Opinião: "Domesticália" de Paula Bobone
- 2 de abr. de 2018
- 5 min de leitura
"Domesticália"
de Paula Bobone
Bom dia leitores. Hoje apresentamos um livro que tem gerado muita controvérsia. Muitos comentários foram proferidos aquando da sua revelação ao público, principalmente devido ao seu título "Domesticália".
Confessamos que inicialmente pertencemos àqueles que estranharam o título, no entanto, não nos deixámos ir pela primeira impressão e preferimos aguardar até à sua integral e conhecedora leitura para, então, proferirmos uma opinião.
Até porque, não raras vezes, já criámos ideias pré-concebidas que, mais tarde, se revelaram irreais, tanto positivamente, como negativamente.
Assim, hoje damos-vos a conhecer a nossa opinião sobre este livro e sobre este tema.
Muitas foram as vozes que se levantaram para dizer que era um livro com intenção de ensinar aos patrões como haveriam de domesticar os seus empregados. Quando vimos o título, já dissemos, pensámos no mesmo. Mas, a bem da verdade, devemos também agora dizer que o livro não tem, de todo, essa intenção.
Antes mesmo de o ler fomos à procura da reacção da autora para aquilo que estava a ser dito - se a houvesse - e encontrá-mo-la, não só por escrito, como tivemos ocasião de a ouvir e ver num programa de TV a falar sobre o livro.
A sua explicação para o título era simples:
"Amigos,
Perante as notícias que têm saído (negativamente) sobre o título do meu livro, tenho apenas a dizer que "Domesticália" em NADA se refere a domesticar empregados domésticos. (como oiço por ai) Não estamos a falar de animais, mas sim de pessoas e profissionais. Quem tem duvidas, compre o livro. Instrua-se e procure informar-se. O conteúdo deste livro é exactamente preservar e respeitar estes profissionais. A origem do nome “domesticália” é DOMEST (latim) que significa casa e lar LALIA (vem do grego) e indica falar sobre qualquer assunto. " em Paula Bobone Oficial Facebook, a 18 de Novembro de 2017
Se ficámos inteiramente convencidos? A 100%, não, pois ainda não havíamos lido para comprovar e, como alguém um dia terá dito, "ver para crer...".
Gentilmente a editora Cordel d'Prata cedeu-nos um exemplar que não corremos a ler. Porquê? Como muitos de vocês já sabem, gostamos de ler os livros depois da poeira assentar à volta deles. Não gostamos de lançar opiniões na altura em que tudo ferve à volta dos títulos, pois as opiniões, no calor do momento, são - não todas - quase iguais e sem reflexão ou grande conteúdo.
Assim, acabámos por esperar alguns meses até sentirmos que era o momento certo, sim, somos daqueles que aguardam pelo momento certo de ler cada livro. E eis que quatro meses depois, o lemos de uma ponta à outra e aqui estamos a dar o nosso veredicto, depois de muitos de vocês nos terem perguntado o que achávamos e para quando uma opinião.
Então, avancemos. No início do livro a Autora teve a preocupação de fazer um enquadramento historico-social e, também, de explicar e enquadrar o título do livro. Explicando que a profissão de servir é uma das mais antigas do mundo e que se foi aperfeiçoando e cultivando técnicas, tácticas e truques na arte do bem servir.
Domesticália mais não é do que uma actividade caseira relacionada com a casa. E neste livro é nos dada a noção exacta e clara de conceitos como família, servo, criado, casa, trabalho, entre outros. Tudo com um fio condutor e uma evolução histórica.
É um livro dividido por capítulos, o que facilita a sua consulta, e onde podemos encontrar - atrevemo-nos a dizer - uma preciosa ajuda para um qualquer evento que possamos dar nas nossas próprias casas.
Não estamos diante de um livro que menospreza a figura do empregado doméstico, muito pelo contrário. Ficámos surpreendidos por constatar que a Autora não só defende acerrimamente estes profissionais como, ainda, lança farpas e avisos - até bastante directos - aos patrões.
Ou seja, não ataca os patrões, mas lembra-os dos seus deveres para com aqueles trabalhadores que tratam da sua casa e da sua família. Lembrando-os que terá de haver condições de trabalho, seguros, ordenados em ordem, respeito, ensinamentos, etc.
Pois os empregados domésticos são pessoas, que poderão errar e que terão de ser chamados à atenção, sim, mas com respeito e explicando o gosto e preferências do próprio patrão. Pois criticar sem explicar não levará a lado algum e não permitirá ao empregado que se possa corrigir eficazmente.
Mas, não é só disto que fala o livro. A Autora apresenta-nos um livro recheado de pormenores e dicas sobre o bem servir. Podemos dizer que, aprendemos algumas coisas que podem ser utilizadas no dia-a-dia ou, até mesmo, quando recebemos alguém em nossa própria casa. Isto porque, nos são dadas explicações, tanto para um simples jantar, como para o banquete mais requintado e de altas patentes onde nos poderíamos encontrar, ou até participar - pois nunca se sabe o dia de amanhã, e estas dicas poder-nos-ão ser úteis.
É, certamente, um livro técnico, por assim dizer, sem floreados, sem rodeios e que nos fala de um tema que habitualmente está esquecido, mas que no estrangeiro tem muita importância, sendo, inclusive, ministrados cursos e formações para os profissionais do ramo. Aliás, a Autora questiona para quando cursos desses em Portugal, pois seriam uma mais valia para estes trabalhadores e para os próprios patrões.
Achámos particularmente interessante as explicações relativamente a jantares/ recepções dadas em ambientes mais formais, onde nos é dito como e quem se senta primeiro à mesa. Que lugares pertencem a que pessoas/ individualidades.
Bem, é um livro que nos surpreendeu pela positiva, pois não sabíamos bem o que iríamos encontrar. Confessamos que o iremos consultar de cada vez que nos surgir alguma dúvida pois, como já dissemos, encontramos aqui dicas para o saber estar até no dia-a-dia.
E todos nós queremos estar bem, especialmente em ocasiões mais importantes. Quanto mais não seja num jantar de negócios com clientes importantes, com o nosso patrão - imaginem que poderá daí resultar uma promoção-, com a nossa cara metade, com altas figuras da sociedade ou, simplesmente, porque queremos saber estar e mostrar segurança e uma correcta postura.
Para quem é patrão, encontra aqui um livro que lhe permitirá perceber onde está a falhar ou a agir correctamente e onde poderá melhorar; para quem é empregado(a) doméstico(a) encontrará, igualmente, um livro que lhe ensinará, certamente, mais alguma coisa para que possa melhorar ou, chamar-lhe-á a atenção para pormenores que possam passar despercebidos.
Uma nota de chamada de atenção, ao longo do livro são feitas breves referências históricas sobre a evolução do serviço doméstico o que nos vai dando a percepção de como esta profissão foi evoluindo ou contribuindo para a sociedade. E que ainda contribui.
Por fim, deixamos as nossas felicitações pela capa. Não só pelas cores, mas também pelo material utilizado. Dá gosto tocar nela.
E ainda, desafiamos todos aqueles que - além dos leitores que já tenham interesse em ler - se insurgiram desconhecendo o conteúdo do livro, a lê-lo. Pois, o preconceito foi infundado, na nossa opinião.
Classificação:
- Escrita: 7,8
- História: 8
- Revisão do texto: 8
- Complexidade: 9
- Trabalho gráfico: 10
Total: 8,56
0 - Péssimo
1 a 3- Muito Mau
4 a 5- Mau
6 a 7- Satisfatório
8- Bom
9 - Muito Bom
10 - Excelente!
Mais informações em: Cordel d'Prata

Sinopse
Com o passar do tempo, e até aos dias de hoje, tudo mudou e sobrevieram outras realidades. O pessoal doméstico passou a apresentar contornos totalmente diferentes e a sua ligação às casas passou a ser uma profissão.
Hoje, cabe à dona de casa imprimir o toque do seu estilo, cuja elegância deve ser marcante.
Domesticália é a arte de receber, de sentar e de servir. Uma narrativa interessante sobre o funcionamento da profissão dos empregados domésticos, que certamente irá valorizar e contribuir para o respeito destes profissionais.





















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