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Opinião: "Três homens num barco" de Jerome K. Jerome

  • 28 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura

"Três homens num barco"

de Jerome K. Jerome

Recebemos este livro quando se tornou nossa parceira a Alma dos Livros. Não conhecíamos o autor, o que se poderá não estranhar visto o mesmo ter nascido em 1859, o que faz com que este livro tenha sido escrito no final de 1800 e, por isso, conte com mais de 100 anos.

O que nada quer dizer, pois bem sabemos que existem muitos clássicos intemporais e que ainda hoje são lidos e apreciados.

Começámos a ler o livro com alguma expectativa, embora devêssemos ter presente que não deveríamos ler livros com qualquer expectativa. Mas fizemo-lo.

Porquê? porque a crítica britânica o apelida de esplêndido e divertido.

Bem, para nós não foi nenhuma das duas coisas. Não sabemos se por o autor usar do célebre "humor britânico", de que não somos apreciadores, e o mesmo se ter perdido na tradução ou se pura e simplesmente não lhe achámos graça.

Não sorrimos uma única vez.

Quanto à história em si trata realmente do que se lê no título, acrescentando apenas que há também um cão na viagem.

São três amigos que partem em 15 dias de barco pelo rio Tamisa, em Londres.

Percebe-se que haja ali companheirismo, situações caricatas e características deste tipo de aventura, mas acabamos por nos perder pois o narrador/personagem, inspirado no próprio autor, torna a história algo confusa, isto porque, ao narrar o que está a acontecer no barco, passa no mesmo momento para o relato de outras situações já passadas e que, de alguma forma, poderão estar relacionadas com o que está a viver, ou até algo semelhantes.

Muitas vezes não há cisão entre o que está a decorrer no barco e este pensamento do narrador, o que nos faz voltar a trás para tentar perceber o que aconteceu e fazer a separação mental.

A narrativa não é propriamente dinâmica, não há entusiasmo, apenas vai fluindo, lá está, ao sabor da corrente do rio.

É simplesmente um relato de três amigos que resolveram entrar numa aventura e passá-la em conjunto.

Não nos entusiasmou.

Claro que não vos vamos adiantar pormenores da história, não temos por hábito fazê-lo. Mas não esperem pescarias entusiasmantes, grandes histórias contadas ao luar, aventuras em cada ponto de paragem. Não... não há.

O que há são três amigos, como dissemos, e um cão, que se aventuram pelo rio. Deixamo-vos a incógnita, conseguirão terminar a viagem? (lembrem-se da altura em que tudo decorre e das dificuldades de passar 15 dias num pequeno barco com três pessoas e um cão).

Para quem gosta de histórias serenas de camaradagem, aqui fica uma sugestão.

Devemos dar nota positiva ao trabalho gráfico, muito bem conseguido.

Classificação:

- Escrita: 6

- História: 5

- Revisão do texto: 9,8

- Complexidade: 6

- Trabalho gráfico: 9

Total: 7,16

0 - Péssimo

1 a 3- Muito Mau

4 a 5- Mau

6 a 7- Satisfatório

8- Bom

9 - Muito Bom

10 - Excelente!

Mais informações em: Alma dos Livros

Sinopse

Não fosse Jerome K. Jerome (1859-1927) um dos maiores vultos do humor inglês e tudo o que haveria a dizer acerca de Três homens num barco caberia na genérica etiqueta "Livro de Bordo": estamos afinal (são estas as palavras do autor) diante o registo "fiel" das peripécias vividas por George, Harris e J. (já para não falar do cão!) ao longo de uma passeata pelas águas do imponente Tamisa. As coisas complicam-se quando o suposto relato se revela a súmula de episódios tanto mais hilariantes quanto se pretender compará-los a uma simples viagem de barco. Publicado pela primeira vez em 1889, "Três homens num barco" foi entusiasticamente recebido na Inglaterra e nos Estados Unidos, sagrando Jerome K. Jerome mestre de gerações de profissionais da comédia. Lição de refinamento britânico com um século de idade? Apenas a prova de que hoje, como nos itinerários burgueses da Inglaterra do século XIX, o humor e a ironia são bens ao serviço de alguns males bem humanos. Curiosamente, não foi pensado como texto humorístico, muito pelo contrário: o objectivo era fazer uma descrição histórica e topográfica do Tamisa, o mais aristocrático dos rios ingleses, que Jerome adorava. Mas a graça e a frivolidade foram-se infiltrando e as passagens divertidas alcançaram tanto sucesso que, sempre que 'os bocados históricos' apareciam, eram cortados pelo editor de Home Chimes, que estava a publicar o texto em folhetim. Os três protagonistas eram, há que dizê-lo, bastante genuínos: Harris era Carl Hentschel, um polaco que muita gente confundia com um alemão; George era George Wingrave; e o próprio Jerome completa o trio que costumava apanhar o comboio em Richmond para ir passar os domingos no rio. Montmorency, o cão, também existiu, e o episódio com a chaleira baseia-se num incidente real -tal como as explorações dos três homens se baseiam nas experiências de Jerome e dos seus dois amigos.

 
 
 

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