria a ser sincera se dissesse que não temo críticas. Claramente que sim. No entanto, e desde que as mesmas sejam bem fundamentadas, gosto muito de as ler e ouvir. Pois caso não fossem essas mesmas críticas não conseguiria evoluir. Aliás, preciso delas... boas ou más... desde que sejam construtivas são sempre bem aceites.

 

O meu maior receio é sempre o mesmo: que os leitores não gostem das minhas histórias. Mas fico de coracão cheio quando me dão o retorno... é compensador e dá uma vontade incessante de aumentar a fasquia.

 

LV - Sente-se triste por ver que, no nosso país, o mundo da leitura e da escrita em português é tão desvalorizado?

 

SN - Claramente que sim. Lamento que a litratura lusófona esteja sempre em segundo plano. Mas cabe-nos a nós (amantes da litratura) fazer o nosso melhor para que algo mude. Não é fácil... mas se todos fizermos um bocadinho, talvez um dia se percebam algumas diferenças. 

 

LV - O que acha que falta para que se comece a dar mais valor ao escritor português (desconhecido)?

 

SN - Bom... talvez uma questão do próprio leitor "apostar" um pouco mais nos escritores Portugueses (desconhecidos). Eu própria li recentemente dois livros de novos autores, e posso dizer que gostei bastante. Excluindo nas oportunidades de divulgação, em nada ficam atrás dos escritores (mediáticos).

 

LV - O que pensou ao ver-se criticada em LIVROS DE VIDRO?

 

SN - Tenho de estar preparada para tudo... como já referi existe sempre o receio de que alguém não goste do nosso trabalho... mas vocês foram os queridos. Gostei da crítica e desejo muito sucesso para este novo projeto. Estes blogs literários fazem mais por nós (novos autores) do que muitas editoras portuguesas.

MUITO OBRIGADA POR ISSO!

 

LV - O que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

 

SN - Aconselho que os leiam de coração aberto. Pois ambos passam mensagens importantes, às quais nenhum de nós pode ficar indiferente.

 

LV - Por fim, onde poderão ser adquiridos os seus livros?

 

SN - Como infelizmente os livros não se encontram disponível (fisicamente) em todas as cadeias de distribuição, sugeria a compra online ou diretamente ao autor ou editora.

Online podem adquirir em qualquer local ( Fnac, Bertrand, Wook, Chiado Editora...online)

E para quem estiver interessado em seguir o meu trabalho ou adquirir exemplares, pode fazê-lo através da minha página de facebook:www.facebook.com/susanaestevesnunes

 

Obrigada a todos e obrigada ao blog LIVROS DE VIDRO pela entrevista

 

 

Livros de vidro agradece a boa disposição e disponibilidade da autora e mais uma vez deixa o conselho: Leiam A força do destino! Para romanticas(os) incuráveis!

                                                     

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João P. Simões, autor de "Tecla, o filatelista"

 

Estivemos à conversa com o autor João Simões que nos respondeu a algumas questões, quando perguntado sobre si mesmo respondeu-nos com sinceridade ser um cinquentão devorador de livros e grande amante da boa escrita. Anti Acordo Ortográfico, mas resignado, dadas as circunstâncias…

 

Continuámos a conversa perguntando:

 

Livros de Vidro - Teclas, O filatelista foi a sua estreita no mundo da escrita?

 

João Simões - Sim. O Teclas foi a minha estreia em edição publicada. Tenho mais textos feitos por mim, mas nunca publiquei. Um, inclusive em francês, que me deu o segundo lugar num concurso interescolar em 1982. 

 

L.V. - Porque escolheu um jovem de 14 anos para personagem principal do seu livro?

 

J.S. - O Teclas, personagem principal desta história, foi baseado na minha filha que, na altura, tinha 15 anos. Via-a aqui em casa, as suas atitudes em relação às Novas Tecnologias. Sempre de telemóvel na mão, a enviar e receber sms, no computador no msn, enfim, este é o mundo deles. Pegar em livros para ler, ou dedicarem-se a um hobbie, é difícil. Assim surge o Teclas!

 

L.V. - Sabendo que é colecionador de selos, filatelista, há já vários anos, diga-nos, porque escolheu colecionar selos? O que o atraiu?

 

J.S. - Comecei a colecionar selos aos 6 anos, por iniciativa de meu Pai. Hoje, além da minha coleção, tenho também a dele e continuo a adorar este hobbie. É claro que, há quarenta e tal anos, não havia computadores nem Internet e brincávamos na rua ou dedicávamo-nos a coleções o que era mais produtivo e saudável!

 

L.V. - Explique-nos, como encontra selos para a sua colecção?

 

J.S. - Eu encontrava selos em cartas que recebia. Hoje, o email, veio substituir a carta selada e os próprios CTT ajudaram a aniquilar o selo com os envelopes de taxa paga. Estou ligado a uma casa filatélica que me envia coleções de selos de temáticas por mim escolhidas e os poucos selos das cartas que ainda circulam, são-me dados por amigos ou quando me aparecem na caixa do correio.

 

L.V. - Que valor pode atingir um selo?

 

J.S. - Depende do selo, da sua raridade. 

 

L.V. - Qual o selo que mais gostou de adquirir para a sua colecção? Porquê?

 

J.S. - O Penny-black, o primeiro selo do mundo editado em Inglaterra em 6 de maio de 1840. Raro e caro, é o sonho de qualquer colecionador ter um selo destes na sua coleção.

 

L.V. - Está prevista uma continuação, ou um novo livro, do Teclas?

 

J.S. - Pensei em fazer uma saga depois de editar o “Teclas, o filatelista”. Mas depois achei melhor não, porque caia no erro da saga do Harry Potter e outras sagas que vemos aí nas montras das livrarias. Mas não está fora de questão a edição de outro livro mais elaborado, dedicado a outro público, abordando a filatelia noutro contexto

 

L.V. - O que pensou ao ver-se como o primeiro autor a ser dado a conhecer através dos LIVROS DE VIDRO?

 

J.S. - Senti-me muito lisonjeado. Confesso que não esperava, nem tão pouco uma ideia destas me tinha passado pela cabeça. Tenho de agradecer à Autora do Blogue o ter-me distinguido para iniciar os “Livros de Vidro” que espero que seja um sucesso e, que poderá sempre contar com o meu apoio. Os meus parabéns pela iniciativa, que outros autores venham enriquecer este blogue, sobretudo novos autores. Obrigado!

 

L.V. - O que aconselha a quem nos segue e quer ler o seu livro?

 

J.S. - A Filatelia tem de voltar a nascer. Há que incutir nos jovens novamente o gosto pelo colecionismo e, uma das formas são as publicações sobre o tema. Para quem queira ler o meu livro, basta encomendar-mo, pois ainda aí tenho muitos para venda. 

 

L.V. - Por fim, onde poderão ser adquiridos os seus livros?

 

J.S. - Nas livrarias das capitais de distrito, encontrarão o meu livro. Aqui em Coimbra, podem adquiri-lo na Casa Castelo na rua da Sofia.

 

 

Deixamos aqui o nosso profundo agradecimento ao autor pela sua disponiblidade.

 

Quem estiver interessado em contactar o autor dirija-nos um e-mail que trataremos de estabelecer o contacto entre as partes. 

Aviso!

Os textos aqui publicados são meramente opiniões/comentários próprios e subjectivos, não podendo ser vinculados a qualquer outra pessoa.

Os textos/excertos/citações estão conforme e respeitando o Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos (DL.63/85 de 14 de Março, alterado pela Lei n.º 16/2008, de 1 de Abril), respeitando, portanto, o disposto nos art.º75º, n.º2, al.g) e art.º76º,n.º1,al.a) dos referidos diplomas.

 

O presente Blogue não emprega o novo acordo ortográfico.

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