top of page

COLUNA DO AUTOR

Neste espaço poderão encontrar textos escritos por autores convidados. Os temas abordados serão da escolha e responsabilidade dos autores e poderão abarcar qualquer tema. Esperemos que gostem. 

Acerca do Prémio Nobel…

        Como é do conhecimento público, a Academia Sueca, decidiu atribuir este ano o Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan.

 

         Fiquei, como muita gente, surpreendido por ser um músico a receber o mais alto galardão da Literatura.

 

         Discussões à parte, os tempos evoluem, e a justificação dada pela Academia, é que criou “uma nova expressão poética dentro da tradição americana da canção”.

 

         A Academia Sueca, compara as letras das músicas de Dylan às Obras de Homero e Safo.

 

         Estamos, com efeito, perante uma mudança dos tempos, despegando-nos do que é tradicional, do que é vulgar.

 

         Ao longo de cinquenta e quatro anos, o cantor conseguiu sempre escrever textos que possam ser representados, reinventando novas identidades.

 

         Hoje, vejo este prémio como uma mudança nos paradigmas dos Prémios Nobel. Em bora o próprio criador destes prémios, o senhor Nobel tenha dito que todos os anos se distinguiria uma personagem que tivesse marcado um campo da Ciência, é certo que Bob Dylan marcou essa diferença. Um músico que, com as suas letras, conquista os Suecos!

João Paulo Simões

Outubro 2016

Numa das minhas idas ao futebol… Se há coisas de que gosto, uma delas é ir ao estádio ver o meu clube jogar. E foi num desses dias, já no decorrer do jogo, que me desviei, por momentos, do essencial, ou, talvez, o essencial me tenha invadido o espírito… não sei…

 

Dei por mim em estado observador (mais do que é costume, confesso).

 

Observei atentamente quem me circundava, e principalmente observei as minhas próprias reacções, e foi nesse momento que me apercebi das inúmeras demonstrações de felicidade daqueles que (incluindo eu) manifestam ao longo dos noventa minutos de jogo. 

 

Percebi de imediato que uma grande maioria descarrega o stress do dia-a-dia por ali, e em decibéis acima da media, verbalizando em tom assertivo alguns palavões, dirigidos a quem mal conhecemos, mas de quem naquele instante nos sentimos verdadeiramente íntimos, e com uma moral enorme para lhes dar um valente raspanete, como por ex: “ Vai aprender a jogar à bola”! 

 

Ok, eles são jogadores profissionais, devem de perceber um pouco daquilo. Digo eu...

 

Todos opinamos, ( e não estou a excluir-me) e na grande maioria poucos entendemos do assunto, caso contrário seriamos todos treinadores de futebol ou coisa parecida. 

 

Reparei também na forte comichão que se formava nas minhas mãos… estranho? Não! Nada de estranho… não era nenhuma doença cutânea, (graças a Deus)! Depressa percebi que era a forma veemente de como batia palmas ao incentivar os jogadores da minha equipa, (às tantas já ninguém na área circundante o fazia, sendo eu a única que me fazia ouvir através do som estridente do meu bater de palmas). 

 

Outras das coisas que me causa espécie, e que nunca compreendi muito bem, foi como ainda não me “espalhei” ao tentar sentar-me naquela cadeira (irritante) que recolhe assim que nos levantamos. Passo a explicar melhor… A probabilidade de nos levantarmos em movimentos bruscos, como se tivéssemos uma mola debaixo do rabo, é eminente; ou para comemorarmos um golo ou para “mandar” o árbitro para aquele sítio (que não vale a pena referir). Pois bem… ao senta-me novamente não percebo (até hoje) como tenho o rasgo de não me esquecer que a cadeira está recolhida e de que preciso voltar a puxa-la para me sentar. Isto porque sou trapalhona, e no meio de tanta confusão acho um rasgo da minha parte fantástico! 

 

Não posso deixar de referir, também, aquela parte em que nos levantamos, efusivamente, a fim de comemorar um golo, momento em que cumprimentamos os nossos amigos, e até aqueles que não conhecemos de lado nenhum, (chama-se a isso efeito felicidade), e depois o árbitro dá o golo como anulado! Pior do que isso só mesmo cair da tal cadeira que recolhe! 

 

Depois ainda há a parte musical…As claques fazem-se ouvir através de cânticos (muitos deles fantásticos, mas na realidade não percebo metade do que proferem de forma poética ;) ). Que dão um apoio incondicional às suas equipas, dão, é um facto, mas se me perguntarem se colaboro com tais cantorias, diria que sim, mas na realidade confesso que invento quase todas as letras das canções… Serei a única? Não creio. Mas prometo decorar urgentemente algumas delas, pois até acho engraçado fingir que sei cantar no meio de todas aquelas pessoas que não conheço de lado nenhum.

 

Também existem os adeptos apressados… Aqueles que quando faltam cinco ou dez minutos para o final do jogo (quando não são quinze ou vinte), decidem abandonar o estádio, o que a meu ver é um pouco irritante, (até posso perceber que queiram “ raspar-se” mais cedo para não “levarem” com a confusão), no entanto estão manifestamente a esquecer-se de que os outros (os que querem ver o jogo até ao apito final) não têm de estar sempre a levantar-se para os excelentíssimos passarem. É que não se aguenta… eu pago noventa minutos de jogo, não setenta ou oitenta! 

 

Aproveito para deixar aqui um apelo dirigido a essas lindas pessoas, até porque são do meu clube, e por isso gosto delas na mesma… 

 

Vá…aguentem-se lá até ao final do jogo… depois vamos todos juntinhos (tipo lata de conserva) até ao nosso carro, e ainda apanhamos algum transito até abandonar aquela área do estádio.(Todos a apitar quando ganhamos e todos a apitar, de forma embirrativa, quando perdemos). Sei que é chato, mas para mim também é chato ter de me levantar constantemente para vos deixar passar nos últimos momentos de jogo. Já para não falar que se fazem mesmo questão de ir embora, vão. Não fiquem é especados nas escadas a tapar a visibilidade aos demais. Aos tais (que como eu) querem ver o jogo até ao apito final. 

 

Mas vá… no fundo somos todos amigos (quando o nosso clube ganha, claro). 

 

Isto é tudo bom de qualquer forma. Haja alegria e boa disposição, pois os reais problemas da vida não estão dentro do estádio mas sim lá fora ;) 

 

-Susana Esteves Nunes-

 

Outubro 2016

Há dias em que acordo e penso: a partir de hoje vou tratar aquela pessoa como ela me trata a mim.

Sim, a mim também me desiludem, às vezes dou tudo de mim, faço sacrifícios, ajudo, entrego-me de corpo e alma e depois quando preciso que façam o mesmo por mim, não fazem.

Mas aprendi que a recompensa vem da vida e não das pessoas. Que o bem se pratica, sem esperar nada em troca, só assim é que vale a pena e cada um faz o que tem dentro de si próprio.

Todos os actos têm consequências.

Eu nunca fui vingativa e por isso, acabo imediatamente com essa ideia, de tratar mal ou com indiferença, aqueles que me tratam assim.

Eu não sou assim, não é essa a minha essência.

E tenho de me manter fiel a mim mesma, ainda que por vezes isso me faça sofrer.

Continuarei a ser como sou, a dar-me, a ser generosa e verdadeira.

Cada um é como é. Eu sou assim.

Ana Silvestre

Outubro 2016

       O Ocaso da Vida - Autor Convidado

Quando nascemos e estamos muito entretidos a crescer, não nos preocupamos minimamente com a velhice, porque é algo que não nos afeta e nem pensamos nisso sequer. Enquanto crescemos temos as gerações dos avós, que nalguns casos são pessoas bem mais velhas ou, como hoje em dia a geração dos avós é muito mais nova. Gostamos muito deles e estabelecemos um relacionamento muito próximo, mas exceto em alguns casos em que foram os avós que criaram os netos, os laços que se estabelecem são próximos, mas nunca tão próximos quanto aos laços que nos ligam aos nossos pais. Os nossos pais, sim, esses têm a mesma ligação de proximidade com os pais deles.

Os anos vão passando e a geração dos avós começa a desaparecer e quando acontece, a nossa maneira de lidar com o desaparecimento deles, como netos, é sempre dolorosa. Os nossos pais parecem que lidam melhor com o assunto do que os netos. Os pais parecem sofrer menos com o desaparecimento dos pais e a aceitação é maior, mas sempre um grande grau de pesar. Os pais lidam melhor com isso. Como netos e porque às vezes não assistimos a tudo o que se passou, muitas vezas a morte aparece como uma grande surpresa que nos apanhou despercebidos, porque andávamos tão ocupados a viver que os nossos pais nos esconderam a gravidade da doença para não nos incomodarem, por isso quando acontece custa muito.

Depois de desaparecerem os avós, a vida continua e os anos passam a correr e, de repente, avançou uma geração e começamos nós a ficar na posição dos nossos pais quando perderam os deles.

A minha mãe, infelizmente, morreu com 70 anos, com cancro e todos os momentos que se viveram desde o diagnóstico até morrer foram tão intensos quanto a dor de ver a pessoa de quem mais gostamos a definhar à nossa frente, impotentes, perante uma doença que não se compadece das consequências. É uma doença empedernida e muito cruel. Perante tal evidência, o fim vem como um prémio merecido e como uma libertação de um sofrimento muito grande. Olhamos para esta partida como um alívio muito grande para a pessoa que partiu, mas a doença deixou marcas muito profundas nos familiares, que por sua vez, também sentem o alívio mas ao mesmo tempo uma dor muito grande desta partida tão anunciada há muito. Nesta altura revertemos aos nossos pais quando perderam os deles e começamos a entender o porquê de uma aceitação tão serene.

O meu pai tinha 78 anos e aceitou o facto com uma serenidade tão grande que me fazia inveja. Eu não estava tão conformado assim nem tinha aquela paz de espírito que ele tinha, mas se ele estava conformado, para mim era o mais importante, porque ele tinha acabado de perder a sua companheira de 50 anos de casamento. Não que ele não estivesse a sofrer, estava e muito, mas tudo aquilo a que tinha assistido deu-lhe uma tranquilidade muito grande. Fisicamente e mentalmente estava formidável para uma pessoa daquela idade. Fomos avisados para prestar atenção a ele porque, normalmente os maridos não se aguentam muito tempo a seguir a terem perdido as suas mulheres, mas o meu pai não dava sinais de desespero ou de quem não queria continuar a viver mais, nada disso.

Com 78 anos podemos dizer que já se encontrava a entrar na “velhice” mas como já disse, tinha uma lucidez muito grande e a sua organização de vida era extraordinária. Os anos foram passando e os sintomas de que alguma coisa vinha por aí começaram a mostrar-se. Primeiro começámos a perceber que as coisas que ele fazia de errado eram a antítese dele, tinham que ter uma explicação. Fisicamente estava tudo bem mas havia alguma coisa que não batia certa. Depois percebemos que a noção do tempo tinha desaparecido embora escrevesse tudo num diário para não se esquecer do que fazer, mas mesmo assim falhava.

A partir desta altura até à sua morte aos 93 anos, comecei um processo de aprendizagem sobre o ser humano que embora seja muito esclarecedor e informativo é ao mesmo tempo muito assustador.

Embora e progressivamente se tenha vindo a instalar dentro dele um certo tipo de Demência, esta nunca tomou conta dele completamente e sempre esteve lúcido até ao fim. Esta Demência tinha lados muitos positivos pois qualquer tratamento físico que ele tivesse tido que fazer e fez muitos, ele esquecia imediatamente que os tinha feito ou que teria de os voltar a fazer (por exemplo radioterapia por cancro de pele) o que fazia com que ele fosse uma pessoa muito feliz e que não fazia a mínima das ideias do que é que se estava a passar com ele fisicamente. A Demência neste caso foi uma bênção para ele e para nós. Qualquer pessoa teria desistido de viver ou seria muito complicado viver assim, mas ele estava muito contente.

Com o tempo foi perdendo as capacidades mas, apesar da Demência nunca perdeu a Dignidade nem perdeu aquela Força interior que ele possuía. Sempre com um sentido de humor inigualável até ao fim, sempre com uma resposta pronta para dar a quem se metesse com ele. Foi dos melhores doentes para tratar que eu já vi. Não havia ninguém que não gostasse dele porque tinha sempre umas palavras muito amáveis para quem tratava dele. E foi assim até ao fim…

A diferença entre uma morte prematura por doença ou acidente e uma morte no “ocaso da vida” é enorme no que diz respeito ao ser humano. Numa, a pessoa quando desaparece, desaparece “inteira”, nas suas capacidades máximas, por doença ou acidente é um ser humano “Inteiro”. No “ocaso da vida” a pessoa precisa da família para garantir que o mesmo acontece. Por vezes as pessoas desaparecem dentro de si mesmas, às vezes temporariamente ou por vezes permanentemente embora ainda continuem vivas e cabe-nos a nós, família, de garantir que se, por momentos, voltarem a si ou não, que nós seremos o “chão” que eles sempre foram para nós.

Quando finalmente perdemos os dois pais, a nossa estrutura abana por completo mas cabe-nos a nós honrar aqueles que tudo nos deram para que pudéssemos trabalhar, amar, rir, chorar, respeitar, enfim Viver.

E depois, a vida continua até ser a nossa vez de irmos ter com todos aqueles que nos passaram o Testemunho da Vida.

 

Miguel Castro

Outubro 2016

Please reload

SETEMBRO 2016

ESTAGIÁRIO

 

 

         Primeiro dia de trabalho não remunerado, como está na moda, de um recém-licenciado num jornal local.

         - Bom dia jovem! Podes começar por me tirar um café, sim? – Diz o Diretor.

         - Olha! – diz o redator – De caminho tira-me estas fotocópias.

         - Não sei mexer na máquina – Responde o estagiário.

         - Aprende! – Retorquiu o redator – Não temos tempo para te ensinar!

         - Rápido! Parem tudo! – Anuncia um repórter – Despiste na autoestrada. Dois mortos e cinco feridos, um dos quais com gravidade.

         - Vai cobrir o acontecimento! – Manda o diretor.

         - Não tenho fotógrafo, chefe.

         - Leva o estagiário contigo.

         Além dos mortos e dos feridos, vai também o estagiário desmaiado na ambulância, pois nunca tinha visto coisa tão violenta!

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Setembro de 2016

AGOSTO 2016

CHAMA

 

 

         Pequenina, vai alastrando mato adentro, tornando-se num enorme gigante indomável, consumindo mato, casas, pasto, animais, pessoas.

 

         Ninguém fica indiferente à desgraça alheia, e com a ajuda da água, pouca para dominar um gigante tão grande, qual David e Golias, o gigante vai cedendo. Mas são precisos vários homens, muitos dias e muitas horas sem descanso até que por fim, Golias cede.

 

         Para trás, uma mancha negra de destruição, uma paisagem triste esfumaçante que dificilmente voltará a ser o que era.

 

         Fica o Homem, essa espécie ameaçadora e destruidora capaz de devorar um planeta.

 

         Um dia, será ele o prejudicado. Até já o está a ser. Sem árvores, sem água, sem alimentos, olhará para trás, e verá aquilo que semeou: Nada!

 

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Agosto 2016

Julho 2016

Milú

        

             Não. Não é o célebre cão do Tintin.

         Milú é uma patusca cadela de um ano, preta e branca, resgatada do Canil Municipal, e adotada por uns primos meus.

 

         Tal como todos os anos, nesta altura, vamos uma semana ou dez dias de férias para Peniche. Este ano resolvemos arrendar um T2 a meias com esses meus primos, e rumamos até Vila Nova de Milfontes.

 

         “A Milú tem de ir connosco!” – Disse a minha prima.

 

         E pronto, lá fomos nós de cadela atrás até ao Alentejo.

 

         Foi a primeira vez que passei férias com um canino. Mas portou-se bem. O único senão, é que, quando saíamos à noite e a levávamos, não podíamos entrar em lojas ou cafés. O meu primo ficava com a Milú cá fora, ou então ficava pacatamente dentro do carro.

 

         De manhã, acordava-nos com as suas lambidelas de bom dia. Eu até dizia que ela parecia um sardão, pois aquela língua andava sempre dentro e fora quando lhe fazíamos festas!

 

         Mas nas viagens para baixo e para cima, a Milú portava-se lindamente!

 

         Mas o animal estava fora do seu habitat natural, e, por vezes, lá apareciam uns xixis na sala, nos sacos-cama dos meus primos… mas para o final, lá fazia no seu sítio.

 

         Umas férias diferentes, mas que não aconselho a ninguém. Estamos sempre condicionados ao animal.

 

         Contudo, deu para recarregar baterias!

João Paulo Simões

Milú

         Não. Não é o célebre cão do Tintin.

         Milú é uma patusca cadela de um ano, preta e branca, resgatada do Canil Municipal, e adotada por uns primos meus.

 

         Tal como todos os anos, nesta altura, vamos uma semana ou dez dias de férias para Peniche. Este ano resolvemos arrendar um T2 a meias com esses meus primos, e rumamos até Vila Nova de Milfontes.

 

         “A Milú tem de ir connosco!” – Disse a minha prima.

 

         E pronto, lá fomos nós de cadela atrás até ao Alentejo.

 

         Foi a primeira vez que passei férias com um canino. Mas portou-se bem. O único senão, é que, quando saíamos à noite e a levávamos, não podíamos entrar em lojas ou cafés. O meu primo ficava com a Milú cá fora, ou então ficava pacatamente dentro do carro.

 

         De manhã, acordava-nos com as suas lambidelas de bom dia. Eu até dizia que ela parecia um sardão, pois aquela língua andava sempre dentro e fora quando lhe fazíamos festas!

 

         Mas nas viagens para baixo e para cima, a Milú portava-se lindamente!

 

         Mas o animal estava fora do seu habitat natural, e, por vezes, lá apareciam uns xixis na sala, nos sacos-cama dos meus primos… mas para o final, lá fazia no seu sítio.

 

         Umas férias diferentes, mas que não aconselho a ninguém. Estamos sempre condicionados ao animal.

 

         Contudo, deu para recarregar baterias!

 

 

         João Paulo Mesquita Simõe

Julho 2016

Eu só queria um jardim…

 

         Quando comprámos aquela casa, tivemos de arranjar todo o jardim. Nivelá-lo, ajardiná-lo em condições, regá-lo… Mas eis senão que, a minha mulher, uma apaixonada por plantas, invade aquele pequeno espaço com vasos enormes, mais pequenos, redondos, quadrados, cheios de plantas, autenticas pragas que foram trepando pelas paredes da casa, do telheiro.

         Enquanto as plantas foram pequenas, não me importei. Até montei um chuveiro para no verão tomarmos um duche e estender-nos ao sol!

         Rica vida!

         Mas durou pouco…

         Passados uns dois anos, surge um novo membro na casa. Um cão que ia destruindo todo aquele relvado bonito e verde que eu cortava, aparava e me orgulhava. Manchas castanhas na relva iam surgindo aqui e ali, as plantas cresceram e inundaram o meu jardim que, aos poucos se foi mutilando.

         Hoje tenho o jardim. Tenho. Mas não é a mesma coisa. Por muito que goste de animais e de um espaço verde, eles são incompatíveis. No entanto, lá continuo a regar o meu jardim, a cortar e a aparar a relva, mas já não é a mesma coisa.

João Paulo Mesquita Simões

Junho 2016

Depois da reforma postal de Rowland Hill, o Brasil foi o segundo país do mundo a emitir selos.

 

 

Foi em 1843, com a emissão conhecida como "Olho de Boi".

 

 

Só um pequeno parêntesis, para dizer que na passada semana, estive numa loja filatélica, em que essa coleção me foi mostrada e está avaliada em 6000 euros!

 

 

Portugal, teve o seu primeiro selo dez anos depois com uma emissão de D. Maria II, a governante na altura.

 

O nosso selo foi inspirado do "Penny-black" que continha a imagem da rainha Vitória.

 

O selo clássico é muito procurado pelo seu valo comercial. 

 

Vai ser o próximo tema durante algumas semanas até à 1ª República Portuguesa e Brasileira.

 

 

Selos de D. Maria II de 1853

 

 

Olho de Boi de 1843

João Paulo Simões

Maio 2016

A Filatelia na Península Ibérica

 

 

Depois de Inglaterra ter emitido o seu primeiro selo, outros países se lhe seguiram. Em Espanha, o selo surge pelo decreto real de 24 de outubro de 1849 assinado pelo Conde de San Luís, ordenando a implementação do selo adesivo como taxa para a correspondência espanhola. Assim, a 1 de janeiro de 1850, aparecia a primeira série de selos espanhóis, composta por cinco valores, todos eles com a efígie da Rainha Isabel II, um pouco à semelhança do Penny-black. Desenhados por Bartolmé Coromina, e impressos em litografia na Fábrica Nacional do Selo. Iniciava-se agora em Espanha, a grande reforma postal.

Foi em 1852 que se deu em Portugal a Reforma Postal promulgada pela Rainha D. Maria II. Mas só em Julho do ano seguinte saiu uma emissão idêntica à que tinha saído em Inglaterra, mas com o perfil da soberana portuguesa, inspirado no modelo inglês.
O desenho foi confiado a Francisco de Borja Freire, que segue directrizes combinadas, enviando depois o desenho para gravação. Depois de feita e aprovada a gravura, é fabricada, multiplicando assim as chapas da gravura em folhas de cinquenta ou cem unidades cada uma, sendo depois entregues à Casa da Moeda.
Estava então criado o primeiro selo português, com a taxa de 25 reis.

Até 1865, o selo espanhol apresentou-se sem denteado, com uma separação de um milímetro, e eram cortados à tesoura.
Como estávamos nos inícios da filatelia, os motivos dos selos eram pouco ou nada variados. Assim, e até 1872, todos os selos espanhóis tinham o mesmo motivo, variando unicamente na cor, a efígie da monarca Isabel II.

Portugal emitiu mais cedo outras figuras da nossa Monarquia.
Como referi, o primeiro selo tem a efígie da rainha D. Maria II, mas entre 1855 e 1856, novos selos apareceram, desta vez com o monarca D. Pedro V. A coleção denominava-se "D. Pedro V - Cabelos lisos - Impressão em relevo". Foram impressos um a um, dispostos irregularmente em folhas de 24 exemplares não denteados.

João Paulo Mesquita Simões

Abril 2016

Castelos de Portugal

 

 

         Para quem gosta de viajar e juntar um pouco de cultura mais ao seu saber, é visitar os nossos castelos, conhecendo um pouco da sua história e da História do nosso país.

         A primeira emissão de selos alusiva a castelos surge no ano de 1946.

         Com o fim da II Guerra Mundial, o Mundo, e também Portugal, começaram a despertar para o desenvolvimento quer social, cultural, dando origem a uma sociedade da Informação.

         Embora o selo no nosso país tenha surgido em 1853, os temas neles tratados não eram muito diversificados. Só com o fim da guerra, é que a Filatelia tomou novos horizontes.

         Nesta série constituída por nove selos, estão representados nove castelos que passo a descriminar:

Castelo de Silves, fundado antes da era cristã, foi tomado aos mouros em 1060 por Fernando Magno, rei de Leão e Castela. Formado por imponentes muralhas, abrangia toda povoação de Silves.

         O castelo de Leiria, cuja data de fundação não está desvendada, ronda os 300, 350 a.C. Passou várias vezes para as mãos dos mouros e dos portugueses, ficando em nosso poder no ano de 1194. Construído em cima de um monte, domina todas as terras em redor, e as suas muralhas abraçavam o Paço Real construído por D. Afonso Henriques.

         O castelo da Feira também não tem determinada a sua fundação. No entanto é atribuída aos Godos quando, no século IX, invadiram a Lusitânia. Passou para domínio português em 1093. O castelo tipo moradia feudal, compõe-se duma cerca de muralhas com ameias e seteiras, tendo duas portas e um postigo. A torre de menagem é quadrada, com um torreão a cada canto, sendo a sua construção atribuída aos mouros, por se tratar dum verdadeiro alcácer. Tem uma enorme cisterna, e um singular poço quadrado de grande profundidade e construído de pedra de cantaria. 

            O Castelo de Guimarães, berço da Nacionalidade e onde nasceu D. Afonso Henriques, data provavelmente do século X. O castelo manteve a sua importância ao longo de vários séculos de disputas entre Portugal e Castela. Já no reinado de D. João I, em 1389, após mais um confronto com Castela, são executadas obras de reforço defensivo da cidade, que passou a designar-se Guimarães. Com os progresso militares, as muralhas e os castelos perdem importância e no século XVI, o castelo de Guimarães funcionava como prisão, função que um grupo de vimaranenses, em 1836, usou como justificação para pedirem a sua demolição, o que não seria aceite, e já no reinado de D. Luís, em 1881, o castelo é classificado como Monumento Histórico de Primeira Classe. Actualmente está classificado como Monumento Nacional.  

         O Castelo de Almourol não se sabe a quem pertence a sua fundação, que uns atribuem aos Lusitanos e outros aos Romanos. Foi reedificado por D. Gualdim Pais em 1160, ficando na posse da Ordem dos Templários. Está situado num ilhéu no rio Tejo, na região de Constância, Tancos e Vila Nova da Barquinha. O castelo é formado por altas muralhas guarnecidas de ameias, a oeste com quatro torres circulares colocadas a distâncias iguais, no centro tem a sua torre de menagem igualmente ameada, e a leste mais cinco torres circulares, tendo junto á torre de menagem, mais uma torre quadrada. Servindo longo tempo como aquartelamento e prisão, foi considerado monumento nacional em 1910, e completamente reconstruído em 1938.

         O Castelo de Bragança -  Parece ter sido fundado por D. Sancho no século XIII, e mais tarde restaurado por D. Dinis, tendo sido ampliado e novamente restaurado em 1390 por D. João I. Formado por duas tas de muros, de base geométrica diferente, atalaiados de torres e cubelos de formas variadas que cercam a sóbria e imponente torre de menagem de 33 metros de altura, coroada de merlões simples, flanqueada superiormente por quatro cantoneiras de ressalto, com “matacães” ressaindo do paramento. Janelaria e frestas de ogiva, e seteiras longitudinais e cruciformes. A porta ogival que se vê na face Norte, deveria ter acesso por uma ponte levadiça.

O Castelo de Ourem - Mandado construir por D. Afonso Henriques, que em 1158 o doou a sua filha D. Teresa, foi um forte baluarte, considerado quase como inexpugnável pelos da época. A sua bela torre de menagem com janelas em ogiva sobressai como senhora das restantes torres que guarnecem as suas muralhas.

Outras séries se seguiram e de que falarei aqui não tão exaustivamente, mas que são um marco na nossa História.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Março 2016

51º aniversário da Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra

 

 

         A 23 de fevereiro de 1965, um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra, fundou a Secção Filatélica da Associação Académica.

Em comum, o gosto pela Filatelia, tendo mais tarde, em 1967, aparecido a parte ligada às moedas, a Numismática, entretanto desaparecida.

A primeira publicação literária surge também neste ano. Hoje publica-se a “Cábula Filatélica”.

Tornou-se um dos mais importantes núcleos filatélicos a nível nacional e internacional, inserido na Universidade de Coimbra, única secção filatélica na Europa que pertence a uma Associação de Estudantes e através dos seus mais de mil sócios, é actualmente uma voz viva da filatelia no panorama nacional.

No passado sábado, dia 27 de fevereiro, comemorou-se o seu 51º aniversário.

Apesar do mau tempo que se fez sentir, a visita à feira das velharias, seguida de um almoço num restaurante da cidade, juntaram alguns filatelistas.

À tarde, já nas instalações da Associação Académica, foi apresentada a medalha comemorativa dos 50 anos, que tem por base o selo de 25 reis de D. Maria II, o logótipo da Secção Filatélica, e a reprodução do carimbo comemorativo de meio século de existência.

Finalmente, na sala da Secção Filatélica, cantaram-se os Parabéns, tendo sido partido o bolo de aniversário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Paulo Simões

Fevereiro 2016

 

 

 

 

 

Selos temáticos

 

 

Para iniciar uma coleção temática, temos de comprar ou trocar emissões completas de selos sobre o tema que estamos a abordar.

 

Para conseguir construir essa temática, adquiri em primeiro lugar, todos os selos de emissões completas de Portugal. Depois, e com o passar do tempo, fui adquirindo selos do mesmo tema em trocas no Facebook, em lojas filatélicas e em trocas com amigos.

 

Devo dizer-vos que o Facebook é um excelente veículo de comunicação para - neste caso - Filatelistas.

 

Através dele, tenho adquirido imensos selos para as minhas temáticas que vou completando com os selos recebidos dos vários países.

 

Após ter uma pequena quantia de selos de um tema, há que tratá-los. Esse tratamento faz-se da seguinte maneira:

 

Em folhas próprias para selos que se podem adquirir nas casas filatélicas, elaboramos um esquema de página. Um título para a temática, o nome do país, o ano da emissão que estamos a tratar e o nome dessa emissão. 

 

Para embelezar um pouco mais as nossas folhas, e sobretudo aqueles filatelistas que têm jeito para o desenho, podem compor com lápis de cor, tinta da china e outras técnicas, desenhos alusivos à temática.

 

Agora se forem como eu, com pouco jeito para as Artes Plásticas, não o faço. Recorro à digitalização de imagens alusivas ao tema, e coloco em marca d’água, ou faço um outro arranjo qualquer que seja sugestivo.

Seguidamente e dentro de umas tiras próprias para selos, as chamadas tiras Hawid, coloco a emissão que estou a tratar que depois é colada à folha filatélica.

 

Espero que com esta pequena explicação tenham ficado com uma ideia de como se colecionam selos temáticos.

 

Deixo-vos aqui uma imagem da minha temática do 175º Aniversário do Penny-black, o primeiro selo do mundo.

 

Uma pequena curiosidade. Estas folhas que uso para esta temática, são maiores do que as vulgares folhas A4. Por isso tive de adaptar. Essa adaptação foi por colagem.

 

Numa folha beije, coloquei o título da coleção e o texto. Recortei, e colei na folha filatélica.

 

O resultado é o que está à vista. Uma folha bonita, equilibrada e com o primeiro selo do mundo. 

 

João Paulo Simões

Janeiro 2016

A luz da vida

 

 

         Os faróis, dispersos pelas costas de todos os países, alertam a navegação da aproximação de terra.

         Na minha terra, também há um farol. O farol do Cabo Mondego.

         Trata-se de uma torre quadrangular branca, de alvenaria, com edifício anexo, tem 15 metros de altura. Lanterna branca, com varandim e cúpula vermelhos.

         Situado na extremidade da Serra da Boa viagem, remonta ao século XIX a torre primitiva que serviu de farol até inícios do século XX, foi construída em 1858 com a participação dos Engenheiros Gaudêncio Fontana e Francisco Maria Pereira da Silva.

Esta torre deu lugar ao atual farol, construído em 1917, formado por uma torre central e dois corpos longitudinais. O projeto inicial possuía um ótico lenticular de fresnel de segunda ordem alimentado a azeite; já o novo projeto dispõe de inovações técnicas, designadamente: eletrificação geral, sinais sonoros e radiofarol.

Este Imóvel está classificado como sendo de interesse municipal desde 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 1987, os CTT lançaram uma emissão de selos onde conta este farol. O desenho e pintura foram concebidos pela famosa artista plástica Maluda.

Assim como os faróis comandam as embarcações marítimas, também o sonho comanda a Vida, tal como escreveu o poeta.

Não foi por acaso que escolhi este texto sobre faróis. Porque sendo o primeiro texto de 2016, quero desejar a todos um bom ano, e que os vossos faróis comandem as vossas vidas.

 

 

Dezembro 2015

João Paulo Mesquita Simões

ERRO

 

 

         Dezembro, é para os cristãos, o mês do Natal, o mês em que todos somos solidários, o mês em que nos portamos bem, o mês em que incutimos nas crianças também o portar bem, caso contrário não terão prendas do Pai Natal.

         No meu tempo, não havia Pai Natal. Era o Menino Jesus.

         Lembro-me que na noite de 24 para 25 de dezembro, eu e a minha irmã colocarmos cada um o seu sapato na chaminé da cozinha em cima do fogão. Como éramos ingénuos! Mas tão bem que sabia essa ingenuidade, quando, pela manhã, nos levantávamos e víamos o fogão cheio de prendas.

         Vivia-se mais o espírito natalício. Era mais são, mais ingénuo, como já referi.

         Mas tudo isto não passa hoje de um erro.

      Hoje, já não há Menino Jesus. Americanizou-se o Natal, e o Menino Jesus foi substituído pelo Pai Natal que encontramos em todos os centros comerciais da cidade. O Natal virou um erro. Virou consumismo, virou peditórios para todos os pobrezinhos.

      Dezembro, passou a ser o mês da hipocrisia.

         Podem pensar os Leitores que detesto o Natal. Não. Eu gosto do Natal. Não gosto é das políticas de consumismo, dos falsos peditórios que não chegam a quem devem chegar… Até nos selos! Sim, até nos selos.

   Temos uma emissão de 1995 comemorativa do Natal, em que a palavra Portugal foi omissa. Isto é também um erro. Mas enquanto os erros acima referidos são maus, este erro em filatelia vale muito dinheiro. Esta emissão está avaliada em muitas centenas de euros.

         Claro que, quando se descobriu a omissão da palavra Portugal, outra série saiu já com o nome do país impresso no selo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      Fica o leitor a saber então, que um erro em filatelia pode valer uma fortuna!

     A todos, desejo um feliz Natal, e um ano Novo cheio de coisas boas.

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Novembro de 2015

600 anos Portugal - Ceuta


 

28 de julho de1415. Uma forte armada organizada durante anos, prepara-se para largar do porto de Lagos, a sul do país, com 20 000 homens a bordo de 200 navios com destino a Ceuta no norte de África.

 

Não tínhamos guerras com esta cidade africana e Portugal precisava de se afirmar ao Mundo depois de uma longa guerra civil.

 

A cidade de Ceuta era rica, não se podia opor militarmente, e era um ponto estratégico para a navegação portuguesa e europeia, envolvida no tráfico entre o Mediterrâneo e o norte da Europa.

 

Não era a primeira vez que Portugal tentava tomar Ceuta. Mas desta vez era para ficar. Os monarcas de Marrocos e de Fez, nunca conseguiram recuperar a cidade e havia interesse português em manter aquela praça para controlo marítimo.

 

Foi, após a tomada de Ceuta, que Portugal começou a explorar os mares, descobrindo novas terras, levando a Cultura e fé Cristã. Foi a época dos Descobrimentos iniciada no século XV e XVI.

 

Na comemoração dos 600 anos da conquista de Ceuta, os CTT Correios de Portugal, não quiseram passar de marcar a efeméride com esta emissão composta por dois selos, um de €0,55, que mostra a Igreja de Nossa Senhora de África, em Ceuta, com foto de age (Jordi Camí)/Fotobanco, e um pormenor da Carta do Atlântico Norte, de Lopo Homem, da colecção da Biblioteca Nacional de Portugal, e um selo de €1,00, que representa o Centro Cultural Manzanna del Revellín, um projecto de Álvaro Siza Vieira, com foto de Duccio Malagamba, e outro pormenor da Carta do Atlântico Norte (Norte de África e Estreito de Gibraltar), de Lopo Homem, da colecção da Biblioteca Nacional de Portugal.

Foi emitido também um bloco filatélico, com um selo de valor facial €2,50, e que mostra as Muralhas Reais de Ceuta, com foto de Alamy/Fotobanco, e uma gravura de Ceuta no séc. XVI, em «Civitates Orbis Terrarum», de Georgius Braun e Franz Hohenberg, da colecção da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Os selos e bloco foram impressos na Bélgica, por BPOST, e foram editados dois tamanhos de sobrescritos de primeiro dia e a pagela de apresentação da emissão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Outubro de 2015

Fim de férias

 

         Quando as férias estão a terminar, ou terminaram mesmo, é tempo das arrumações.

         Há quem mude a roupa de verão e ponha mais perto da mão a roupa de inverno, há quem decore a casa de outra maneira, há quem rache ou compre lenha para armazenar para os dias frios e há aqueles que arrumam livros e selos.

         Pois foi esta última incumbência que me coube.

         Mandei fazer uma estante porque estava com falta de espaço para arrumar livros, além dos selos que o meu Pai me ofereceu que eram a sua coleção. O escritório estava cheio de sacos grandes, daqueles das superfícies comerciais, cheios de álbuns, folhas, selos, e não tinha espaço para arrumar. Tenho andado a desocupar estantes do escritório para colocar álbuns de selos, e passar os livros que lá tinha para a nova estante.

         Dá trabalho. É que como trabalho com livros, há que os arrumar por classes. Sim, os livros, por incrível que pareça, têm classes! São nove.

         Para quem gosta de ler e escrever e colecionar selos como eu, é um trabalho apaixonante. Mas tem de ser feito devagar, porque houve o regresso ao trabalho, os dias ainda estão bons para passear ou ir à praia, enquanto a chuva não voltar.

         Isto para vos dizer que tenho uma divisão lá em casa, o meu escritório de pantanas. Mas sinto-me na melhor das companhias!

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Setembro de 2015

Tempo de férias

 

 

         Por excelência, o mês de agosto, é o mês em que todos os Portugueses partem para as merecidas férias de verão.

         Fiz o mesmo.

         Estive numa praia para onde todos os anos vou com a família. Apanhámos um tempo maravilhoso. No entanto, não perdi a minha vontade de ler, de escrever, e de procurar os meus selos.

         Como este ano se comemoram os 175 anos do aparecimento do primeiro selo, há muitos países a emitirem séries alusivas ao tema. Também este ano e o ano passado até 2018, decorrerá o Centenário da I Grande Guerra, e muitos selos já foram emitidos.

         Pensei em coleccionar estes dois temas. Por razões distintas. O primeiro, por ser alusivo ao aparecimento do selo. O segundo, porque embora não goste de guerras, mas o meu Avô paterno foi Combatente em França. Em sua memória, quero fazer esta temática.

         Chegado a casa, entrei em contacto com a casa filatélica que me fornece os meus selos. Questionei sobre estas duas temáticas e, desiludido, vi que seria difícil fazê-las. Telefonei para outras casas filatélicas do país, a mesma resposta. Portugal está a começar a deixar de contactar casas filatélicas estrangeiras para satisfazer os seus clientes! Consegui algumas peças através do Facebook, colecionadores que me enviaram algumas, poucas.

         Resta-me ainda a Secção Filatélica Da Associação Académica de Coimbra.

         Tudo isto para vos dizer que não é o facto de estarmos a gozar as nossas férias, mas sim, a falta de material filatélico que começa a rarear por culpas das Novas Tecnologias, ou será também pela fraca economia portuguesa?

 

 

João Paulo Mesquita Simões

Agosto 2015

Quem foi D. Maria II?

 

(Conclusão)

 

 

            No seu reinado, apesar das vicissitudes por que passou, houve tempo para o progresso. Em 1835, já fora estabelecido o ensino primário gratuito. Em 1836, por acção de Sá da Bandeira, é decretado o fim do tráfico de escravos nas colónias portuguesas a sul do Equador. O primeiro selo postal a circular em Portugal, tinha a sua efígie em branco, moedas de ouro, prata e as primeiras de cobre (…).

 

            A rainha tinha paixão pelo teatro, gosto esse que lhe ficara dos tempos vividos na corte de França.

 

            Vai empenhar-se, apoiada por Garret, para que se construa um teatro que será edificado no Rossio sobre as Ruínas do Palácio da Inquisição – O Teatro D. Maria II – segundo projecto de Fortunato Lodi. As obras vão decorrer entre 1842 e 1846. O tecto tinha pinturas de Columbano Bordalo Pinheiro que foram destruídas no incêndio de 1964 (…).

 

            Em 1838, vai comprar o antigo convento dos monges de S. Jerónimo. O palácio começou a ser edificado em 1844. É o mais belo exemplar da arte romântica do nosso país (…).

 

            Infelizmente D. Maria II não pode desfrutar muito deste local maravilhoso, visto que vem a morrer de parto a 15 de Novembro de 1853. (…).

 

            Texto gentilmente cedido pela Doutora Maria Luísa Paiva Boleo, lançado no portal www.oleme.pt em 21 de Fevereiro de 2005.

 

 

            Nunca Roland Hill pensou que a sua invenção corresse o mundo e tivesse tantos adeptos.

 

            Por outro lado, o selo português, além de abordar os temas mais diversos, também é um múltiplo de arte altamente apreciado em todo o mundo, designadamente por filatelistas dos quatro cantos do globo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

150 Anos do Primeiro Selo Português emitido em 13 de Março de 2003.

 

            Designer: Eduardo Alves

 

            Picotado 12 x 12 1/2 e impresso na Imprensa Nacional Casa da Moeda

 

João Paulo Simões / Julho2015

 

 

História do primeiro selo português

Primeira Parte

 

 

        Depois da reforma postal de Rowland Hill em Inglaterra, Portugal, em 1852, aparece com a sua primeira emissão filatélica que só viria em Julho do ano seguinte, a ser posta à venda.

            Não era muito diferente do penny-black. Nessa altura, governava a rainha D. Maria II que, à semelhança do selo inglês, mandou desenhar a Francisco de Borba Freire uma emissão de selos com o seu perfil.

            O desenho foi enviado para gravação e, depois de feita e aprovada a gravura, é fabricada, multiplicando assim as chapas de gravura em folhas de cinquenta ou cem unidades cada, sendo depois à Casa da Moeda.

            Estava então criado o primeiro selo português, sem qualquer taxa, pois podia circular em cartas de qualquer valor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Selo de D. Maria de 25 reis de 1853

 

Quem foi D. Maria II

 

            “Nasceu num domingo de Ramos a quatro de Abril de 1819 em terras brasileiras. Não teve na Pia Baptismal mais do que um nome pomposo e um título, como se impunha à sua condição de futura rainha – Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Rafaela Gonzaga, princesa da Beira e do Grão-Pará (…).

            Na quinta de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, Maria da Glória vai ter uma infância despreocupada e feliz, educada e muito amada pelas camareiras do palácio e pelos seus pais. Aos sete anos, essa alegria é interrompida abruptamente com a morte da mãe. O pai será o seu grande amigo e protector (…). Estava-se no ano de 1822 e a nossa princesa contava com dois anos e meio quando nas margens do rio Ipiranga se dá o grito da Independência do Brasil. Em Portugal, morre entretanto D. João VI e seu filho, D. Pedro IV, residente no Brasil, vai ter de optar entre ser imperador do Brasil ou rei de Portugal.

            Escolhe o Brasil e, em 1826, abdica do trono de Portugal, em nome da filha Maria apenas com sete anos (…). Esta menina começa a pouco e pouco a perceber que vai deixar de ser criança e que o seu destino lhe vai impor uma conduta diferente da das outras meninas da sua idade. Aos nove anos é mandada para a corte de Viena para ser educada pela avó materna, mulher de Francisco I (…).

(Continua)

 

João Paulo Simões / Junho 2015

A Reforma Postal

O Penny-black

 

 

         No ano de 1840, as pessoas continuavam a comunicar por carta mas sem franquia. Essa era paga pelo destinatário.

 

         Um dia, uma estalajadeira escocesa recebe uma carta de seus familiares a cobrar no destino. Como era pobre e não podia pagar aquela quantia, disse ao carteiro que conhecia as letras dos familiares e, que por isso, estavam todos bem.

 

         Um homem que se encontrava na estalagem, ao ouvir isto, pagou os dois xelins para que a senhora ficasse com a carta.

 

         Este homem era Roland Hill, o pai do selo, que propôs uma taxa fixa a pagar pelos expeditores. As cartas eram postas em pequenos sacos com os lados gomados, o que não foi aceite pela população. Achavam aquilo ridículo e os sacos foram todos queimados. Só deram valor à etiqueta que acompanhava o saco porque lhe viam comodidade.

 

         Hill abre então um concurso entre todos os artistas e homens da ciência, tendo aparecido 2 600 planos e 1 000 desenhos. Não tendo ficado satisfeito com os resultados, esboçou ele próprio um projecto com o perfil da Rainha Vitória tendo no topo a palavra Postage e em baixo a inscrição da taxa. Mandou cunhar e, por ser negro, chamou-lhe penny-black e custava um dinheiro.

 

         Estava apresentado o primeiro selo do Mundo que circulou a partir de 1de Maio de 1840. Estava também lançado o que viria a ser o mais potente sinal posto na mão de alguém.

 

         O sucesso foi enorme em Inglaterra, que outros países lhe seguiram o exemplo. As máquinas não davam vazão perante tanta procura.

 

João Paulo Simões / Maio 2015

O envio da correspondência na Idade Média

 

 

         Os mensageiros, corriam o país de lés a lés, levando a correspondência ao seu destino.

         Havia nessa altura dois tipos de correspondência: a do Rei e a do Povo. A do Soberano partia sempre a qualquer altura, fosse dia, fosse noite, lá seguia o mensageiro com a correspondência do rei e o seu selo real. O selo real era o cunho escolhido pelos soberanos e variava de rei para rei. Há, na nossa História, vários tipos de selos reais, geralmente em cobre como mostram as figuras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O primeiro selo era de D. Afonso Henriques e o segundo de D. Dinis.

         “Não há muitos estudos em Portugal sobre a Idade Média e os primeiros séculos da Época Moderna fundamentados em correspondência privada. Isso explica-se, principalmente, pela raridade deste tipo de fontes. Rita Marquilhas, que coordena um importante e interessante projecto de edição on-line de cartas privadas, explica que a conservação deste tipo de registos não é rara, podendo descobrir-se bastantes, mormente entre processos judiciais que os utilizaram como meio de prova ou de fundamentação de pleitos. Porém, fora desse âmbito judicial, não é muito vulgar encontrarmos cartas privadas dos séculos XV, XVI e XVII em Portugal. Mais raro ainda, é depararmos com conjuntos de cartas como o que aqui se oferece. Sem ser extenso, apresenta consistência por se tratar de escritos em torno de uma personagem produzidos no decurso de poucos anos, e porque, pelos assuntos tratados, e no contexto em que são abordados, transforma-se numa fonte de informação especial para o conhecimento de vários temas que interessam à história da Expansão e da sociedade portuguesa do século XVII”.

 

In: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/10437.pdf

 

         Portanto, e face ao referido, documentos escritos pelo Povo, eram poucos ou nenhuns, pois este não era letrado. Só o Clero possuía o Conhecimento. Mas a ideia que pretendo transmitir, é que documentos circulavam pelo reino de Portugal, com as chancelas dos seus Monarcas e seguiam para outras paragens além mar, nas naus portuguesas.

 

João Paulo Simões / abril 2015

A arte de comunicar

 

        Comunicar, sempre foi uma necessidade do Homem, desde o seu aparecimento na Terra.

         As pinturas rupestres, eram uma forma de comunicação. Depois da descoberta do fogo, os sinais de fumo foram, durante muito tempo, um meio de comunicar à distância.

         Mas o Homem vai evoluindo, tomando conhecimento de outras formas de comunicar, desenvolvendo as mesmas, entre as quais a fala e a escrita.

         Com a fala e a escrita, atingiram-se dois grandes paços para a comunicação. Falar, fez com que o Homem se passasse a entender melhor, dar nomes às coisas, à Natureza, a si mesmo. Escrever, foi uma grande etapa da nossa História, pois passámos a reter na Memória os factos passados, fazendo assim aquilo a que hoje chamamos História e que sem ela, nunca chegaríamos a saber nada dos nossos antepassados.

Os anos passam, os séculos passam, o Homem evolui, constrói barcas para a actividade piscatória e naus para se lançar em novas conquistas. Os Portugueses foram os pioneiros nestas aventuras marítimas que nos levaram os quatro cantos do Mundo, descobrindo-o, levando a Língua e a Fé Cristã, em troca de produtos dessas novas paragens.

 

João Paulo Simões

Março 2015

O (des)Acordo Ortográfico

 

 

         Quando os Portugueses se lançaram na conquista de novas terras “por mares nunca dantes navegados”, levando a nossa Língua e Fé cristã, foi com o intuito de ensinar povos a falarem português, coloniza-los e até, ficaram por essas paragens.

         O Português é uma língua latina muito rica e também de difícil aprendizagem para muitos estrangeiros.

         Ao longo dos séculos, a nossa língua foi sofrendo transformações até chegar ao que é hoje. Mas, desde há alguns anos, uns pseudo intelectuais, acharam que para haver convergência na Língua Portuguesa falada em Portugal e nos PALOP, deveríamos nós portugueses, ajustar a nossa escrita ao modo como falamos e, sobretudo, como fala o povo Brasileiro.

         Assim, e como é do conhecimento geral, todas as palavras com dupla consoante, perdem a primeira à exceção (e aqui está um exemplo) de “facto” que se  o “c” para não se confundir com a palavra “fato”.

Ora o brasileiro, usa “fato” para acontecimento e “terno” para fato de vestir.

No entanto, a acentuação foi também modificada. Vejamos:

         “Para”, pode significar uma preposição ou simplesmente o verbo parar. O animal cagado, deixou de ser cágado… Vejamos o que se passa na maior parte das línguas latinas, anglo-saxónicas e mesmo germânicas.

         Agora escrevemos “Egito” como o brasileiro. No entanto, em francês, inglês e alemão, a mesma palavra leva o “p” antes do “t”.

         Eu sou anti Acordo Ortográfico, mas sou obrigado a escrevê-lo em virtude de dar erros. Mas estes “iluminados” estragaram a nossa Língua Camoniana, com a mania de serem mais “inteligentes” que os outros.

         Acabo como comecei. Se fomos nós que levámos a Língua Portuguesa aos quatro cantos do Mundo, porque é que não são eles a falar e a escrever como nós, e sim ao contrário?

 

João Paulo Mesquita Simões

Fevereiro de 2015

JANELA

 

         Abro a janela do meu quarto com vista para o mar.

         Aquela brisa matinal fustiga-me o rosto com salpicos de iodo.

         Inspiro aquele ar benéfico de que tanto gosto. Desfruto de um bom pequeno-almoço, preparo-me para atravessar a rua e deitar-me sobre aqueles grãos de areia infinitos e olhar a água cristalina que, numa ilusão de ótica, se junta com o azul celeste do céu.

         O mar está calmo. Parece uma piscina interminável. Não resisto, e sou absorvido pelas águas tépidas e salgadas do oceano.

    Que sensação de bem-estar e de liberdade!

        Nado para longe da costa, e quando paro, fico a observar a praia deserta àquela hora da manhã. Os únicos seres vivos são algumas gaivotas que deambulam procurando alimento.

         Olho para a linha acima da praia e vejo a minha janela que me observa silenciosamente. Penso na sorte da minha janela, de assistir diariamente, noite e dia, aquele mar hoje calmo, amanhã revolto, hoje com pouca gente, amanhã com um mar de banhistas… Como é bom ter uma janela virada para o oceano!

 

João Paulo Mesquita Simões

Janeiro 2015

Figueira da Foz – Origens do povoado

 

O Dr. Santos Rocha, notável arqueólogo, demonstrou que já na Idade da Pedra, o local onde hoje é a Figueira da Foz, tinha sido povoado. Provas disso, foram as lascas de quartzo facetadas de várias maneiras, machados de pedra de diversos formatos, que podem ser admirados no Museu Municipal que tem o nome deste investigador.


        Pouco se sabe das idades do bronze e do ferro até ao século XVI. Mas do período romano, apareceram ao Dr. Santos Rocha, fragmentos de tijolo, muitas moedas em Maiorca, na Serra, próximo de Brenha e no Cabo Mondego.
Nos vales de Tavarede e Salmanha, do Louriçal e Fôja, e até nos píncaros da Serra da Boa Viagem, foram encontrados fósseis de peixes e imensas conchas.


        Houve, como se pode observar pelo descrito, uma tremenda convulsão geológica na nossa terra.


        A origem histórica da Figueira, deve constar de 1237, data do valioso documento encontrado pelo Dr. José Jardim. Este documento, é uma doação feita pelo Cabido da Sé de Coimbra a Domingues Joannes, por alcunha Joannes Gago, a Martim Miguéis e a Martim Gonçalvez, povoadores de S. Julião.


        Eram agricultores humildes que receberam estas terras da Figueira confinantes com a Tamargueira e também pelo Paul com as águas que aí afluíam.
Estes primeiros figueirenses, encontraram naquelas terras, toda a sorte de regalos e mimos. Água límpida, sombras macias de fofo arvoredo, frutas apaladadas – especialmente figos de rico sabor, farto peixe de mar e de rio, algumas terras de fácil amanho e cultivo, ar lavado, luz esplendorosa e clima de maravilhar.


        Além de todos estes benefícios, tinham a Igreja onde, à sua volta, foram crescendo cabanas e casas.


        Quanto à versão que corre acerca do nome da Figueira da Foz, deve ter sido uma enorme figueira (ficaria) que lhe deu o nome. Essa árvore estaria situada entre a Praça Nova e o Largo do Paço. Homens das serras desciam o rio nas suas barcas características, cheias de lenha e pinho, servindo também para a condução de famílias de Coimbra, que vinham veranear para a Figueira.


        Atracariam ao cais facilmente acostável, onde existia a tal figueira e diziam que vinham à Figueira da Foz (do Mondego), chamando assim ao local onde atracavam.
Daí, o nome do povoado.

(Baseado em: “Aspectos da Figueira da foz de Maurício Pinto e Raimundo Esteves, 1945)

 

João P. Simões

Dezembro 2014

Dois autores, dois estilos

 

 

         Devoro livros. São a minha paixão. Há, no entanto, dois autores portugueses de quem gosto particularmente, mas que são diferentes como pessoas e como escritores, com estilos diferentes. São eles o José Rodrigues dos Santos e Miguel Sousa Tavares.

         José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o 24 horas. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002.
Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Director de Informação da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros.

         As suas obras vão do romance biográfico, como O Homem de Constantinopla, Um Milionário em Lisboa, passando pela ficção com o livro A Chave de Salomão à venda desde 23 de outubro passado.

         Uma mistura de ficção e realidade como só Rodrigues dos Santos sabe fazer para cativar o Leitor.

         Não menos importante, Miguel Sousa Tavares, é um homem que classifico com esta frase – e ele que me perdoe a minha sinceridade – bruto como o pai no discurso, e um doce como a mãe na escrita.

         Jornalista português, Miguel Sousa Tavares nasceu no Porto, sendo filho da poetisa Sophia de Mello Breyner e do advogado e jornalista Francisco de Sousa Tavares. Depois de se ter licenciado em Direito, exerceu advocacia durante doze anos, mas abdicou definitivamente desta profissão para se dedicar em exclusivo ao jornalismo.

Estreou-se na televisão em 1978, ao entrar para a Radiotelevisão Portuguesa.
 

Foi um dos fundadores da revista Grande Reportagem em 1989, publicação da qual se tornou director logo no ano seguinte. Manteve-se na direcção da revista durante cerca de dez anos até ser substituído por Francisco José Viegas.

Miguel Sousa Tavares tem vários livros publicados, quase todos de crónicas. O primeiro, Sahara, a República da Areia, foi editado em 1985 e constava de uma reportagem. Seguiu-se, dez anos depois, uma colecção de escritos políticos chamado Um Nómada no Oásis e O Segredo do Rio e, em 1997, um conto infantil. Em 1998, saiu o livro de crónicas de viagens intitulado Sul e, em 2001, Não te Deixarei Morrer David Crockett, que reuniu os escritos da revista Máxima. Neste último ano, foi também editado Anos Perdidos, uma colecção de crónicas dedicada aos governos de António Guterres entre 1995 e 2001. Miguel Sousa Tavares estreou-se no romance com a obra Equador, que, editado pela primeira vez em 2003, vendeu mais de 250 mil exemplares, tendo sido reeditado no mesmo ano. O sucesso desta obra foi tão grande que, posteriormente, acabaria por ser lançada a nível internacional (Brasil, Holanda, Alemanha, República Checa, Espanha e América Latina). Em Outubro de 2007 publica Rio das Flores, com uma primeira tiragem de 100 mil exemplares.
 

Para quem ainda não teve oportunidade de ler nenhuma obra destes dois autores, espero que esta crónica vos cative na busca de um destes títulos de referência portuguesa e que não devemos deixar de ler.

 

João Paulo Simões

Novembro 2014

DO MONDEGO ATÉ À FOZ

 

 

         Os nossos avós, segundos pais, contam-nos muitas histórias do seu tempo e de tempos ainda mais distantes. São um poço de sabedoria popular, hoje pouco em voga.

 

         Quando eu era um jovenzinho, adorava ir para casa dos meus Avós e, sobretudo com o meu Avô, deliciava-me a ouvir as suas histórias.

 

         Todos somos figueirenses, e o meu Avô um apaixonado pela Figueira da Foz e, muitas vezes, devido ao peso da sua idade acompanhado da arteriosclerose, repetia muitas vezes a mesma coisa, mas sempre com um sentido histórico verdadeiro.

 

         Fiquei assim a saber como tinha surgido o nome da nossa cidade.

 

         As gentes que vinham de Coimbra, Montemor, e todas essas terras banhadas pelo Mondego, desciam nas suas barcaças carregadas de lenha e outros produtos, o rio até à foz.

 

Era costume perguntarem-se onde iam e onde amarravam os barcos.

 

Ora, como na foz do Mondego existia uma enorme figueira (ficaria), e pelo que diziam os antigos dava bons figos, os barcos eram aí amarrados.

 

E assim, pelo facto de virem à foz do Mondego e amarrarem os seus barcos à figueira da foz do Mondego, a hoje centenária cidade ficou com o nome de Figueira da Foz.

 

 

 

Origem do Povoado

 

O Dr. Santos Rocha, notável arqueólogo, demonstrou que já na Idade da Pedra, o local onde hoje é a Figueira da Foz, tinha sido povoado.
 

Provas disso, foram as lascas de quartzo facetadas de várias maneiras, machados de pedra de diversos formatos, que podem ser admirados no Museu Municipal que tem o nome deste investigador.
Pouco se sabe das idades do bronze e do ferro até ao século XVI. Mas do período romano, apareceram ao Dr. Santos Rocha, fragmentos de tijolo, muitas moedas em Maiorca, na Serra, próximo de Brenha e no Cabo Mondego.

 

Nos vales de Tavarede e Salmanha, do Louriçal e Fôja, e até nos píncaros da Serra da Boa Viagem, foram encontrados fósseis de peixes e conchas.

 

A origem histórica da Figueira deve constar de 1237, data do valioso documento encontrado pelo Dr. José Jardim. Este documento, é uma doação feita pelo Cabido da Sé de Coimbra a Domingues Joannes, por alcunha Joannes Gago, a Martim Miguéis e a Martim Gonçalvez, povoadores de S. Julião.

 

Eram agricultores humildes que receberam estas terras da Figueira confinantes com a Tamargueira e também pelo Paul com as águas que aí afluíam.
 

Estes primeiros figueirenses, encontraram naquelas terras, toda a sorte de regalos e mimos. Água límpida, sombras macias de fofo arvoredo, frutas apaladadas – especialmente figos de rico sabor, farto peixe de mar e de rio, algumas terras de fácil amanho e cultivo, ar lavado, luz esplendorosa e clima de maravilhar.
Além de todos estes benefícios, tinham a Igreja onde, à sua volta, foram crescendo cabanas e casas.

 

João Paulo Simões

Outubro de 2014

Amigos ( ou não)...

 

A vida vai colocando no nosso caminho todo o tipo de pessoas. Por vezes não é fácil perceber imediatamente quem SIM e quem NÃO deveria fazer parte da nossa vida, não evitando, dessa forma, alguns dissabores e alguns danos irreversíveis. Infelizmente existem pessoas que invadem o nosso pequeno mundo para deixar uma grande confusão! Pessoas de má índole, pessoas que lidam mal com o bem dos outros... Tenho dificuldade em perceber alguns sentimentos, assumindo ter tolerância zero à inveja e ao egoísmo... 

Felizmente também existem as outras pessoas, aquelas que entram na nossa vida para fazer o bem. Os amigos verdadeiros que anulam por completo o mal que os outros teimam em fazer, aqueles que vibram com os teus sucessos mas também dividem as tuas angústia... Aqueles que estão sempre lá mesmo que não os vejamos com a frequência desejada. 

Os amigos são a família que escolhemos, é uma frase que corre as bocas do povo, e uma frase que subscrevo na íntegra, pois se a família é o nosso suporte, o nosso porto de abrigo, o nosso TUDO, ( ou pelo menos deveria ser), os amigos são igualmente importantes para a nossa vida. Sinto que sou uma privilegiada por, ao longo da vida, ter conseguido fazer grandes amizades, e por continuar a fazê-las. Tenho pena de quando "tropeço" nas tais pessoas "más", mas também tenho consciência de que, até essas, contribuíram para eu crescer como ser humano, pois tudo faz parte da vida, tudo é aprendizagem. 

Acabei de completar 40 anos, e fazendo uma retrospectiva, apenas posso concluir que sou uma pessoa abençoada, tenho amigos fantásticos... Quanto aos tais, os "Maus",  foram, e serão, sempre, "engolidos" pela sua própria maldade.

 

Susana Esteves Nunes 

Julho 2016

Abandonar os nossos velhos é como abandonar a alma! 

 

É tão difícil, para mim, compreender as pessoas que abandonam outras pessoas... Pessoas essas que, supostamente, e na maioria dos casos, cuidaram e amaram, incondicionalmente, aqueles por quem hoje são desdenhados, preteridos e abandonados à sua mercê num lar qualquer.

( Há lares e lares) e logicamente que me refiro ao abandono dos nossos entes mais queridos, e como se não fosse suficiente, em lares inóspitos. Querendo com isto salvaguardar o facto de concordar com os lares. ( Eu, por exemplo, se chegar a uma idade avançada, e não tiver autonomia, também gostava de ir para um, porém, não gostava de ser abandonada num! Faz toda a diferença). E já agora um lar normal, pois acredito que também os há.

Como conseguem os filhos,(dos pais abandonados), dormir descansados, sabendo que os pais, já velhinhos, vertem lágrimas de tristeza ao sentirem o desprezo dos filhos. 

É só cruel, estúpido e desumano... Eram tantos os adjetivos que podia escrever neste pedaço de texto, mas nunca seriam os suficientes para descrever os energúmenos que praticam este crime!

 Revolta-me... Mas desejo que estas novas leis venham por ordem nesta desordem humana! Nesta humanidade pérfida e falida de sentimentos. 

Não se deseja mal a ninguém, eu sei. Perdoem-me, então... Mas a única coisa que desejo a quem abandona, é que os vossos filhos, um dia, vos tratem, sempre, como vocês trataram os vossos pais! E perante esse facto, caso as minhas preces sejam atendidas, desejo-vos uma péssima velhice.

 

"As rugas são o conhecimento da vida. Ao invés de afastares os velhos de ti, cerca-te deles e da sua sabedoria. Depressa perceberás que não existe melhor escola do que a companhia de qualquer um deles". 

 

 

(Voltarei certamente a escrever sobre este tema, talvez no texto do próximo mês. Até porque quem já leu o meu livro "Caminho Traído" percebe que é um tema que me revolta, e acho que precisa de ser falado, ou neste caso, escrito, mais vezes). 

 

Susana Esteves Nunes 

Junho 2016

Ler é o melhor remédio

 

Gosto quando um livro me eleva ao melhor de mim... Quando me faz sorrir, chorar, viver! É indestrutível esta vontade de mergulhar numa história que, por momentos, é também a minha vida. Não concebo a ideia de quem diz não ter tempo para ler. Tenho de respeitar, claro. Se as pessoas que o dizem, soubessem o mal que fazem a elas próprias, jamais repetiam essa frase. Normalmente preferem reclamar de tudo e não fazer nada para alterar hábitos. Ler, por exemplo, já deve de ter ajudado muitas pessoas em momentos críticos. Enquanto se lê um livro a vida fica mais cheia, mais completa de momentos bons. Uma espécie de meditação... ( dizem que a meditação serve para nos desligarmos do mundo), pois eu prefiro ler, tem em mim o mesmo efeito. No meu caso gosto de ler e gosto ainda mais de escrever e de criar histórias. De tal forma que costumo dizer diversas vezes que - "A escrita salvou-me a vida, logo, como adoro viver, jamais deixarei de escrever" -. A todas as pessoas que dizem não ter tempo para ler, deixo o conselho...  Comprem um livro, e à noite, bem antes de adormecer, e depois de todos os mil afazeres que uma casa e uma família implicam,  leiam duas ou três páginas do vosso novo "companheiro", que é como quem diz, do vosso novo livro... Vão ver que, ao final de um tempo, a vossa vida vai ficar muito mais rica. Há quem diga que a leitura abre mentes, desenvolve ideias e ajuda a relativizar alguns contratempos. Nunca é tarde para mudar... Ler é o melhor remédio. :) 

 

 

Susana Esteves Nunes 

Maio 2016

Viagem a Nova Iorque

 

Já não é a primeira vez ( e espero que não seja a última) que passo férias em Nova Iorque. Muitas pessoas perguntam-me porque tanto me fascina aquela cidade. Costumo responder que há coisas que não se explicam, sentem-se. E é isso mesmo que acontece... Nova Iorque sente-se.

Uma cidade que não dorme, uma cidade sem preconceitos... Ninguém (ou quase ninguém) olha de lado para o casal homossexual que passeia por Time Square ou ao fim de semana no central park, empurrando um carrinho de bebé. Ninguém vira o pescoço para criticar o fulano que passou vestido com roupas pouco convencionais ou de cabelo verde ou roxo. 

As cores que vestem a famosa Time Square são tantas que nos dispõe desde o primeiro momento que a contemplamos, e a alegria de quem se passeia em turismo contrasta com a velocidade de quem, de passo acelerado, se dirige para o emprego, fazendo-se sempre acompanhar de um café ou chá num copo descartável. 

As sirenes das ambulâncias ou dos carros de polícia parecem estar sempre em ação. A probalidade de nos cruzarmos com as gravações dos filmes que vamos ver mais tarde no cinema, é bastante... O que faz os delírios de qualquer cinéfilo ( como eu)! A agitação de Time Square contrasta com a beleza natural do famoso Central Park; um verdadeiro bálsamo para a alma. Um parque que impera beleza; tanto coberto de neve, como no esplendor da primavera. Belezas semelhantes com cenários tão díspares. Ambos magníficos. E por falar em cenários... Todos estes nos lembram os filmes que estamos habituado a ver nas grandes telas dos cinemas. Somos influenciado por eles, é inevitável. 

Claro que tudo isto contrasta com o que de menos belo existe naquela cidade. Naquela cidade como em qualquer outra cidade do mundo. A pobreza, ( muitos e muitos mendigos), a falta de civismo ( não generalizando ), pois não acho certo julgarmos um povo, pelas atitudes de meia dúzia de imbecis. 

Outro ponto negativo... Comida! Saudades da nossa comida portuguesa... é sem dúvida uma das melhores do mundo. 

Muito mais havia a dizer, claro. Mas quem me conhece sabe que não gosto de escrever textos longos. ( acho sempre que se pode tornar maçador para quem os vai ler). No entanto, termino com a mesma frase que já havia escrito antes.

Adoro viajar, ainda assim, o melhor das viagens é o regresso a casa, o regresso ao nosso cantinho, o regresso ao nosso Portugal. Pois com todos os defeitos que possa ter, acredito que é um dos melhores lugares do mundo para se viver.  

 

Susana Esteves Nunes 

Abril 2016

Sobre violência doméstica.


Um flagelo que não conheço na primeira pessoa, mas que não me é de todo indiferente. 

Uma força sem limites.

É assim que defino a força de uma mulher, SEM LIMITES. Lutar por um papel principal, neste filme a que chamam de vida, não é fácil... Acredito que todas as mulheres, ou pelo menos as que lutam, conseguem sempre ser protagonistas na vida de alguém. Não concebo a ideia de saber que existem mulheres que se anulam diante dos seus pares. Custa-me constatar a violência, espelhada numa sociedade perdida. Indigna-me ver adolescentes aceitarem, com displicência, os maus tratos do namorico, (que arranjaram ontem) e que julgam ser para toda s vida. (salvaguardando que o inverso também me Irrita), pois preso demais o respeito pelo próximo.
Lutar por um papel principal (neste filme a que chamam de vida) pode passar por isso mesmo... Impormo-nos à primeira bofetada ou à primeira falta de respeito seja ela de forma física ou verbal. Gritar ao mundo ao invés de se fecharem numa "concha". Tentar ajudar alguém (perdido), é, também, uma forma justa de conseguirmos o tal papel principal. 
Diz-se por aí que se dão as batalhas mais difíceis aos melhores soldados. Pois bem, não terá sido por acaso que a mulher é que dá à luz ou tem dores menstruais... Que têm de lutar mil vezes mais para conseguir um salário maior... Entre um sem número de coisas que temos de lutar mais! Por tudo isto repito, não concebo a ideia de que, essas mesmas mulheres, não se imponham perante uma ofensa corporal ou verbal. Seja na adolescência ou na maturidade! 
A força que precisamos está dentro de nós. É só procurar. Dá trabalho... Mas compensa! 
Ressalvo a importância de o mesmo acontecer com muitos homens, infelizmente a violência existe de homem para mulher/ mulher para homem e ainda respinga nos animais. Se cada um de nós, mesmo que meros espectadores, fizer a sua parte, nos indignando perante estes factos e principalmente AGINDO, já estamos a conseguir ser protagonistas no filme mais importante da história... A VIDA! 


Susana Esteves Nunes
Março 2016

Viajar é mais do que uma paixão.

Desconfio que nasci para viajar... Tenho uma vontade incessante em conhecer o mundo e todos os seus encantos ( e desencantos). Uma das coisas que me faz feliz é a programação de uma viagem, seja ela fora ou dentro de Portugal. Confesso que quando entro num avião, com destino para a um qualquer lugar no mundo, sinto ainda mais adrenalina, ( e medo também) pois a ideia de viajar num gigante dos céus leva-me a sentir que vou para longe da minha zona de conforto. É bom, de quando em vez, sairmos da nossa zona de conforto...
O "medo" de estar longe mistura-se com a emoção de poder visitar outras cidades, outras culturas, outras vidas, outros costumes...
Costumo dizer que o melhor das viagens é o regresso a casa :) no fundo é apenas uma forma de expressar o valor do nosso cantinho...

Existe ainda uma outra forma de viajar... Esta não menos importante... através da leitura de um livro. Foram tantas as viagens que já fiz, sem que para isso precisasse sair do lugar. Tantos os locais por onde me perdi, tantos as peripécias que vivi, tantos os conhecimentos que ganhei.

Por tudo isto digo... Viajar é mais do que uma paixão... é sem dúvida um AMOR!


Susana Esteves Nunes
Fevereiro 2016

Maldito cancro!

Tantas são as pessoas que sofrem deste flagelo! Desta malvada doença! Deste temível cancro!
A primeira vez que tive contacto com o cancro ( sim, devemos chamá-lo pelo nome), foi de forma trágica, pois ainda mal sabia quem ele era, e o "cabrão" já me tinha levado uma amiga. Porra! Eu só tinha treze anos, ela teria uns doze, pois era um pouco mais nova. Não compreendia muito bem... Mas sofro até hoje pela perda que tive. Mais tarde, por volta dos meus vinte anos, o cancro voltou a assombrar os meus! Desta vez o meu querido avô paterno. O " filho da mãe" do cancro voltou a fazer das suas. E, eu, sem alternativa, tive de vê-lo sucumbir, definhar. O meu querido avô nada podia fazer. O maldito venceu!
Nos dias que correm todos temos amigos, amigos dos amigos ou familiares que, infelizmente, viram o cancro a entrar nas suas vidas sem qualquer cerimónia! Fico indignada... Triste, doente, também... As redes sociais ( muito bem ) partilham apelos sucessivos, a fim de tentarem angariar valores para que as famílias ( em puro desespero)  possam esgotar todas as hipóteses que as suas crianças ainda podem ter. Fico angustiada por pensar que, por falta de algumas centenas de euros, os pais tenham que assistir à morte prematura dos filhos, sem antes esgotarem todos os tratamentos existentes por este mundo fora. O dinheiro... Sempre o dinheiro!
Ainda assim, o cancro também se deixa vencer. São muitas as pessoas que lhe dão uma valente chapada e conseguem ultrapassar esta maldita doença!
A todas as pessoas que estão a passar por este flagelo, fica o meu sincero abraço. Coragem! Nunca desistam. A teimosia nestes casos é uma característica muito relevante.

Susana Esteves Nunes
Janeiro 2016

O medo

Enfrentar o medo é a vontade de cumprir com o que temos de melhor... VIVER! O medo pode ter efeitos nefastos! Já numa outra linha de raciocínio, o medo é a consciência que dita o perigo. Precisamos do medo para nos orientarmos e não fugirmos daquilo que, à partida, nos pode prejudicar de forma irreversível. O ser humano tem a capacidade de discernir os dois lados desse medo! Temos capacidades que muitas vezes desconhecemos, e acaba por ser mais simples do que podemos imaginar. Escrevi há tempos uma frase de que gosto particularmente.
"Ser escravo do medo é uma espécie de morte antecipa".
Não sou de extremos... Basta utilizar o medo de forma a não nos afetar mais do
que o necessário para ser feliz. Até porque o medo costuma roubar muitos sonhos. E sonhar é o caminho certo para dar "asas" a muitas realizações pessoais. Em seguida vem a coragem e a perseverança... E, claro está... Um "chega para lá" no medo!
Desejo a todos um ano "sem medos" de lutar pelo que vos faz bem!
Feliz 2016!

 

Dezembro 2015
Susana Esteves Nunes

 

Querida Lisboa

 

Um passeio pela baixa de Lisboa permite-nos paisagens inebriantes, momentos únicos… Em suma, momentos felizes :)

 

O perfume das castanhas; assadas pelas mãos de quem toda a vida se dedicou este ofício. Os turistas de máquinas fotográficas em punho registando todas as belezas que a cidade dispõe. Os mais desfavorecidos que, até mesmo na condição de sem-abrigo, muitas vezes sorriem sem esperar nada em troca. Os artistas de rua que mostram as suas habilidades esperando uma crítica em forma de donativo… Ou os inúmeros homens e mulheres estátua que são uma espécie de obra de arte humana… As folhas outonais que se apresentam nas suas diferentes formas e que vestem as ruas de um cenário quase perfeito. Costumo dizer: Se a cada folha caída se pudesse atribuir uma letra, de certeza que, ao se juntarem, formariam palavras repletas de amor... Adoro o outono e todas as suas belezas... Adoro Lisboa e todos os seus encantos.

 

Susana Esteves Nunes

Novembro 2015

 

 

 

Amigos

Quem é que não tem um amigo ou um familiar que já não vê há  meses ou até anos? Amigos ( ou familiares) que foram, e continuam a ser, muito importantes para nós? Aquelas pessoas de que nos lembramos imensas vezes mas inexplicavelmente nos falta a coragem de agarrar no telefone para trocarmos algumas palavras, ou para combinar um almoço, um jantar ou um café. Até parece incongruente, pois se nos fazem tanta falta e se os estimamos tanto, tínhamos o dever  de conviver com eles mais vezes, e não estarmos anos sem lhes pormos a vista em cima. O mais interessante de tudo isto, é que o facto de estarmos anos sem nos vermos, quando estamos juntos,  parece que nunca estivemos separados pelo tempo. A verdadeira amizade tem destas coisas... E eu, felizmente, tenho a sorte de ter alguns amigos que fizeram, fazem e sempre farão parte da minha vida. Já outros desistiram de fazer parte de mim, de fazer parte da minha história e da minha vida. Na impossibilidade de agradar a todos, fiz cálculos... E cheguei a uma conclusão... Ficaram os que realmente importam. E, muito importante, também, um cantinho ( grande) para os amigos que hão de vir.

 Existem momentos na vida que percebemos quem sim, quem não e quem nunca deveria ter passado pela nossa vida. No entanto, até os que passaram para deixar "estragos" foram importantes para o nosso desenvolvimento.

  A vida é uma corrida contra o tempo... No meio de tantos afazeres acabamos por nos perder nas prioridades e acabamos por dar mais do nosso tempo ao que é aparentemente mais necessário para a nossa vida. Há que definir melhor as nossas prioridades e assegurarmos melhor as nossas escolhas.

Susana Esteves Nunes
Outubro 2015

O Outono já espreita...

Embora o tempo não indique, o verão já se encontra na reta final ...  e com ele vão embora os banhos de sol e de mar, as famosas bolinhas de Berlim... Vão embora os dias quentes, as noites  afáveis e os petiscos deliciosos, que normalmente servem de desculpa para juntar amigos num final de tarde, enquanto assistimos à incomparável beleza do Pôr-do-sol.( um cenário que gosto particularmente). Para muitos, (mas já de baterias recarregadas), vão embora as férias de um verão desejado ao longo de quase um ano de trabalho.
A estação sucessora é, para mim, das mais atraentes estações do ano. A mais romântica, talvez. Diria que o Outono tem uma beleza inigualável... As ruas vestem-se das folhas que as árvores deixam cair, o frio começa a fazer-se sentir com mais intensidade, e o Sol teima em não desaparecer, dando o ar da sua graça e não deixando esquecer um verão há pouco passado. É esta mistura de cores e cheiros que me fascina.
Tiramos os primeiros casacos do armário e contemplamos a beleza que a natureza, tão gentilmente, nos proporciona com todo o seu esplendor. Agarramos o livro que estamos a ler e desfrutamos da sua
história sentados num banco de jardim, rodeamos das folhas amareladas que as árvores dispensam sempre nesta altura do ano. O cenário perfeito... Adoro!
Mais uma vez sou "obrigada" a referir que a felicidade são realmente momentos. E ler um livro num jardim, sentindo as primeiras brisas de outono, pode, muito bem, considerar-se um excelente momento de felicidade.

Setembro 2015
Susana Esteves Nunes

Tolerância (ou a falta dela)!

Acredito que, nos dias que correm,  a maior parte dos comuns mortais seja desprovido de tolerância. Assusta-me ver a falta de paciência que as pessoas apresentam... Por muito pouco, hoje em dia; discute-se, agride-se, mata-se (ou tenta-se acabar com a própria vida). Não se tem paciência para filhos, ou para pais! Vive-se num mundo demasiado  egocêntrico que leva as pessoas a não saber viver em sociedade... Enfim... O valor das pessoas parece cada vez menor.
A tolerância pode acabar com muitos destes, hediondos, comportamento. Já ao contrário, a falta dela, pode ser nocivo e perigoso... Ser tolerante não é uma característica que não se possa aprender. Logo, aconselha-se vivamente. Tenho a certeza de que, ao longo dos anos, aprendi a ser (ainda mais) tolerante. E gosto disso!

Gostem também e sejam mais tolerantes :) acreditem que compensa :)

Sejam felizes... E lembrem-se; as coisas têm a importância que lhes queremos dar! ;)

Agosto 2015
Susana Esteves Nunes

Pequenos grandes prazeres!

Um dos maiores prazeres que tenho na vida, é pisar a areia da praia, enquanto escuto o barulho das ondas do mar. Sinto que estou viva, sinto que a natureza nos proporciona um sem número de coisas tão boas... Desperdiça-las é quase um ato insano!

A tudo isto se juntar a leitura de um livro, é o complemento perfeito para um dia feliz!

Escrevo diversas vezes sobre...
"A felicidade é feita dos pequenos momentos que nos dão prazer".

Pois bem... Acredito que, um punhado desses bons momentos, nos podem fazer pessoas melhores e seres humanos mais felizes. Mas não se esqueçam... A única coisa que cai do céu é chuva! A felicidade procura-se...  E na maioria das vezes encontra-se. Pois normalmente está mais perto do que podemos imaginar. Estar atento é um começo, e para que as coisas aconteçam é outro.

Muitas vezes, a distância entre a felicidade e a infelicidade é muito curta... Basta para isso termos atitude! Caso contrário a vida passa, olhamos para trás, e o que restou foi uma vida vazia e sem gosto de felicidade.

Dá algum trabalho... Mas compensa ser feliz!


Susana Esteves Nunes
Junho 2015

Maus-tratos a animais... CHEGA!

Existem poucas coisas que me tiram realmente do sério. Por norma, quando não gosto de alguma coisa ou de algum tema, simplesmente abstenho-me de quaisquer comentários. Ou, pura e simplesmente, ignoro quem pretende perturbar a minha mente! Mas existe um tema que ultimamente ( ou melhor dizendo; desde sempre) me tem perturbado bastante, não consigo, nem devo, ignorar. ( é também bastante discutido nas redes socais e em alguns noticiários de tv), e é de facto um assunto que me tira completamente do meu estado calmo ou do meu comportamento normal e educado. Refiro-me aos maus-tratos a amimais!
Como será possível, em pleno século XXI, ainda existirem "aberrações", repito, aberrações, que consigam tais atrocidades? Sempre que leio ou vejo algo sobre este tema fico em estado de fúria. Chega de desculpar esses energúmenos! ( sei que saiu uma nova lei... Já é um avanço) mas sugiro pena máxima para todos aqueles que, deliberadamente, fazem mal aos animais. Mas o que pode levar um ser humano ( supostamente racional) a cometer tais atrocidades? Não compreendo! Dou graças a Deus de nunca ter presenciado uma cena dessas, e acredito que quem o faça também deverá agradecer, pois se alguma vez  me deparar com algo do género vou, com toda a certeza, perder toda a educação que os meus pais me deram... E vou de certeza partir para cima deles com toda a deselegância! Vou certamente ser consumida pela raiva, ( a mesma que sinto ao ler ou ver notícias sobre o assunto), mas na presença dos acontecimentos pior será...
Por favor... Chega! Sugiro a esses idiotas o seguinte; quando pensarem em abandonar ou em fazer mal a um animal, pensem melhor.., optem antes por bater com a vossa própria cabeça, durante longos minutos, por exemplo, numa parede ( pode ser naquelas paredes pintadas a tinta de areia... Assim
dói mais)! E deixem por favor os amimais em paz! Por favor! É um apelo! Se não são capazes de cuidar dos mesmos, entreguem os amimais a uma instituição... Ou procurem alguém que vos fique com eles. No verão, infelizmente, existe um aumento significativo de abandono de animais de estimação. Para as pessoas que conseguem tal crueldade, deixo, mais uma vez, um apelo ao vosso bom senso... Vá lá... Lá no fundo da vossa imensa estupidez, deve de haver um coração com alguma coisa boa. Entreguem-se a ela e tornem-se pessoas melhores! Nunca é tarde para mudar, e muito menos é tarde para se redimirem do mal causado a esses seres indefesos.

Obrigada.

Susana Esteves Nunes
Julho 2015

Ser gentil não custa!


Parece que dizer obrigado passou de moda ou é impressão minha? Fico em nervos quando paro numa passadeira, para deixar alguém passar, e o único retorno que tenho é um olhar frio e distante do peão em causa. Pergunto-me se custava muito gesticular um agradecimento?? Também sou peão e não padeço desse mal! Gosto de agradecer, gosto de mostrar que valorizo os pequenos gestos das pessoas. Embora seja uma regra, não custa dizer obrigada! É indolor... E os benefícios são muitos.

Parece que saudar as pessoas também está em desuso. Como por exemplo entrar numa loja e saudar a pessoa que está atrás do balcão. As pessoas não são bonecos! Bem sei que o inverso também acontece. Entrarmos numa loja e a pessoa responsável pela mesma não espalhar grande simpatia.

E quando saudamos alguém que não conhecemos? Pois é... O mais provável é pensarem que somos tontinhos. Eu até tinha o hábito de saudar uma vizinha... Uma velha senhora, moradora do rés-do-chão do prédio mesmo colado ao meu. A janela, ou o que avistava dela,
era a sua companhia diária. Optei por lhe dizer bom dia! Pois passava todos os dias muito perto da sua janela. O retorno não foi simpático... O silêncio foi a única resposta que obtive. Não fez diferença ao ponto de não voltar a insistir... No dia seguinte tudo se repetiu, e o silêncio continuava a ser a única resposta da velha senhora. Por vezes, mal me avistava a sair do prédio, fechava a janela, mas estranhamente permanecia lá. E eu lá gesticulava um BOM DIA! Mas um dia vencia pelo cansaço... Para além de lhe arrancar uma saudação diária, ainda vinha acompanhada de um sorriso. Um envergonhado sorriso... Mas não deixava de ser uma vitória para mim.

Ser gentil não custa! É indolor e os benefícios são muitos!

Felizmente também existem muitas pessoas gentis.... Para essas pessoas fica o meu BOM DIA E UM OBRIGADA! :)

Maio 2015
Susana Esteves Nunes

A vida do avesso

 

Nem sempre percebi as voltas que a vida deu. Nem sempre aceitei as mudanças. Era intolerante a tudo o que vinha agitar o meu pequeno mundo… Impaciente por natureza. Legitimo, não? É perfeitamente natural não aceita os dissabores da vida, as contrariedades excessivas que teimam em permanecer e que normalmente não trazem data de validade. Os problemas parecem infinitos… Parecem ter vindo para passar umas longas férias! Insuportável… Aquela sensação de avançarmos dois passos e recuarmos três! Testam-me ao limite! Testam a minha tolerância, sugam-me a resistência…

 

Porém também nos levam a perceber que, afinal, aguentei mais do que alguma vez imaginei. Sou mais forte do que alguma vez julguei e aguentei as vicissitudes como se estivesse a lutar pela sobrevivência no meio de uma onda gigante.

 

Mais tarde, ainda meio aturdida, e sem percebe muito bem como ultrapassei a tempestade, concluí que a consequência das contrariedades eram, afinal, o caminho da felicidade e da mudança… Caso contrário ainda estaria tudo no mesmo lugar. 

 

O problema era esse… aquele não era o meu lugar! Encontrei-me no meio da tempestade e percebi que o meu lugar é aqui… onde sou feliz!

 

Por vezes não compreendemos os caminhos tortuosos da vida, por vezes a intolerância leva-nos ao desespero! No fim das contas valeu a pena… apanhei os cacos, guardei-os num lugar secreto e segui em frente.

 

Cheguei à conclusão de que me desmoronei para me voltar a reconstruir.

E ainda em “reconstrução” apraz-me citar uma frase que escrevi no meu primeiro livro… “Nada acontece por acaso… Tudo na vida tem o seu propósito.”

 

blogdeautora.blogspot.pt

 

Susana Esteves Nunes

Abril 2015

 

Sobre a Solidão

 

És ambígua!

Gosto de ti, mas temo um dia poder odiar-te!

Gosto de estar só e de partilhar ideias comigo, como se dentro de mim vivesse uma outra pessoa que apenas eu conheço. Costumamos até discutir ideias. Bem sei que parece lunático, mas é a minha realidade.

Saber estar só, e privar apenas da nossa própria companhia, é meio caminho andado para sabermos estar bem, e de forma saudável, com os outros.

Nem todos conseguimos escutar o silêncio que habita dentro de nós... O que é de lamentar, pois com todos os defeitos que possamos ter é importante que nos conheçamos bem e que sejamos sinceros connosco.

 

Mas existe o reverso...

A solidão sem querer!

A solidão obrigada!

A solidão que vem para ficar. Aquela que não deixa alternativa!

Aquela que deixa o eco dos momentos outrora passados.

 

Existe uma linha ténue entre a solidão que podemos escolher, e aquela que um dia nos é imposta. É triste perceber que podemos ser abandonados por aqueles que mais amamos. Infelizmente uma realidade bem presente na nossa sociedade.

É urgente mudar as mentalidades de quem consegue tais atrocidades!

 

A solidão só é saudável quando é uma opção!

 

Susana Esteves Nunes

Março 2015

 

Saudade

 

Costuma dizer-se que quando existe saudade é sinonimo de termos vivido momentos inesquecíveis. (Tão verdade).

Saudade dos momentos, que em muitos casos, jamais voltarão. Certamente momentos que ficarão para sempre na nossa memória, e devidamente arrumados num privilegiado lugar do nosso coração. Sentir saudades de alguém é sinónimo de que a pessoa foi, e sempre será, especial. Tudo o que foi bom jamais nos abandonará. Podem passar dias, meses ou anos, a saudade não morre. Muitas vezes transforma-se numa dor insuportável, numa vontade impossível de violar todas as regras da vida e da morte! Transforma-se numa impotência atroz pelo que deixámos por dizer, deixámos de fazer ou simplesmente deixámos de viver. É demasiado o tempo que, sem percebermos, desperdiçamos e desvalorizamos. É altura de olharmos a vida com mais atenção… Lembra-te… O tempo não é infinito.

 

Susana Esteves Nunes

Fevereiro 2015

O MENDIGO E O CÃO

 

Não sei se me choca ou se me apaixona...

Não sei se me sensibiliza ou me revolta... 

Vários sentimentos desconcertados ao observar esta realidade: um homem sentado num chão sujo e frio, numa rua qualquer de Lisboa ( ou do mundo) tendo apenas como companhia o seu cão e amigo...

Amigo esse que nada pede em troca... mas permanece lá... 

Amigo que conhece a fome tal como o seu dono... mas nem por isso lhe vira as costas...

Amigo que enfrenta o frio, para ele próprio, através do seu pelo, aquecer o seu companheiro de vida.

 

Do outro lado um mendigo... que partilha com o seu amigo de quatro patas um pequeno pedaço de pão...

 

Se isto não é amor não sei apelida-lo de mais nada!

 

Tantas pessoas, tantos filhos, tantos pais, que abandonam, deliberadamente, e por razões tão menores... Estes exemplos fazem refletir... Mesmo por tão pouco, um animal não abandona o seu dono por nada. Temos muito que aprender com os animais ou é impressão minha? Não... Não é impressão minha!

O ser humano está a perder muitos valores, e a importância de refletir sobre estes assuntos é mais relevante do que pode parecer aos olhos de muitos de nós... No que toca a sentimentos (PUROS) temos realmente muito a aprender com os animais!

 

É muito curta a distância entre o sucesso e a derrota... Entre a vida que temos hoje e aquela que podemos  vir a ter amanhã... Mas quando existe amor tudo se torna menos doloroso. Se não partilharmos amor de nada nos vale todo o dinheiro do mundo! 

 

E na hora da verdade fica quem realmente importa... Os verdadeiros amigos.

 

Susana Esteves Nunes

Janeiro 2015

Meu querido Dezembro

 

Como se costuma dizer... Os últimos são sempre os primeiros. És de facto um mês encantador. Um mês de tradições. Acolhes o Natal e também a passagem de mais um ano. As ruas vestem-se de luzes e dos tradicionais enfeites natalícios. A rapaziada escreve as suas cartas ao velho pai Natal, revelando toda a inocência e pureza tão característica da pequenada. Um mês de balanços e novas promessas... Um mês de esperança e prosperidade... Um mês de agradecimentos por mais um ano vivido. Porém és frio... mas acolhedor... propício à lareira, a uma taça de vinho tinto e à leitura de um bom livro. Um mês esperançoso...  Todos ansiamos um vizinho ano repleto de coisas boas. 

 

Meu querido Dezembro... depois de tantos bons momentos, e chegado o teu último dia, fechas mais um capítulo das nossas histórias de vida... E tudo recomeçará num dia que já não te pertence.

 

Feliz mês de Dezembro para todos! 

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

 

Susana Esteves Nunes

Dezembro 2014

O Mar

 

Sinto-me como o mar...
Naquele momento nada mais havia a fazer se não observá-lo.
A sua força domina...
O seu poder assusta...
A sua revolta intimida... dando a entender que, ele próprio, se manifesta de algo, ou se tenta libertar de alguma coisa. Não somos assim tão diferentes…Tantas vezes me sinto como ele: O mar! Também me acalmo como uma onda serena e sinto força como uma onda gigante. Mas também me revolto com os infortúnios da vida!

É tão bom observa-lo… Ir buscar um pouco do seu poder e da sua força… ultrapassar a tempestade e aguardar por mares mais calmos e serenos. Aqueles que levam, nem que temporariamente, os dissabores da vida.

O que resta? Não sei bem… tal como ele: O mar. Que nem sempre leva o justo e deixa o certo… mas acredito que tudo acontece por alguma razão. Se é certo? Também não sei! Como diz o filósofo“ só sei que nada sei”. E eu, que por aqui vagueio na esperança de todos os dias aprender mais alguma coisa, apenas me resta lutar pela única coisa que está ao meu alcance…SER FELIZ! 

 

Susana Esteves Nunes

Novembro 2014

Sobre Momentos...

 

 

Obviamente a vida não é perfeita.

 

Quem nunca viveu um dia onde, nos seus mais íntimos desabafos, lhe apetecia morrer ou desaparecer? Sim. Por vezes a vida parece ingrata, sem sentido...insana!

 

Maus momentos todos temos… valorizá-los demais já é opcional...

 

Estar em constante mudança é sinal de inteligência... Principalmente se essas mudanças contribuírem, consideravelmente, para o nosso bem-estar.

 

Bem-estar esse que procuramos incessantemente… algumas vezes por caminhos tumultuados e adversos… e muitas das vezes com o sentimento de derrota já tatuado na nossa maneira de estar na vida…Portanto será importante mudar. Um bom começo será valorizarmos mais os bons momentos que a vida nos permite, e desvalorizar os menos bons.

 

Afinal de contas não existe a felicidade plena. A felicidade são momentos. E será nesses mesmos momentos que teremos que reunir as forças necessárias para suportar os infortúnios da vida.

Sejam felizes!

 

Susana Esteves Nunes

Outubro 2014

AUTOR CONVIDADO

Eu sou daquelas pessoas que acham que se deve mimar ao máximo os filhos

Para mim ser mimado não é sinónimo de ser malcriado

Mimado é sentir-se amado, é saber que quando é preciso os pais estão sempre lá para nós

É não ter dúvida nenhuma que somos a coisa mais importante na vida dos nossos pais

E uma criança que é mimada sabe tudo isso e é feliz, e tem boa- auto estima e sabe que mesmo que se se portar mal e levar uma palmada ou um raspanete dos pais, eles continuam a amá-la

Uma criança mimada é capaz de conviver com as outras livremente e de ficar em casa de alguém, porque sabe que os pais irão buscá-la mais tarde porque a amam acima de tudo

Uma criança mimada é capaz de falar com os pais acerca dos seus sentimentos, e é capaz de dizer que sentiu inveja ou ciúmes ou raiva de algum colega, porque sabe que os pais vão ouvi-la, vão dar-lhe conselhos, vão abraçá-la, mas não vão deixar de amá-la, apesar de ela não ser perfeita

Uma criança mimada, não é uma criança malcriada. Uma criança malcriada não aceita um não dos pais, não aceita as regras. É muito diferente de uma criança bem amada ou seja, mimada.

Ana Silvestre

Junho 2016

Os gestos de bondade e de generosidade sempre me comoveram e são esses valores que eu sempre tentei passar aos meus filhos, e embora me orgulhe muito quando eles conseguem um bom desempenho escolar, aquilo de que mais me orgulho é de quando eles têm atitudes bonitas.

Ontem uma colega do meu filho mais novo deitou ao chão o pacote de leite de uma colega, não sei porquê, talvez atitudes próprias de crianças de 11 anos que se zangam e a colega que perdeu o seu pacote começou a chorar e então o meu filho perguntou-lhe se ela queria que ele lhe fosse comprar um novo pacote de leite, com o dinheiro que eu lhe tinha dado para o almoço.

E aquilo que mais me comoveu foi que essa colega, nem é propriamente do seu grupo de amigos, nem uma menina por quem ele nutra algum «tipo» de interesse. Fê-lo porque se comoveu com as lágrimas de outra criança e eu fiquei muito orgulhosa dele.

Tal como já disse anteriormente, os meus filhos às vezes também têm más atitudes, também se portam mal, mas depois há estes gestos que fazem toda a diferença.

Ana Silvestre

Maio 2016

A maior riqueza que alguém pode ter nesta vida é a sua integridade, o seu carácter, a sua dignidade e a sua honestidade.

Quando os perdes, perdes tudo.

Perdes o respeito por ti próprio, perdes a fé em ti.

Por isso, pensa bem antes de tomares qualquer ação contrária áquilo em que acreditas.

Tu és assim? Tu conseguirás viver contigo se perderes alguma destas verdades que existem em ti?

Talvez consigas, talvez nem sejam importantes para ti.

Para mim, são os meus pilares, são a minha essência.

 

Ana Silvestre

Abril 2016

As nossas vivências diárias podem condicionar o nosso desenvolvimento e a nossa personalidade, mas só até onde deixarmos.

Numa família de vários irmãos, verificamos que embora as experiências possam ser semelhantes, isso não os torna iguais e nem todos lidam com a adversidade da mesma forma. A força e a forma como lidamos com cada situação está de facto dentro de nós.

Basta olharmos para a história e observarmos como Nelson Mandela lidou com o facto de estar preso durante tantos anos, quando saiu, em vez de incitar ao ódio, incitou ao amor e reconciliação.

A jovem Malala, após ser atingida a tiro na cabeça, tendo quase perdido a vida, acabou por receber o Nobel da Paz.

Quem foi Hitler? Será que nasceu mau? Ou será que não soube lidar com os conflitos, com o facto de a mãe lhe ter morrido e deixou que o ódio e a raiva o transformassem num dos maiores monstros da nossa história?

Também não é o facto de nascermos numa família rica ou pobre que determina aquilo que seremos, basta olharmos para o Cristiano Ronaldo para constatarmos isso. Teve sorte? É capaz, mas todos sabemos porque ouvimos, que a determinação e trabalho dele são superiores às de todos os colegas.

Somos nós e só nós que decidimos de que forma vamos lidar com os nossos traumas, com as nossas vivências e com tudo aquilo por que passámos.

E dentro de uns anos, espero assistir a alguns feitos extraordinários, executado por algum dos jovens refugiados, que neste momento luta pela sua sobrevivência e que daqui a uns anos, com a sua experiência de vida, fará algo que deixará todos boquiabertos.

 

Ana Silvestre

Março 2016

Quando tu te calas e não expressas a tua opinião ao assistires a uma coisa que consideres injusta, estás a ser conivente.

A neutralidade não leva a lado nenhum, não estás a ser bom ou útil a ninguém, nem sequer a ti próprio, tu tens voz e tu podes fazer a diferença, apesar de talvez seres até o único no meio de uma multidão.

A honestidade será sempre a nossa melhor arma, mesmo perante a desonestidade dos outros. A verdade, a nossa verdade, é sempre melhor do que as mentiras dos outros.

Tu és responsável pelo que fazes e por aquilo que deixas de fazer, com medo da opinião ou do julgamento dos outros.

Tu és único, não há ninguém exatamente igual a ti e, com a tua singularidade podes de facto ajudar alguém.

Atreve-te a seres quem és, vais ver que vale mesmo a pena.

 

Ana Silvestre

Fevereiro 2016

UM PÁSSARO NO RAMO

 

 

            Véspera de natal. Percorria uma conhecida avenida da capital com o almoço de família palpitando nas ideias. Parecendo que não, os minutos avançavam já para lá do meio-dia e os assuntos de estômago sempre são casos sérios que exigem uma resolução pronta. Isso ou a frágil substância do pequeno-almoço era então deveras indisfarçável.

            Ao longe, o outro topo da referida avenida mergulhava na neblina que teimava em não levantar. A humidade reinante sugeria o conforto do sobretudo e do cachecol, pelo que o coração alegrou-se por deles se ter lembrado. Natal autêntico não pode dispensar o gelo das aragens ou o cinzento dos céus. Juntos despertam um calor de estranha origem, criando afagos interiores que são recebidos com terno agrado. Afirmo tal coisa por nunca ter conhecido um outro tipo de natal, mais leve no que à indumentária diz respeito, mais propício à caipirinha e ao samba? Certamente. Mas não implica a falha experiencial o descrédito dessa outra fortemente vivida.

O automóvel deslizava suavemente pela estrada quase deserta. Na rádio, canções da época eram reproduzidas vezes sem conta. Até esse mantra natalício parecia ajustar-se ao dia que se vivia, à parte qualquer desgaste das harmonias saboreadas por anos de igual festejo. Nada era estrangeiro no cenário circundante ou em seus componentes de circunstância.

A cidade estava, portanto, praticamente limpa de carros e de gente. Lembro-me de desejar que Lisboa fosse assim por muitos mais dias ao longo do ano. Doce ilusão… Devo ter sorrido, levemente, ao formulá-la em moldes tais, pois é hábito que o faça em idênticas situações. Já alguém provou a doçura espremida de quimeras que jamais deixarão de o ser? Recomendo o exercício, ainda que inútil seja em relação ao seu sentido mais prático. Reanimo a bendita a cada ano que passa, mas a menos que troque de cidade não verei tão cedo o anseio concretizado.

A conversa no interior da viatura durava à vários minutos e desenrolava-se de modo agradável, mas o apelo do silêncio subitamente latejou. Talvez impulsionado pelos contornos do cenário, melhor bebido quando a mudez se instala. Mas é complexa a arte de aquietar o coração no seio do mais agitado dos mercados. Por vezes, é recomendável esperar pela ocasião propícia, assim como um fruto melhor se saboreia quando maduro se colhe.

Um semáforo mudou de cor e o veículo abrandou a marcha – como convém, diga-se. Eis o momento ideal para o silêncio florescer enfim. Era óbvio, não? Entre dois movimentos, o repouso desponta. Tanto como entre duas nuvens o sol espreita.  

Em parcos segundos a fome da alma acalmara. Não a sua fome mais evidente, pois essa dificilmente se deixa calar; mas aquela fome profunda que pulsa em noites sem lua. Os olhos estenderam-se pela paisagem urbana disposta em redor e, sem esforço, colheram alimento enquanto algo nas funduras do ser se distendia como um estreito rio diluindo-se em oceano infindo. Nada mais se exigiria.

Entre a neblina ondulando tão imperceptivelmente num longe quase perto, a brisa soprada num húmido registo lembrando gaivotas e mar, um corredor solitário e uma esplanada vazia, a beleza da calma desolação daquela manhã madura, talvez tarde jovial (quem diz conhecer a fronteira?), cintilou em vagas de silêncio. Estando assim centrada a atenção, simplesmente nítida na brandura de um barco parado em calma maré, um pequeno pardal saltitando por ramos quase despidos captou a mercê do seu enfoque. Se antes não pude dar certezas quanto ao sorriso esboçado noutro específico momento, é certo que agora o garanto sem dúvida que me assombre.

As aves têm uma curiosa forma de falar ao âmago de cada um; basta que o indivíduo a isso se proponha. A linguagem dos pássaros é tecida num silêncio de ouro que só as mais aquietadas mentes conseguirão escutar. Não obstante, são adoráveis seres que sempre cativam o meu melhor interesse. E estando ali, numa árvore meio despida junto do semáforo duma avenida habitualmente tão concorrida, pulando de ramo em ramo, ora limpando o bico ora alisando a pena, aquela singela presença teve a arte de despertar em mim um absurdo pensamento. Saberia a pequena ave que o natal aprontava-se para nascer? Celebrá-lo-ia, até?

Para que querem as aves e os demais seres alados, passantes ou rastejantes os feriados estabelecidos por forja humana? Como perguntar a quem faz dos dias uma canção se celebra o simbolismo duma quadra que para ele não existe? Enquanto as questões acumulavam-se, o pequeno pardal continuava a cumprir a sua espontânea coreografia de ramo em ramo, como se bastasse nascer pássaro para saber cada passo daquela misteriosa dança, querendo por gestos seguros dizer-me algo como quem nada diz. No auge do nosso grandioso conhecimento somos profundamente néscios.

As perguntas continuavam a juntar nebulosidades a um céu interior que por breves instantes tão limpo estivera, mas o pássaro gentil largou subitamente em voo rumo a um horizonte que só ele conhecia, tão indiferente às complicações mentais, tão cintilante na liberdade de ser apenas o que é, tão seguro na inocência de quem vive o natal de todos os dias. Talvez soubesse que no seu alheamento lembrava ao ente humano a futilidade de tanta acção cumprida sem que o seu profundo motivo sequer se questione.

O sinal abriu a luz verde que guardava em si. Alguém mais impaciente decidiu lembrar-me que os automóveis também se munem de buzina; e a conversa entre os parceiros de viagem renasceu a partir de um fragmento de ideia solta. Então continuei o trilho do destino que me aguardava, mas sem pressa ou inquietude, sorrindo uma vez mais ao encanto dos mistérios que não exigem entendimento – somente experimentação.

 

Pedro Belo Clara

Janeiro 2016

A uma semana do Natal detenho-me a pensar no estado do mundo e em como quase nada do que se passa neste momento tem a ver com o espírito natalício.

O Natal evoca o nascimento de Jesus Cristo e como tal os seus ensinamentos. E o ensinamento que ele nos trouxe foi que devíamos amar o próximo como as nós mesmos, que não devemos julgar os outros, que devemos ser solidários e bons para o próximo, que não devemos ser gananciosos ou mesquinhos. Que alimentar o espírito é muito mais importante do que alimentar o corpo ou nossa ganância e o desejo de sermos melhor do que os outros.

É, estamos de facto muito afastados do espírito natalício, mas nesta altura quase todos se tornam mais generosos e por isso o meu desejo para este Natal e para todos os que acreditam em Deus e no seu filho Jesus, é que pensem nos outros unicamente como pessoas.

Que façam aos outros o que gostavam que lhes fizessem a eles.

Que todos possam ter um teto e comida e uma cama para dormirem.

Paz a todos, é o que desejo neste Natal e solidariedade.

 

Dezembro 2015

Ana Silvestre

Celebrei no mês passado, vinte e cinco anos de casada, ou seja as bodas de prata. O meu 

marido fez-me uma surpresa, ofereceu-me um cruzeiro, que eu adorei.

Viajámos e conhecemos algumas cidades europeias. Mas como sou observadora e gosto de 

conhecer outras culturas e maneiras de estar, detive-me por diversas vezes a observar as 

outras pessoas. Descobri que somos todos muito parecidos. 

Logo na primeira noite, conhecemos em Barcelona um alemão fantástico mais novo do que 

nós, com um coração enorme e afável.

Na viagem conheci ainda franceses, alemães, chineses, portugueses, italianos, polacos e 

brasileiros, tudo boa gente, ótimos seres humanos.

E no último dia, quando já estávamos de malas aviadas, prontos para o desembarque 

enquanto aguardávamos no piso três, repleto de gente, observo dois casais alemães.

Os homens sentaram-se a conversar um com o outro, calmamente. Uma das mulheres apoiou-

se sobre a mesa à sua frente e a outra começou a fazer-lhe reiki, ali em frente a todos, sem 

vergonha, num piso de boas vindas, com um bar e inúmeros sofás e pessoas sentadas. Ia 

passando as mãos pelo corpo da amiga, completamente alheada do que se passava à sua 

volta.

No final abraçaram-se as duas e beijaram-se, como eu costumo fazer com os meus amigos, 

sem pudores de demonstrar sentimentos e eu fiquei a pensar que somos todos muito 

parecidos. Ainda bem que assim é.

 

Ana Silvestre

Novembro 2015

O que eu aprendi com os meus cães

 

Durante toda a minha vida, sempre quis ter cães, mas quando vivia em casa dos meus pais, não podia ter, por isso, ia-me sempre contentando em brincar com os cães dos outros.

Quando já vivia na minha casa, decidi que estava na altura de arranjar um cão. Sempre quis ter um Golden Retriever, porque são cães com um carácter muito dócil e têm um focinho tão bonito que uma pessoa só quer agarrar e dar milhões de beijos.

Fui ao Canadá numas férias e mesmo antes de me vir embora, vi um anúncio num jornal local, sobre uma ninhada de Golden Retrievers que estava à venda. Por acaso, o criador morava a menos de um quilómetro da casa onde eu estava e não resisti, decidi ir vê-los e perguntar o preço para poder comparar com os preço que se praticavam cá. Devo confessar que o que eu queria mesmo era ver os cachorros, o preço seria mais curiosidade.

Quando chegámos a casa dos criadores, o barulho que os cachorros faziam era notório. 

Mandaram-me entrar para um jardim que estava dividido ao meio por uma vedação. De um lado estava a família dos criadores e do outro lado estava a família canina, composta pelos pais e por nove cachorros.

Depois de um interrogatório cerrado feito pelos criadores acerca das intenções e da qualidade de vida que seria dada a um potencial cachorro, deixaram-me ter acesso acesso aos cães. Confesso que todas as respostas que dei eram a verdade, mas não tinha a mínima das intenções de comprar um cão, eu queria mesmo era ver os cachorros e mais nada e nunca pensei ser interrogado daquela maneira.

De repente, abre-se um portão e oito bolas de pêlo começam a correr na minha direcção e eu fiquei sem palavras para descrever aquela visão. Fiquei de tal maneira apaixonado por todos que me vieram as lágrimas aos olhos. Os pais da ninhada também me rodeavam e lambiam-me a cara toda. Aquilo era um festival de cães por todos os lados. Os cachorros tinham dois meses e eram tudo aquilo que eu imaginava ou muito mais. Como eu disse anteriormente, eram nove os cachorros, mas só oito correram na minha direcção. Houve um que ficou para trás a olhar para mim à distância, como quem não queria passar muito confiança, estava ali para analisar a situação e nada de intimidades. Nunca se aproximou. Os irmãos e as irmãs numa festa à minha roda e ele sempre distante. Achei aquilo o máximo e fartei-me de rir com aquela atitude. Fui eu que me aproximei dele e ele gostou que eu o tivesse feito, porque a partir dali ele já não saía mais dos meus pés. Ainda estive pelo menos uns vinte minutos a conversar com os criadores e a apreciar todo aquele espectáculo canino. Todos os cachorros já se tinham ido deitar nas camas deles, a novidade já tinha passado mas aquele ficou ali ao meu  lado sem nunca mais me largar. Quando dei por ele, estava a roncar com a cabeça em cima dos meus pés.

Os criadores até comentaram que ele já me tinha escolhido como dono e eu concordei , porque ele parecia estar no céu em cima dos meus pés. Eu mal me mexia para não o acordar. Só sei que a partir daquele momento eu senti que aquele seria o meu cão, só não sabia muito bem, como é que ele viria para Portugal comigo, essa seria outra questão.

Foi difícil ir embora e deixar o “meu” cachorrão, aquela bola de pêlo para trás.  Disseram-me que teria que tomar a decisão até dali a cinco dias se queria o cão ou não.

Não sei o que é que se passou comigo mas antes de chegar ao carro, voltei para trás e disse aos donos que o cão era meu e que estava mais do que decidido que ele viria para Portugal comigo. Eles ficaram tão contentes que me emocionou imenso. Não ficaram contentes por terem vendido o cão ficaram foi muito orgulhosos por o cão ir para tão longe.

Num segundo “fui pai” e nunca me passou pela cabeça o que a minha vida iria mudar por causa daquela decisão. Mudou para melhor, para que fique bem claro, eu só não sabia o quanto, isso só o tempo o diria.

Dei-lhe o nome de CJ (Castro Júnior, claro), iniciais, pronunciadas em Inglês, na  língua da terra de origem, ficando Cijay.

Os criadores foram espectaculares, trataram da papelada toda e do passaporte do cão. Achei o máximo o cão ter passaporte, nem sabia da existência de tal documento para animais.

Resumindo e concluindo, uma semana mais tarde e depois de muitas peripécias , aterrámos no Aeroporto de Lisboa, depois de uma longa viagem, mas muito felizes. Quando tirei o cachorro da caixa para ele se esticar e respirar o ar do seu novo País, não há descrição do que foram os comentários de todos os passageiros que ali se encontravam. Toda a gente queria pegar no cão e pegaram e deram-lhe muitos beijinhos naquele focinho Lindo, mas ele não queria nada ser agarrado, ele queria qualquer coisa, eu sentia isso, mas ser agarrado, não.

Deixei-o andar por ali enquanto estava à espera das malas e, de repente, fez  um chichi  que mais parecia um tsunami e desatou toda a gente a rir com a minha cara e com a minha aflição perante tal situação. Para grande sorte minha, havia pessoal da limpeza por ali perto que se fartaram de rir com a situação e que limparam tudo na hora, com grande simpatia e compreensão apesar da minha vergonha por aquilo ter acontecido. Depois de tudo ter sido limpo, veio-me à cabeça o facto do cão ter estado tantas horas fechado numa caixa e de nunca ter feito nada. Eu pensava que caixa estaria toda suja, mas nem um pingo de chichi ou de outra modalidade, achei aquilo extraordinário.

Nas primeiras duas semanas o desgraçado do cão não me passava confiança nenhuma e não gostava de ser agarrado, fugia sempre, para grande desespero meu. Eu bem que queria mas nada, sempre arredio. De repente, passadas estas duas semanas iniciais, estava eu no chão da sala deitado a brincar com ele e pus a minha cabeça na almofada dele. Tal era o conforto que adormeci. Quando acordei, parecia que uma vaca me estava a lamber a cara. Quando dei por mim, era o CJ a lamber-me a cara toda sem querer parar, eu bem que tentava fugir mas ele não me largava, parecia que tinha tido um “ataque de amor” infindável.

A partir daquele momento, nasceu uma ligação enorme entre nós, uma amizade eterna, uma cumplicidade muito difícil de descrever. A partir dali, toda aquela distancia que ele marcava, acabou. Houve uma ligação da parte dele para comigo tão forte que se notava e que as pessoas até comentavam esse facto. Ele passou a ser a minha sombra e onde eu estava ele também estava. Se eu me ria muito ele ladrava de contentamento, se ele me via triste, deitava-se ao pé de mim ou punha a cabeça em cima dos meus joelhos para me animar. Era mesmo Especial!

Era um cão extraordinariamente inteligente. Eu viajava muito pela profissão que tinha e ele lidava muito mal  com isso e quando via as malas na entrada, só lhe faltava pôr um véu preto na cabeça tal era a tragédia e ficava tão triste que metia dó. Depois, quando se apercebeu que quando eu voltava ele tinha sempre um presente, deixou de ficar triste e quando eu voltava o “raio” do cão não me deixava em paz enquanto eu não abrisse as malas e lhe desse qualquer coisa, tornou-se mesmo um ritual que eu fomentava e que adorava. Já para não falar da “gritaria” que ele fazia quando eu chegava a casa depois de uma viagem.

Uma vez, estive na Tailândia dezoito dias em serviço e quando voltei foram-me buscar ao aeroporto e levaram o CJ para verem o que é que ele fazia quando ele me visse depois de tanto tempo fora. Eu não sabia que ele estava no aeroporto à minha espera e quando passei as portas da Alfândega e ele me viu, desatou a correr na minha direcção aos gritos, quase que me atirou ao chão e não parava de ladrar de contentamento. Eu fui completamente apanhado de surpresa e só o vi quando ele já estava em cima de mim e quando quase fui ao chão, mas foi lindo ver aquela reacção dele e de ver tantas pessoas emocionadas depois de o verem reagir assim. Claro que depois do teatro todo e daquela manifestação e ainda no aeroporto, sentou-se em cima da minha mala às “marradas” a pedir o presente e não me deixava andar para lado nenhum.

Tive o Privilégio de o ter comigo durante quase quinze anos e foi com muita dor  e dificuldade que tive que “abrir mão dele” e de ter que “o pôr a dormir” porque já estava muito doente, sem qualidade de vida e já em sofrimento. Foi dos piores momentos da minha vida, principalmente aquela sensação de me ter “armado em Deus” e decidir sobre a sua vida, mas tive que o “deixar ir”. Prometi a mim mesmo e a ele que não o deixaria sofrer. Um dia, depois de ver que ele estava a sofrer muito, ele olhou para mim com um dar de quem já não aguentava nem mais um segundo e de quem já estava no limite e foi nesse mesmo dia que tomei a Decisão e que lhe dei Paz. Foi Horrível mas Consolador.

Aprendi com ele a Olhar os Animais de uma maneira completamente diferente. Percebi e Senti o Amor que eles têm por nós e isso foi uma sensação extraordinária. Aquela Entrega Tácita e Incondicional faz todo o Sentido para ele e para mim. Aprendi com ele que existia uma parte de mim que eu desconhecia. Passei-me a conhecer melhor. Têm um grande efeito Terapêutico! A Companhia é  tão importante para o cão como para o dono. O meu Amor pelos animais  e aquela proximidade que eu tive toda a vida para com eles passou a fazer Sentido.

Por causa de tudo o que o CJ me ensinou, depois dele, tive outros cães que tive a sorte de poder resgatar e de lhes dar uma vida digna e com muito amor o tempo que lhes restou. Depois do CJ, vieram o Chico e a Milly, que também “já cá não estão”.

Hoje em dia tenho dois cães, um, é do tamanho de uma vaca, o Max, que foi abandonado atado a uma árvore com um recado ao pescoço que dizia:- “Sou o Max, tenho dez meses. Tratem-no bem!” É uma maravilha de um cão pelo qual me apaixonei desde o dia que o vi, assim como com o CJ e  tenho também a Missy, cadela resgatada  para fazer companhia ao Max. Adoram-se e isso diz tudo!

Ter ficado com o CJ mudou a minha vida como Ser Humano, e por si só, foi uma Grande Lição de Vida!

 

Miguel Castro

Outubro 2015

 

 

O meu primeiro livro.

 

Não sei qual foi, desde que aprendi a ler que passei a «devorar livros». A minha mãe comprava-me livrinhos pequenos de bolso com histórias infantis que eu lia sempre que tinha um pouquinho de tempo livre, como por exemplo no recreio da escola primária.

Mas sei qual foi o «Livro», aquele livro especial, ou como lhe chamam neste blogue, o meu primeiro livro de vidro. O livro que fez com que eu me apaixonasse pela leitura e que a partir daí nunca mais parasse de ler.

O meu primeiro livro especial foi “Os cinco e a ciganita”, andava eu no 3º ano da escola primária e foi trazido para casa pela minha irmã mais velha, através da biblioteca da escola.

A partir desse dia um novo mundo se abriu para mim, li as coleções todas da Enid Blyton e depois passei à biblioteca da minha mãe.

Na adolescência apaixonei-me pela Agatha Christie e pela Isabel Allende. Nunca mais esqueci o Papillon que li aos dezasseis anos.

Continuo até hoje apaixonada pela leitura. Tenho alguns autores de estimação, mas gosto acima de tudo de uma boa história que me cative desde o início e que não me deixe parar.

Não me prendo a estereótipos nem a críticas. Interessa-me o meu gosto pessoal.

Gosto de romances em geral, romances históricos, policiais e algum suspense.

Não gosto de vampiros nem de demasiada fantasia. Embora já tenha lido por exemplo Laura Esquível e apesar de ter bastante fantasia, gostei.

Em suma, ler é um dos meus maiores prazeres.

 

Ana Silvestre

Setembro de 2015

Escrever é poder.

Laura Alho

 

Hoje, quero falar-vos sucintamente sobre o poder da escrita. Da força que as palavras têm na nossa vida e nas repercussões que têm na vida dos outros. Num conjunto de ideias-chave:

A escrita é uma forma de comunicação. Uma das mais eficazes, diria. Através dela é possível transmitir conhecimentos e partilhar opiniões. Faz-nos sentir (e.g., dor, compaixão, alegria, saudade, raiva, empatia, nojo, angústia, amor). Liberta-nos dos pensamentos obsessivos. Alivia-nos o espírito. Permite-nos desenvolver. Promove o autoconhecimento. Dá-nos tempo: para refletir e para criar. Aproxima-nos uns dos outros, mesmo que nunca nos tenhamos visto ou conhecido. Encurta as distâncias e quebra os grilhões do tempo, permitindo que as palavras, que foram outrora escritas, sejam lidas no presente e continuem a sê-lo dentro de milhares de anos. No fundo, a escrita tem o poder de ser intemporal.

Tudo o que habita na nossa imaginação tem raízes profundas na realidade. E todo o nosso conhecimento da realidade provém da imaginação – é um processo de (re)construção recíproca e fundamental.

Da mesma forma que a imaginação e a realidade andam de mãos dadas, também a escrita e a leitura andam. Com uma frase, uma página, ou um livro, contribuímos para a biblioteca que designamos de Conhecimento Universal. O progresso e o desenvolvimento de um país dão-se mais ou menos rapidamente, consoante o nível de literacia dos seus habitantes.

A um nível mais pessoal e restritivo, a escrita opera verdadeiros milagres. É terapêutica. Difunde bem-estar. Melhora o humor. Incita-nos à aprendizagem e permite-nos desenvolver competências extraordinárias. Torna-nos pessoas melhores. Mais evoluídas. Mais completas. Mais atentas ao mundo e prontas a marcar pela diferença. Expande os nossos horizontes e torna o mundo numa aldeia fascinante e empreendedora.

Escrever é poder; ler é poder. E este é um conhecimento intencionalmente ignorado por grande parte das pessoas, mas representa um dos maiores ensinamentos que podemos ter. Porque a escrita é alquímica – transforma as nossas vidas, quer tenhamos consciência disso ou não.

Houve, desde sempre, a necessidade de deixar informação para as gerações futuras. As inscrições nas pedras, os papiros, as ilustrações, e as gravações em cera ou madeira, eram alguns dos métodos usados pelos nossos antepassados, que tinham um único objetivo – passar conhecimento. Hoje em dia, temos métodos absolutamente incríveis e rápidos de transmissão de informação. Mas todos eles usam a mesma matéria-prima: as palavras.

Como afirmam muitos escritores: a palavra é um ser vivo. E eu concordo com eles, pois as palavras têm a capacidade maravilhosa de metamorfosear a nossa existência. E nós temos o poder (e o dever) de usá-las para tornar o mundo num sítio melhor.

 

Laura Alho

Agosto de 2015.

 

Alfredo

 

 

Hoje, decidi abrir as portas do mundo, sair da minha própria vida.

Talvez um grito de socorro, mas houve algo em mim que quis sair porta fora.

Para trás, deixei o recheio fétido, as feridas do quotidiano.

Senti frio e ajustei, ao meu corpo, a gola do casaco. Estava descosido e perdera, há algum tempo, dois botões. Não importava; não desejava olhares, a curiosidade alheia.  Até porque ninguém reparava em mim. Era como uma sombra, vagueando nas ruas do destino.

Seria bom ambicionar pela primeira vez, de poder andar livremente, de sair da podridão das palavras, aquelas que já não ouvia por serem distantes. Por não serem realmente minhas.

Queria, simplesmente, refugiar-me no silêncio.

Eram muitos os fantasmas que me  atormentavam, maior ainda a miséria que me entupia o descernimento. E, a cada passo que dava, afastava-me. Afastava-me das memórias, dos teus gritos, da tua indiferença. E era ela que pedia para voltar.  Um paradoxo imenso…

Como podem os sentimentos serem assim, tão estranhos?

Naquele instante, não pensei mais, apenas sabia que, apesar de toda a certeza, o de estugar o passo para sair dali, havia um suspiro inquieto que teimava em toldar-me a razão, um esgar estranho, um retrocesso mental, um auto-reflexo.

A solidão, Alfredo. A solidão… Não voltes.

A verdade: não sabia ser, não sabia pensar, não sabia do passado, do presente, do futuro.

A minha decisão: não ser como todos os outros, um clone individual, repetido à exaustão de uma sociedade doente.

E, para isso, teria de me enfrentar a mim mesmo. Porque para seguir em frente, é difícil, é preciso ter coragem.

Se o conseguiria, não sei… Mas não olhei para trás.

Estuguei ainda mais o passo e a noite, somente a noite, me levou com todas as minhas incertezas.

 

Pedro Jardim

Julho 2015

A nossa força interior e o nosso brio pessoal é a alavanca mais preciosa que temos para chegarmos aonde queremos chegar.

Os outros podem incentivar-nos, tentar convencer-nos, se não fomos nós a querer, nada feito.

Quando eu andava no 3º ano da escola primária, recebi um teste de matemática em que tive «Não satisfaz», tinha errado todas as contas de dividir.

Nesse dia cheguei a casa lavada em lágrimas, não porque os meus pais me ralhassem pela nota, mas porque me senti completamente frustrada e desiludida comigo.

A minha mãe disse-me que para eu aprender a fazer as contas de dividir tinha primeiro de saber a tabuada, deu-me dinheiro e eu fui à papelaria em frente, comprá-la.

Nesse mesmo dia, fixei a tabuada toda, de cor e salteado e depois a minha mãe ensinou-me a fazer as contas de dividir.

Hoje continuo a saber a tabuada de cor e salteado e a saber fazer contas de dividir.

Fui eu que as ensinei aos meus filhos e a amigos que já se tinham esquecido e queriam ensiná-las aos filhos.

Um dos meus filhos nunca soube a tabuada de cor e salteado, por muito que eu tentasse, refilasse, ou lhe dissesse que ele tinha de sabê-la. Em compensação, sempre escreveu muito bem e é bom noutras coisas.

E aprendi isso com os meus filhos, a força para tudo está dentro de nós. Naquilo, que nós realmente queremos somos excelentes.

O meu filho mais novo é excelente a matemática e nas outras disciplinas. Porque está nele, porque sempre foi assim, porque quer sempre saber mais.

O do meio dança todos os dias de manhã à noite para conseguir chegar onde quer.

O mais velho escreve muito bem letras e canta rap.

 

Ana Silvestre| Junho de 2015

Não preciso de ser tua amiga para te desejar o melhor.

Não preciso ser da tua família para te desejar saúde, sucesso, amor ou felicidade.

Para mim, basta-me saber que és uma pessoa e que tens dias maus e dias bons como todas as outras pessoas.

O bem-estar dos outros não me deixa mal a mim, deixa-me feliz.

O sucesso dos outros não ofusca o meu.

Não compito com ninguém, unicamente comigo.

A única coisa que me interessa é melhorar a cada dia como ser humano.

Não preciso de te conhecer para sentir empatia por ti se vejo que choras ou que estás a sofrer.

A todos, desejo o melhor.

A todos, desejo luz, desejo que não sintam tristeza, raiva ou inveja.

A todos, desejo que encontrem o seu próprio caminho e que floresçam como as flores da primavera.

Mesmo aos que às vezes me magoam, desejo o bem.

As contas que cada um tem a ajustar são com eles próprios ou com Deus.

Não dou a ninguém o direito de me julgar.

Só eu e Deus sabemos as minhas razões.

Assim como só os outros e Deus sabem as suas próprias.

É assim que sou, sempre fui e pretendo permanecer.

 

Ana Silvestre

Maio 2015

Ouvimos dizer constantemente que somos aquilo que comemos. E se pensarmos bem, é verdade.

Ou acho que nós também somos aquilo que pensamos, neste caso a comida são os nossos pensamentos e emoções.

Se nos alimentarmos de sentimentos negativos como a inveja, o rancor, a mágoa, ressentimentos ou o desejo de sermos sempre os melhores e de nunca sabermos perder, não pode dar bom resultado. Vamos tornar-nos amargos, de mal com a vida e mal-humorados.

A única competição que vale a pena é a que travamos connosco próprios. A de nos tentarmos superar a cada dia. Todos os dias darmos o nosso melhor, melhorando como pessoas.

No trabalho de cada um também é assim. Eu não posso querer escrever como o Saramago, ou outro qualquer que me agrade, se não é essa a minha essência. Cada um tem o seu cunho próprio e é isso que nos torna especiais.

Existem muitas cabeleireiras, mas há aquela que sabe exactamente o que nós queremos.

É assim com tudo na vida. Não somos para todos, nem podemos agradar a todos.

Não imitarmos ninguém, sermos como somos. É a genuinidade que existe em cada um que cativa, não todos como é óbvio, só os que nos entendem.

 

Ana Silvestre

Abril 2015

Um Casamento (5ª Parte - Final)

 

A Noiva começa a chegar ao Altar quase ao mesmo tempo que a “Ministra”. A mãe do Noivo muito simpática, educada e solícita vem ao encontro da “Ministra”. Passou por trás do altar e como não percebeu que esta vinha desenfreada desde lá de cima, espreitou para falar à “Ministra”, quando espreita, a minha alma gelou, deram uma “turra” tão grande, que ficaram “estateladas” no meio de chão atrás do Altar. Uma virada para baixo, sem sapatos e a outra virada para cima sentada de perna aberta, com um ar de quem não sabe onde é que está. A Noiva finalmente, depois de tudo o que se passou, começa a chegar ao Altar, de Marcha Nupcial e tudo, completamente alheia ao drama que se está a desenrolar. Levantaram-se as duas muito rapidamente e muito despachadas e cada uma foi ocupar o seu lugar.

Quando a Noiva chega ao Altar e ao Noivo, a “Ministra” está ofegante, quase não consegue articular uma palavra e estava cheia de pieira. A mãe do Noivo, recomposta da “turra”, estava muito compenetrada e feliz com os sapatos na mão que não pôs mais. Eu devo dizer, admitir e reconhecer, que não conseguia quase conter o meu riso. Sinceramente parecia que estava num daqueles casamentos dos “Apanhados”. Nunca tinha visto tanta coisa correr tão mal ao mesmo tempo e eu no meio daquilo tudo, parecia um casamento feito para mim. Julgava eu que já tinha acontecido tudo e que não era possível acontecer mais nada.

A “Ministra” recupera o fôlego, mas tem imensos tiques e abana a cabeça de um lado para o outro. Eu não sabia se esta condição já se verificava antes da “turra” ou se foi consequência. Eu já só queria tirar fotografias mas não conseguia parar de rir. A certa altura, notei um pormenor que me fez explodir descontroladamente a rir e tive que sair dali. Devo dizer que quando comecei a rir, provoquei uma gargalhada geral, porque as pessoas não reagiram à “turra” por isso, a minha gargalhada despoletou o riso de todos. O que é que se passou que me fez explodira rir?

Quando eu estava a tirar fotografias aos pais do Noivo, de repente, olhei para a mãe dele e ela tinha um “galo” do tamanho de um tomate cereja, no lado esquerdo da testa e comecei a rir controladamente, mas quando reparei na “Ministra” para além dos tiques, esta tinha também um “galo” enorme mas na parte direita da testa. O conjunto dos “galos” com os tiques e tudo o resto que se tinha passado, fez com que eu começasse a rir descontroladamente. Para os convidados que também já tinham visto, pelo menos, o galo da “Ministra”, foi o escape que precisaram, para desatarem a rir incluindo os Noivos. Só a “Ministra” e a mãe do Noivo é que não perceberam nada porque é que as pessoas se estavam a rir mas quando olharam uma para a outra perceberam e também se desmancharam a rir. Eu pedi imensas desculpas e , graças a Deus, ninguém levou a mal a minha explosão de riso.

Antes de acabar outro pormenor que eu achei o máximo. Lembram-se de eu ter falado do chorão cheio de flores que caía para cima do lago? Ora bem, na zona do Altar, só se ouvia um bzzzzz, bzzzz,bzzzzzz, muito intenso. No chorão, havia um milhão de vespas que voavam animadamente no meio dos convidados. Este grupo, visto por trás, parecia que tinham convidado oitenta pessoas com tiques, pois ninguém conseguia estar quieto durante a cerimónia por causa das vespas. Uns levantavam os braços, outros sacudiam as pernas, outros abanavam a cara, ninguém estava quieto. Acho que foi melhor assim para que os tiques da “ Ministra” passassem mais desapercebidos e fosse tudo mais normal.

Parecia um filme de comédia mas foi dos dias mais divertidos da minha vida. Os próprios Noivos adoraram que tudo isto tivesse acontecido pois nunca, nunca mais, se irão esquecer deste dia e irão sempre rir quando se falar do Casamento deles.

Acho que esta cerimónia dava um bom filme e eu só contei o que se passou nesta hora. Durante todo o dia aconteceram situações únicas, que nunca pensei viver ao vivo, mas parece que foram talhadas para mim.

Valeu a pena atravessar o Oceano, para presenciar este casamento que um dia destes ainda vai dar um livro…

Um Casamento (4ª Parte)

 

 

O motorista travou a fundo à frente da passadeira, não teve tempo sequer de sair do carro para abrir as portas e, de repente, abrem-se duas portas e começam todos a fugir aos gritos lá de dentro. Eu desatei a rir porque achei mesmo que estavam na brincadeira mas depressa me apercebi que era tudo menos isso. O que se passou foi que quando entraram no carro da Noiva, o ar condicionado avariou-se e começou a debitar calor para dentro do carro. Como estavam quarenta graus lá fora, dentro do carro com doze pessoas lá dentro, passaram a estar quase duzentos graus. Embora o trajecto tivesse sido só de dez minutos, foi o suficiente para que se tornasse intolerável estar lá dentro. Resultado, quando se abriram as portas, não há uma pequena descripção do espectáculo dantesco que se passou ali à frente. As Damas de Honor, num segundo, transformaram-se em Damas de Horror. Estavam suadas até aos calcanhares, os altos penteados estavam achatados e sem vida, caracóis nem vê-los, eram mais tipo caracoletas com varizes e para piorar a cena, as marcas do peito e do corpo estavam todas desenhadas e suadas nos tecidos de todos  os vestidos. Era impossível serem vistas naquela figura. Elas nem sequer se tinham apercebido da gravidade das marcas quando saíram do carro, só quando uma delas olhou para ajudar a outra é que se aperceberam e foi um embaraço. Os homens estavam encharcados, as camisas podiam-se torcer, mas como o “smoking” era preto, não se via quase nada, estavam quase normais. Os penteados deles também estavam uma miséria e estavam quase todos de risca ao meio, porque o que estava “armado”,ruiu. O Orquestra também não saiu ileso. Estava muito tonto, parecia que estava com uma baixa de tensão, o que não me admirou. Finalmente a Noiva, essa coitada parecia a parte de trás de um desastre. Estava um Picasso na fase Cubista…O cabelo entrançado que tinha demorado quatro horas a fazer, estava como um suflé furado. Por cima da coroa de flores, em vez das tranças, estava um folar da Páscoa, só lhe faltava o ovo. Parte das tranças estavam caídas na testa por cima da coroa e para piorar tudo, a pintura estava toda “borrada” e escorria pela cara abaixo. Parecia que tinha estado duas horas a chorar.

Antes de saber que este era o espectáculo que eu iria enfrentar, ainda me pus na posição de tirar fotografias, ainda fiz o gesto, mas perante este drama todo, larguei a máquina e não tirei nem uma, como devem calcular. Ainda bem que o fotógrafo tirava fotografias animadamente lá em baixo. Nada acontece por acaso…

Era impossível montar um séquito decente perante os factos. Estavam todos, uma miséria, metia dó. Nada daquilo que uma noiva sonha!

Todas tentavam secar as manchas mas não se conseguia perante tanto calor e humidade, ainda tornavam as coisas piores. Uma coisa era certa, naquele estado não se podiam apresentar a ninguém. Decidiram e muito bem “atacar” a Noiva. Limparam-lhe a cara e fizeram-lhe uma pintura nova em cinco minutos. O cabelo teria mesmo de ser o Folar, pois não havia tempo para mais nada. Compuseram o que se pôde e a Noiva tinha que começar o trajecto. Também se decidiu, que as Damas de Honor não fariam parte do séquito, pois não estavam apresentáveis. A Noiva iria acompanhada só pelos Homens e pelo Orquestra.

Enquanto todos se compunham, o Orquestra foi esquecido porque naquele momento os problemas eram outros. Quando finalmente a Noiva estava rodeada pelos homens e estava pronta para avançar e a presença do Orquestra foi requerida, quando se deu por ele, estava no chão aos solavancos, estando animadamente a ter um ataque epiléptico. Foi a primeira vez que eu assisti a uma gargalhada geral, porque nada, nada estava a correr bem. O irmão do Orquestra, que fazia parte do séquito foi a correr para o ajudar e, graças a Deus, o ataque passou e o “Banda” voltou à normalidade.

As Damas de Honor iriam a seguir ao cortejo, como convidadas atrasadas e tudo parecia estar agora a acalmar. Noiva pronta, Homens no sítio, o Orquestra ao lado e vamos embora casar a “desgraçada”.

Já estava a Noiva a cerca de metade do trajecto e ainda a Marcha Nupcial não estava a tocar, vem um dos convidados a correr com duas notícias desconcertantes. A primeira era que o dito do fotógrafo estava aos vómitos atrás de um florão, porque estava “com os copos”, a outra era que o “Ministro” que iria realizar o casamento, não podia vir e que tinha mandado uma “Ministra” que ainda não tinha chegado, portanto o séquito devia abrandar o ritmo. Eu só pensava, coitada da Noiva, mas haverá alguma coisa que corra bem hoje para esta desgraçada?

Eu vinha atrás do séquito com as ex Damas de Honor. Quando fui confrontado com as notícias do estado do fotógrafo, percebi que eu teria que avançar para serem tiradas fotografias da chegada da Noiva ao altar, pelo menos teria algumas fotografias para além das que tinham sido tiradas aos convidados antes da “queda” do fotógrafo.

Antes de avançar, ainda recomendei à Noiva e ao Orquestra que só começassem a Marcha Nupcial quando passassem uma fonte, que estava próxima do recinto. Assim seria mais fácil para todos e talvez resultasse melhor. Fui andando e quase a chegar ao recinto, olho lá para cima e vejo uma senhora a correr, vestida com uma túnica lilás que vinha “desembestada” por ali abaixo de atrasada que estava. Alguém fez o sinal à Noiva que a “Ministra” estava na descida e lá começou o cortejo, finalmente.

Quando chegaram à tal da fonte, como uma desgraça nunca vem só, o Orquestra não estava em condições e foi substituído pelo irmão na função.

Começa a Marcha Nupcial, por acaso até correu bem, eu ainda tirei um bom número de fotografias e fui a correr para o Altar onde estava o Noivo, por acaso com muita calma, pois ele não fazia uma pequena ideia do que se tinha passado até ali. Ele estranhou o facto da Noiva vir só com os Homens e comentou isso, mas estava calmíssimo.

Um Casamento (3ª Parte)

 

Uma coisa era estar de calções e t-shirt, outra coisa era estar de fato e gravata e iria, com certeza derreter pelo caminho. Foi-me dito que se pediria a cada convidado para trazer a sua cadeira até ao  atrelado que estava estacionado lá em cima. Achei tudo muito prático e estava tudo pensado.

Numa hora se fez tudo e o local era, de facto, muito bonito. Do lado esquerdo do “Altar”, havia um chorão enorme que recaía sobre um lago e o jardim estava cheio de  flores e de cores. Que maneira barata para se poupar uma fortuna na decoração de um casamento. E de graça!

Mas eu continuava preocupado com a caminhada da noiva pois seria toda feita ao Sol, até se chegar ao local do casamento, que era à sombra, mas até lá, tinham muito que penar.

Era meio dia quando acabámos de por as cadeiras e estavam agora 40º Centigrados, com uma humidade horrorosa. Eu quase não conseguia respirar e suava sem parar.

O casamento seria às 4 da tarde, por isso, voltei para o hotel onde ficaria até às 15.30H. Tinha que tomar um duche frio de duas horas pois não conseguia refrescar.

Finalmente chegou a hora muito temida de sair do hotel para o calor e quando entrei no carro pus o ar condicionado no Máximo e lá parti em direcção ao casamento. Antes de lá chegar, passei por outro parque onde a noiva e o seu séquito de 5 Damas de Honor e seus pares, se concentravam para tirarem fotografias e dali, entrariam no “Carrão da Noiva”, uma “Limousine”, que tinha sido um presente dado por um dos amigos, com capacidade de levar 12 pessoas. Era Enorme!

Saí do meu carro e fui cumprimentar a noiva. O vestido era Lindo, muito bem pensado para esconder a “criança” e resultava mesmo, se a noiva fosse vista de frente. De lado era impossível, claro. Mas era muito sóbrio, clássico. Tinha uma coroa de flores na cabeça, também muito bonita e por cima saía um intrínseco penteado, cheio de tranças todas cruzadas e que tinha demorado quatro horas a ser “construído”. As Damas de Honor, estavam vestidas de um Azul quase escuro mas bonito, com uns penteados cheios de volume e caracóis até ao céu e os acompanhantes de “smoking” preto, cheios de laca. Muito diferente de cá! Fui dar um beijinho à noiva para lhe dizer que estava muito bonita e que todo o esforço feito para a festa tinha valido a pena. Ela estava muito contente e feliz! Radiante!

Como o parque do casamento era perto, fiquei a ver o que se estava a passar. Em cerca de quinze minutos tiraram imensas fotografias e depois começou uma movimentação um pouco insólita. De repente, começaram a treinar a marcha nupcial, ao som de um IPOD que um rapaz trazia ao pescoço, ligado a duas colunas colocadas nos ombros com uma pequena estrutura. O rapaz andava ao lado do séquito e todos marcavam o ritmo.

Pessoalmente nunca tinha visto uma coisa destas, mas achei o máximo, “a orquestra” a acompanhar a noiva. O resultado, não prometia um grande sucesso, até porque onze pessoas a marcar o ritmo é muito difícil de treinar, principalmente, porque teriam que andar uns bons trezentos metros até chegarem ao altar. Com aquele calor, duvido que metade deles lá chegassem e a noiva, então, teria o menino pelo caminho, com aquele calor todo, chegaria ao altar já com o menino nos braços e a suar por todo o lado.

Não resisti e fui dizer à noiva que tinha estado no sítio do casamento e que eu achava melhor, se queria usar a Marcha Nupcial, só ligar “a orquestra”  a cerca de cinquenta metros do altar porque seria impossível aguentarem aquela distância toda naquele ritmo. Iriam enjoar, no mínimo. Ela pensou dois minutos e concordou comigo, imediatamente, por causa do calor. Quando saí do parque para o sítio do casamento, já estavam todos a entrar no “Carrão Nupcial” incluindo o Orquestra.

O fotógrafo, depois de tirar aquelas fotografias todas, passou por mim a correr, entrou no carro dele e arrancou para ir receber a Noiva. Eu tive a sensação que ele estava “com os copos” porque me cheirou imenso a álcool, mas não comentei nada porque achei que era impressão minha.

Quando cheguei ao local do casamento eram 16.30h e já lá devia estar toda a gente. Como manda a tradição, a Noiva chegaria atrasada. Estacionei o carro e fui à procura do fotógrafo para eu ver tirar as fotografias. Tinham posto uma passadeira no local onde a Noiva iria desembarcar com o seu séquito e fui para aí, à procura do fotógrafo pois já devia lá estar. Nada de fotógrafo!

Eu olhei à minha roda e não se via ninguém. O carro dele estava lá, mas o próprio do dito, não estava ao alcance. Quando olhei lá para baixo para o sítio do casamento, vi uma pessoa a correr a correr desesperadamente na direcção dos convidados e percebi que era o fotógrafo e fiquei em pânico só de imaginar que a Noiva e seu séquito, não iriam ser fotografados naquele momento único da chegada. Ainda pensei que ele fosse voltar, mas ficou lá por baixo, o que eu achei estranhíssimo. De repente, vejo o carro da Noiva a aproximar-se e achei que no mínimo e tendo a minha máquina de fotografias comigo, seria eu a tirar as fotografias para que esse momento ficasse registado, depois de tanto trabalho. Quando olhei para o carro da Noiva tive a nítida sensação que este vinha depressa demais e que vinha com as janelas todas abertas, o que não era nada normal, com ar condicionado dentro do carro. Pus-me a geito para tirar as fotografias mas nada, mesmo nada, me podia preparar para um momento daqueles. Quando o carro estava mais ou menos a vinte metros de mim, a gritaria lá dentro era tal, que parecia que estava tudo em pânico. Ainda me ri com aquele barulho todo, mas a certa altura o meu esgar apagou-se quando percebi que não era divertimento, era mesmo pânico.

Um Casamento (2ª Parte)

 

Decidi ficar uma semana, porque o casamento era muito longe para ir e voltar. Também precisava de me habituar à diferença horária porque era brutal e assim, não correr o risco de adormecer no meio da boda.

Cheguei num Domingo e o casamento era no Sábado seguinte. Fui com tempo para poder ajudar. A festa seria organizada e confeccionada por ambas as famílias e também pelos amigos. Naquela altura, os noivos não podiam gastar muito dinheiro e por isso, mãos à obra, o que achei muito bem e o que fosse preciso, lá estaria para ajudar.

Disseram-me para gozar as férias e que precisariam muito de mim, na Sexta-Feira, na véspera do casório. Assim foi, lá me apresentei em casa para ajudar.

Quando entrei, a azáfama era enorme, como se pode calcular. Os homens estavam todos no jardim a fritar, cozer, descascar, etc. Era uma cozinha completa. As mulheres traziam tudo feito de casa, entregavam a comida, iam-se embora e passavam a parte final para os homens fazerem. Tudo muito bem organizado.

Foi uma azáfama brutal, a véspera do casamento, mas o espírito era formidável e foi muito bonito de se ver que não é preciso gastar muito dinheiro para se fazer uma grande festa. Tinham sido convidadas mais ou menos, oitenta pessoas, mas poderiam aparecer cem. Há sempre gente que não responde aos convites e que aparece, por isso, pelo sim pelo não, não foram acanhados na quantidade de comida que fizeram. Trabalhámos na sexta-feira até muito tarde para que, no dia seguinte, não se tivesse que cozinhar nada e ficassem só os detalhes da organização.

O casamento seria num parque público, num sítio específico muito bonito onde se podiam realizar casamentos, mediante uma autorização, sem ter que se pagar nada, o que achei muito simpático, foi o que me foi dito.

No dia do casamento, Sábado, foi-me pedido para ir ajudar a levar cerca de noventa cadeiras para o jardim onde se iria realizar o casamento. Quando lá cheguei, parámos o carro e eu não queria acreditar no tamanho do Jardim. Perguntei para onde iam as cadeiras e apontaram-me lá para baixo. Lá para baixo, era como se tivesse estacionado o carro no alto do Parque Eduardo Sétimo em Lisboa e o casamento seria, a vinte metros do Marquês de Pombal. Para quem não conhece, era como se parasse o carro num sítio muito alto e o casamento seria a quatrocentos metros no fundo de uma ribanceira. A distância era Brutal e para piorar o cenário, estavam 38º Graus Centígrados, às dez da manhã. Como estávamos várias pessoas para ajudar com as cadeiras, não foram precisas muitas subidas e descidas para levar tudo. Eu, como sou uma pessoa muito prática e com a mania de pensar em todos os pormenores, só pensava no que a noiva teria que andar até lá chegar abaixo e debaixo de um calor muito intenso e para mais, grávida, com uma “pança” enorme. Quanto às cadeiras perguntei logo como seria a logística de as trazer todas para cima. 

 

 

(CONTINUA ...)

 

Miguel Castro

Março 2015

Um Casamento (1ªParte)

 

    O Casamento é um dia muito especial na vida das pessoas. Naquele dia, para além dos nervos das famílias dos envolvidos, há uma organização, que ninguém quer que falhe e se trabalha para que tudo corra pelo melhor e para que esse dia seja, Inesquecível.

   Normalmente, é mais complicado para a família da Noiva, porque é sobre esta que recai o planeamento da festa. Nada pode falhar e a Noiva é a Princesa do Dia.

  É assim que se deseja e, de facto, normalmente, o dia corre, às mil maravilhas e é um dia que os noivos não esquecem nunca mais.

    Por vezes, nem sempre as coisas correm bem e falham alguns pormenores, mas tudo se ultrapassa e a festa prossegue. Eu já fui a muitos, muitos casamentos, como todas as pessoas, onde tudo correu bem e eu não estava preocupado com nada, a não ser em me divertir, gosto de ver a cara dos noivos e de ver como estão a gozar esse dia.

  Já fui a casamentos suficientes para perceber o horror que se tem a que alguma coisa possa correr mal e assim embaraçar as famílias dos noivos.

     Embora a maior parte dos que fui tenham corrido pelo melhor, também já vi alguns onde as coisas não correram tão bem quanto se esperava. Para mim, eu penso sempre nas famílias e no desagradável que deve ser, mas acabo sempre por me divertir porque há sempre motivos para tornar partido de uma situação desagradável e seguir em frente.

    Mas, houve um casamento onde fui, onde nunca vi nada assim. Tudo o que podia correr mal, correu pior e mesmo assim, devo dizer, que foi um dos casamentos mais divertidos que presenciei, pelo insólito. Não houve nada, “nadica de nada”, que tivesse corrido bem, posso mesmo afirmar que aconteceu o Horror para qualquer Noiva e família.

     Fui convidado para ir a um Casamento na América do Norte, que aceitei com muito gosto. Fui convidado para ficar em casa da família de um dos noivos mas não aceitei porque sabia que organizar um casamento traz muita confusão, portanto, optei por ficar num hotel perto da casa.

    O Noivo tinha 22 anos e tinha engravidado a namorada de 32 anos. A diferença de idades era significativa mas, de facto, eles adoravam-se e ele era um rapaz incrivelmente trabalhador, que assumiu de imediato o papel de futuro pai e as suas responsabilidades. Ela, uma mulher espectacular, adorava-o e quis imediatamente casar com ele. Por incrível que pareça, estavam mesmo perfeitos um para o outro o que fez com que a diferença de idades não tivesse peso nenhum nesta história.

 

(CONTINUA ...)

 

Miguel Castro

Março 2015

 

A Depressão

 

Hoje queria falar da Depressão para a qual eu já perdi alguns amigos e que nunca percebi muito bem a intensidade da invasão e a extensão da mesma na vida de uma pessoa. Todos nós já ouvimos falar da Depressão, mas muita gente pensa que esta se reveste e se manifesta, com as pessoas dentro de uma casa às escuras ou de pessoas sempre em pijama sem quererem sair de casa  e sem vontade de viver. Nada disso!

Pessoalmente, fazia-me muita confusão que uma pessoa se matasse por causa disso e não entendia a Intensidade e o desespero que essa doença causa na vida de uma pessoa.

Como já sabem eu tive três enfartes e fui operado ao coração e fui avisado que seria comum acontecer, ter uma depressão, depois de uma cirurgia com esta magnitude. Nunca fui de depressões e portanto foi algo que nunca mais pensei porque eu não sentia nada de especial, nem nenhuma mudança profunda na minha maneira de ser ou de agir.

Começou sim uma grande luta burocrática, como já sabem, sem eu nunca querer baixar os braços por mim e por Nós.

Um dia, depois de muita luta e acabado o Tribunal, eu comecei a sentir que existia um túnel muito , muito escuro, no qual eu não queria entrar, mas todos os dias eu estava mais perto, sem fazer nada para o estar, nem nenhuma curiosidade para entrar. O facto era, que eu estava cada vez mais perto e as cores da vida estavam a ficar muito mais ténues do que eu pensava.

Mas que raio é isto que se passa comigo? Eu sou um lutador nato e não estou a perceber como é que eu posso estar a ser um espectador impávido e sereno perante o cenário muito estranho e aterrador que tinha perante mim e que pura e simplesmente estava a deixar-me ir sem fazer nada para resistir. O que é isto???

No dia em que eu senti que tudo era demais para mim e que era novo na minha personalidade, procurei uma Psicóloga para lhe perguntar o que é que se passava comigo. Esta é que é a tal da Depressão que finalmente me apanhou desprevenido?

Para minha surpresa foi-me dito que não, que eu estava era cansado de muita mudança na minha vida e principalmente cansado de lutar e que esta era a maneira do meu corpo me avisar que tinha que baixar a guarda e de continuar a vida sem mais stresses e que ficasse descansado que em nada eu me comportava como se tivesse uma depressão, nem sequer apresentava sintomas. Que alívio!!

Uma coisa é verdade, eu pela primeira vez na minha vida, sem ter que pensar muito no assunto, percebi o que devia ser o Horror de uma Depressão e do que isso faz à vida das pessoas.

Este cansaço psicológico que me aconteceu, permitiu-me ver para além de mim e de ver por fora os contornos de um túnel mesmo muito negro. Havia dias, em que eu próprio que adoro rir e fazer troça de tudo, estava cansado de mim mesmo e de sentir a necessidade de rir. Senti a necessidade de me virar para dentro e de ter pena de mim próprio, o que é um sentimento horrível e completamente Anti-Miguel. Foram estes factores todos que me levaram a procurar ajuda. Eu estava cheio de medo, porque por aquilo que eu tinha lido ou ouvido, ninguém começa uma depressão num dia X e acaba num dia Y. O problema das depressões, é que normalmente as pessoas quando dão por isso, já estão completamente envolvidas nela e em situações muito complicadas psicologicamente.

Com o meu Cansaço Pscicológico, percebi muito, muito por fora, os contornos de uma doença que hoje em dia mata muitas pessoas porque as levam ao desespero. Por aquilo que senti, não gostei nada de ver, nem gostei nada do Miguel que eu estava a ver afunfar-se. Não gostei de ser espectador de mim, num espectáculo veradadeiramente Dantesco. Não gostei nada daquela pessoa. Atacou-me a Dignidade como ser Humano. E foi só cansaço pscicológico, imagino se fosse uma Depressão…

Hoje em dia, quando perco um amigo ou uma amiga ou oiço de outras pessoas que desistiram de viver por causa desta Doença, fico desesperado, pela Frustração de perda inútil de uma vida e pelos danos que são extensos e que marcam os seus familiares e amigos para sempre. É uma doença que Merece ter todo o Respeito da Sociedade e não o nosso Juízo.

Ainda há pouco tempo, recebi no Facebook, uma história que me emocionou imenso pela coragem e pela bravura de um marido que perdeu a sua mulher, que era uma Mulher Sensacional, tinham filhos, no entanto, esta Senhora, escolheu Não viver, porque não conseguiu arranjar sentido para o fazer. Emocionou-me imenso a Coragem e a Bravura do Marido de vir partilhar com o mundo o Horror e a Frustração que se sentiu durante esta luta que foi Intensa, para que as pessoas possam entender que uma Depressão faz a uma pessoa. Que lição de vida aquela Declaração de Amor pelo Próximo.

A Depressão não é uma doença de Alta Sociedade ou de pessoas ricas. A Depressão, como qualquer doença, não escolhe Classes Sociais, Raças ou Credos e Principalmente, Idades. Carrega um Ónus negativo porque as pessoas acham que o suicídio é uma maneira  fácil de lidar com o assunto, quando não é, de todo, a Verdade. O suicídio é cometido, penso eu, como um acto de Desespero porque uma pessoa sente que não vai haver nunca uma Lâmpada com luz suficiente para iluminar o túnel, que justifique a vontade de lutar para continuar a viver. Qual é o Pai ou qual é a Mãe que abandona os seus filhos e família tão levianamente só porque lhe apeteceu? Acontecerá, infelizmente em alguns casos, mas é por conveniência, não por Natureza, mas, em circunstâncias normais, Nenhum ou Nenhuma.

Principalmente a maior lição que aprendi, para além de tudo o resto, foi conhecer-me a mim próprio muito melhor e estou com muito mais atenção a tudo aquilo que sinto. Outra Grande lição, foi ter aprendido a saber ouvir melhor as pessoas e de ter, hoje em dia, uma Compreensão muito mais Humana e muito mais Esclarecida sobre a Gravidade desta Doença.

Eu tive muita Sorte…..

 

Miguel Castro

Fevereiro 2015

É muito raro alguém saber aquilo que quer ser desde criança. Lembro-me por acaso que o pediatra dos meus filhos me disse que sabia que queria ser médico desde os oito anos de idade e que na altura o terá comunicado aos pais.

O mais normal é termos alguns sonhos e preferências em criança e depois a vida e todas as suas condicionantes vai-nos empurrando para determinado caminho e às vezes damos por nós a fazermos coisas com que nunca sonhámos e que nem nos fazem felizes. Estamos ali por estar.

Às tantas casamos e temos filhos e casas para pagar e achamos que já é muito tarde para mudar de vida.

Eu acho que nunca é. Estamos sempre a tempo de mudar.

Já vi pessoas mudarem radicalmente de vida aos cinquenta e aos sessenta anos.

Há também pessoas que não sabem o que querem. Acham que não têm jeito para nada.

Se olharmos para trás e para quando éramos crianças e nos lembrarmos do que gostávamos de fazer e de quais eram as nossas brincadeiras favoritas, provavelmente encontraremos a nossa vocação.

Eu quando era miúda dizia que gostava de ser professora. Os meus passatempos favoritos eram ler, fazer desenhos e escrever.

Publiquei o meu livro aos quarenta e seis anos. Fui lá atrás buscar o sonho que tinha ficado esquecido no meu passado.

Fui tarde? Acho que não, acho que foi no tempo e na altura certa.

Todos nós temos obrigação de lutar pela nossa felicidade e pela realização dos nossos sonhos. Só nós é que podemos fazê-los acontecer. Não podemos nunca delegar a nossa felicidade na mão dos outros.

E só quando nos sentimos felizes, conseguimos fazer felizes os outros.

 

Ana Silvestre

Janeiro 2015

O blog Livros de Vidro, entrou em contacto comigo com o intuito de analisar o meu livro “Eu sabia, estava escrito” que foi publicado em Outubro de 2013 pela Chiado Editora.

Agradeci o interesse no meu livro e posteriormente o convite para participar na crónica.

Esta introdução para explicar quem eu sou e porque estou aqui, a participar.

Sou uma pessoa optimista que tenta aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe oferece.

Sou uma pessoa grata por tudo o que tenho, por tudo o que já realizei e por todas as oportunidades que me aparecem na vida.

Sou uma pessoa de sorte, por ter uma família e amigos do melhor que há.

Sou trabalhadora, empenhada e determinada em tudo o que faço.

Gosto de me analisar, gosto de analisar os outros, gosto de perceber como as coisas se processam.

Estou em constante evolução como ser humano, é nisso que eu acredito. E como tal sempre que participar nesta crónica, poderão contar com textos optimistas e que nos façam pensar no porquê das coisas.

Obrigada ao blog Livros de Vidro por esta oportunidade.

 

Ana Silvestre

Dezembro 2014

Aviso!

Os textos aqui publicados são meramente opiniões/comentários próprios e subjectivos, não podendo ser vinculados a qualquer outra pessoa.

Os textos/excertos/citações estão conforme e respeitando o Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos (DL.63/85 de 14 de Março, alterado pela Lei n.º 16/2008, de 1 de Abril), respeitando, portanto, o disposto nos art.º75º, n.º2, al.g) e art.º76º,n.º1,al.a) dos referidos diplomas.

 

O presente Blogue não emprega o novo acordo ortográfico.

  • Facebook B&W
  • Google+ B&W
bottom of page