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Opinião: "Corações em silêncio" de Nicholas Sparks

  • 6 de abr. de 2015
  • 3 min de leitura

Não podemos dizer que sejamos leitores de Nicholas Sparks, porque não somos. Houve sempre uma resistência em nós em pegar num título seu e levá-lo para casa para ler. Resistimos. Não somos leitores compulsivos de romances e, conhecendo, a fama do autor, sabíamos que entraríamos num mundo romântico.

Não que isso nos afligisse, simplesmente surgira como que uma barreira entre a curiosidade e o temor. Temíamos, de certa forma, que ao lermos o primeiro livro que aquele encanto para com o autor se quebrasse, sim, encanto. Porque embora nunca ousássemos ler um livro do autor reconhecíamos-lhe mérito pelo enorme sucesso e pelas inúmeras críticas positivas que recebia.

Pensávamos, será ele assim tão bom? Será que vamos gostar? Ou ficaremos desiludidos? Foi por causa deste pensamento que criámos uma resistência na aquisição de títulos de Nicholas Sparks.

Pois bem, eis que chegou o dia em que, inevitavelmente, enquanto leitores, acabámos por nos deparar com um livro do autor. Não fomos nós quem cedeu ao impulso, antes, fomos “corrompidos”, no bom sentido, isto porque, o livro sobre qual hoje opinamos foi-nos oferecido.

Respirámos fundo e lançámo-nos na leitura. Eis a nossa opinião:

Taylor e Danise conhecem-se em circunstâncias infelizes. Ele, bombeiro voluntário, traz consigo um passado relacionado com o seu pai, que lhe carrega nos ombros uma culpa imensa, ela, solteira, tem um filho, Kyle, que não consegue falar normalmente.

Um acidente de carro cruza os caminhos destes dois personagens, Kyle, desaparece no pântano e Denise desespera. Taylor torna-se o melhor e o pior na vida de Denise. Estarão eles destinados a cruzarem-se novamente nos caminhos da vida?

Como sempre, não nos cabe aqui desvendar muito da história, mas apenas dizer o que achámos, pois bem, ficámos ambiguamente satisfeitos. Parece estranho, bem sabemos, mas por um lado, ficámos desiludidos com a escrita, talvez tenhamos criado imensas expectativas relativamente ao autor, por outro lado, gostámos da simplicidade. E isto traduz-se numa ideia que acaba por prevalecer, a ideia de que, o autor é um autor acessível e que consegue chegar ao maior número de leitores possível, ao contrário de outros, não se aventura numa linguagem complicada, e por isso, soma pontos.

É essa ideia que nos faz superar aquela primeira desilusão para com a escrita e compreender que é um autor de quem não nos importaremos de continuar a ler histórias. São fáceis, quotidianas, simples, acessíveis e fazem qualquer um sonhar.

É uma escrita que nos emociona e nos faz sorrir. É sem dúvida um autor que descreve factos da vida de forma real e ao mesmo tempo com um toque de encantamento, que não poderia deixar de existir num romance. Compreendemos o porquê da facilidade do autor de conseguir atrair grandes quantidades de leitores. E por aqui também ganhou mais uns quantos.

Deixamos uma última nota para quem gosta de romances e especialmente deste autor, em Portugal, parece que inadvertidamente encontrámos um estilo em tudo semelhante, mesmo que, como qualquer pessoa em início de “carreira”, precise de treino e algumas afinações, não deixa de ter uma escrita semelhante e um sentido romântico idêntico.

Mais uma vez frisamos a importância de lermos em português e autores portugueses, precisamos de os valorizar primeiro, antes de serem valorizados no estrangeiro. Neste caso particular, falamos de uma autora que já aqui tivemos oportunidade de publicar em duas ocasiões: Susana Esteves Nunes.

Quando estiver indeciso na escolha de um título já sabe, opte primeiro por autores portugueses! Nós apoiamos!

Classificação:

- Escrita: 8.5

- História: 8

- Revisão do texto: 10

- Complexidade: 7

- Trabalho gráfico: 6

- Total geral: 7.9

coracoes em silencio.jpg

 
 
 

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