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Opinião: "A máquina de fazer espanhóis" de Valter Hugo Mãe

  • 14 de nov. de 2014
  • 2 min de leitura

"A máquina de fazer espanhóis”

De Valter Hugo Mãe

A máquina de fazer espanhós é a prova de que nem sempre a impressão que, previamente, temos dos autores se traduz na sua escrita.

Valter Hugo Mãe surpreende com a sua escrita, uma forma crua de contar a realidade, desprovida de encantamentos ou demasiado romanceada. Uma narrativa coerente, limpa e real. Uma história que poderá ser a que se passa um pouco por todo o país.

Gostámos da forma prática de ver as coisas e de não ter medo de escrever o que lhe vai na mente, é aquilo e aquilo mesmo.

No entanto, e como dizia o poeta, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Não esperem pelo formato vulgar de escrita. Os diálogos estão inseridos no texto. A pontuação é praticamente inexistente e muitas vezes temos de voltar a trás para voltar a reler e dar a entoação certa. Requer um esforço interpretativo e uma atenção redobrada. Nada que não se consiga passar a fazer naturalmente depois de lidas algumas páginas.

É sem dúvida uma visão crua e provavelmente realista da velhice e de como os nossos velhos se sentirão naquela a que se chama a terceira idade. Surpreendeu-nos.

Deixamo-vos aqui um pequeno excerto que poderão encontrar no livro:

"deus é uma cobiça que temos dentro de nós. é um modo de querermos tudo, de não nos bastarmos com o que é garantido e já tão abundante. deus é uma inveja pelo que imaginamos. como se não fosse suficiente tanto quanto se nos põe diante durante a vida. queremos mais, queremos sempre mais, até o que não existe e nem vai existir.", in A máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe, pág. 225

A nossa classificação: 4

 
 
 

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